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Roberto Motta

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Benesses

Absorventes, filtro solar e populismo: a mentira dos benefícios “gratuitos”

Não faz muito tempo uma deputada social-democrata aprovou um projeto de lei obrigando o Estado a distribuir absorventes íntimos gratuitamente. O maior apoio ao projeto deve ter vindo dos fabricantes de absorventes. (Foto: Imagem criada utilizando Gemini/Gazeta do Povo)

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Era uma manhã de dezembro. Eu estava em um carro de aplicativo, percorrendo a Avenida Atlântica, em Copacabana, rumo ao centro da cidade do Rio de Janeiro.

O rádio do carro estava ligado e sintonizado em uma estação de notícias.

Três locutores conversavam sobre o verão que se aproximava. Eles comentavam como os dias tinham sido ensolarados.

"As pessoas não se cuidam", disse um deles, "não se protegem contra o sol. Sol demais pode causar câncer de pele".

"Pois é", disse outro. "A prefeitura devia fazer alguma coisa".

Não faz muito tempo uma deputada social-democrata aprovou um projeto de lei obrigando o Estado a distribuir absorventes íntimos gratuitamente. O maior apoio ao projeto deve ter vindo dos fabricantes de absorventes

Eu, que olhava a paisagem carioca pela janela, levei um susto. Por que o gosto dos cariocas pelo sol era um problema da prefeitura? Eu não tinha ideia do que ouviria a seguir.

O que ouvi foi isso:

"Sabe aqueles painéis que borrifam água e que foram colocados nas praias para os banhistas se refrescarem?", perguntou o primeiro locutor. Sem esperar resposta, ele completou: "A prefeitura deveria colocar painéis para distribuir filtro solar de graça aos banhistas".

Qualquer jornalista sabe que filtro solar jamais seria “de graça”. O produto teria que ser fabricado por alguém, e isso custaria dinheiro. Depois ele precisaria ser comprado pela prefeitura – através de algum processo de licitação – e pago com o dinheiro dos impostos. Isso significa o seguinte: todos os pagadores de impostos financiariam o filtro solar que seria usado apenas por aquelas pessoas que frequentam a praia. Mas no Brasil ainda predomina, mesmo entre pessoas informadas, a ideia de que o Estado e o governo têm a capacidade mágica de dar coisas de graça ao cidadão.

Recebi as primeiras lições sobre liberalismo com Rodrigo Constantino e Hélio Beltrão. Até então eu achava - como todos os brasileiros - que o Estado é a solução para tudo. Lendo Thomas Sowell, Ludwig von Mises e Friedrich Hayek eu descobri que liberdade econômica é indissociável da liberdade política. Liberdade econômica significa usar seu dinheiro da forma que você achar melhor e manter a maior parte do que você ganha com você, sem ter que entregar uma parcela enorme ao Estado na forma de impostos ou confisco. O direito à propriedade privada – que inclui a propriedade do seu dinheiro - é tão fundamental quanto o direito de ir e vir e a liberdade de expressão.

O Estado que ambiciona satisfazer todas as necessidades do cidadão precisa de fontes infinitas de recursos – não só para pagar os benefícios mas, principalmente, para financiar uma gigantesca máquina estatal. O Estado que ambiciona dar “de graça” tudo o que o cidadão precisa será, inevitavelmente, o mesmo Estado que escolherá o que o cidadão pode pensar, dizer e consumir. Qualquer dissidência implicará no fim de todos os benefícios.

VEJA TAMBÉM:

Eu aprendi com Milton Friedman que nada é “de graça”. Tudo tem um custo. Quando o Estado dá uma coisa a alguém é porque ele, o Estado, pagou por aquilo com o dinheiro que ele tirou de outra pessoa. Esses “benefícios” dados pelo Estado são, quase sempre, trocados por votos.

Não faz muito tempo uma deputada social-democrata aprovou um projeto de lei obrigando o Estado a distribuir absorventes íntimos gratuitamente. O maior apoio ao projeto deve ter vindo dos fabricantes de absorventes.

Aguardemos para breve um projeto da deputada distribuindo filtro solar.

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