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Roberto Motta

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Todo político erra, mas a gravidade dos erros importa e seu voto devia considerar isso

O voto precisa distinguir políticos sérios dos que usam o poder em benefício próprio.
O voto precisa distinguir políticos sérios dos que usam o poder em benefício próprio. (Foto: Imagem criada com ChatGPT/Gazeta do Povo)

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Os políticos não são todos iguais.

Todos os políticos cometem erros. Mas os erros não são equivalentes.

Não há santos ou anjos na política. Mas há políticos bons e outros ruins. E existem pessoas que usam a política para cometer crimes.

Talvez seja difícil determinar quem é realmente honesto. Mas os políticos desonestos não costumam esconder a desonestidade – ao contrário, a exibem como prova de esperteza e de poder.

As evidências mais claras de desonestidade são a mentira constante, a associação com pessoas desonestas e o enriquecimento na vida pública.

Fomos ensinados, treinados e doutrinados para dar um valor extraordinário à política e colocá-la no centro de nossas vidas. Essa é uma ideia que vem da Revolução Francesa, que criou o conceito do cidadão-ativista, permanentemente mobilizado pela atividade política.

Essa ideia beneficia principalmente os políticos. Em todas as democracias existe uma classe política que vive de extrair riqueza das pessoas e das empresas. Ela pratica aquilo que o sociólogo Franz Oppenheimer chamou de "meio político de ganhar a vida” (o outro meio de ganhar a vida é o econômico, através do trabalho e da prestação de serviços úteis).

A política continua sendo uma das ferramentas disponíveis para a proteção da liberdade e a promoção da prosperidade.

Os políticos são os verdadeiros donos do país. Câmaras de vereadores, Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional funcionam permanentemente como uma fábrica de leis, regulamentações e medidas que interferem com a nossa liberdade e autonomia. Políticos têm acesso às instituições do Estado, incluindo empresas estatais, agências reguladoras e, mais importante de tudo, aos tribunais.

Alexander Hamilton, um dos pais fundadores dos Estados Unidos, escreveu no Artigo Federalista número 78 que “a liberdade não tem nada a temer do judiciário, a menos que ele se junte com qualquer um dos outros poderes”. Aqui o topo do Judiciário se junta ora com o Legislativo, ora com o Executivo.

Não é preciso mais do que alguns minutos de reflexão para perceber que foi invertido o sentido essencial da democracia. Ao invés de eleger representantes que o servem, o povo coloca no poder espertalhões que se servem dele, e que colaboram para, ao longo do tempo, reduzir cada vez mais a liberdade.

Sempre chamo a atenção para o paradoxo do político rico. Como é possível que alguém que dedicou a sua vida inteira à atividade política tenha enriquecido? É claro que isso não acontece só no Brasil; os Estados Unidos estão cheios de políticos como a deputada democrata Nancy Pelosi, que exerce mandatos públicos de forma ininterrupta há 40 anos e tem um patrimônio multimilionário. Isso se torna um fenômeno ainda mais curioso quando o político é da extrema-esquerda. No Brasil há vários exemplos de políticos socialistas ou comunistas com um patrimônio considerável.

O panorama político do Brasil é terrível, e parece piorar a cada eleição. Mas, como disse no início desse artigo, os políticos não são todos iguais e os erros que eles cometem não são equivalentes.

Os inimigos da liberdade e da prosperidade procuram criar uma falsa equivalência entre todos os políticos. O objetivo é desanimar o eleitor e fazê-lo concluir que o voto é inútil, ou que os espertalhões têm o mesmo valor que os políticos sérios.

Mas, ainda que a política não deva ser o centro da vida de ninguém, e todas as promessas e ideias de políticos devam ser examinadas com ceticismo, a política continua sendo uma das ferramentas disponíveis para a proteção da liberdade e a promoção da prosperidade.

Os políticos não são todos iguais, e nossa decisão de voto precisa refletir isso.

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