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Domingo, no dia da eleição, um problema localizado de transporte de eleitores foi tratado com uma decisão monocrática – de um juiz que não está no TSE e que deveria se declarar impedido por ter sido advogado de um dos concorrentes – que semeou insegurança na eleição mais tensa da história.
Foi uma decisão incompreensível – e inexequível porque, quando a determinação foi divulgada, muitas seções já haviam encerrado a votação.
Às 19:00 começou a apuração. O resultado deu vitória ao PT, que conquista o seu sexto mandato presidencial desde 2003, e com isso o direito de indicar mais quatro ministros à Suprema Corte brasileira, mantendo a linha de ativismo judicial e intervencionismo completo nas outras instituições.
Domingo de manhã, no caminho até a minha seção eleitoral, minha família e eu fomos surpreendidos por um espetáculo estranho: muitas pessoas vestindo a camiseta verde e amarela, e até embrulhadas em bandeira brasileira, com o adesivo do PT ou do número 13 pregado na roupa.
Vermelho é a cor da esquerda desde sempre. É a cor do socialismo, acordo do sangue que corre nas revoluções que os marxistas dizem serem imprescindíveis para que os trabalhadores cheguem no paraíso comunista
O primeiro efeito disso foi confusão. Quando eu vi o primeiro grupo com camisas verde e amarelas, imaginei que se tratava de apoiadores Flávio Bolsonaro. Só quando eu cheguei perto é que vi o adesivo do PT.
Era praticamente impossível encontrar alguém com a tradicional camisa vermelha. Minha primeira reação de estranhamento foi substituída por um pensamento: será que essa súbita mudança de comportamento veio de uma ordem do general daquele exército do PT?
Foi criado um canal com 3,5 ou 7 milhões – dependendo da versão – de gente disposta a obedecer a qualquer comando. Eu imagino que um desses comandos deva ter sido esse: não vá de vermelho.
O resto do meu dia foi gasto tentando imaginar qual seria o objetivo dessa estratégia. Por que os apoiadores de um candidato e de uma ideologia se disfarçariam como apoiadores dos seus adversários? Isso é mais ou menos como se a direção de campanha do Flávio ordenar-se aos seus apoiadores que fossem votar vestidos de vermelho, com um adesivo do 22 por cima.
Vermelho é a cor da esquerda desde sempre. É a cor do socialismo, acordo do sangue que corre nas revoluções que os marxistas dizem serem imprescindíveis para que os trabalhadores cheguem no paraíso comunista.
É lógico que a maioria das pessoas que usam o vermelho não têm ideia disso.
Inúmeros eventos dignos de nota ocorreram nessa campanha eleitoral, uma campanha onde o partido dos trabalhadores – o partido que está no poder há 20 anos e que já elegeu o presidente em cinco mandatos presidenciais – teve liberdade para dizer, fazer e gastar o que quisesse, autorizado por instituições que deveriam fiscalizar e impor limites ao seu comportamento. Tudo o que o presidente Jair Bolsonaro não conseguiu fazer em sua campanha em 2022 foi franqueado ao PT em 2026.
Mas o mais emblemático de todos os acontecimentos pode ter sido esse: no último dia, o dia das eleições do segundo turno, o PT ordenou que seus militantes fossem às urnas vestindo a camisa do seu adversário, a camisa que o PT sempre chamou de símbolo de opressão, a camisa do Brasil.
No dia das eleições, o PT vestiu verde e amarelo.
Depois do anúncio do resultado, já voltaram ao vermelho.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Roberto Motta é pesquisador da área de segurança pública. É autor de 4 livros: “Ou Ficar A Pátria Livre”, “Jogando Para Ganhar: Teoria E Prática da Guerra Política”, “Os Inocentes do Leblon” e "A Construção da Maldade: Como Ocorreu a Destruição da Segurança Pública Brasileira". É graduado em engenharia e mestrado em gestão. Foi um dos fundadores do Partido Novo e é comentarista na Jovem Pan News. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



