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Mato Grosso e Bahia

Algodão e soja levam municípios ao topo da produção agrícola nacional

Algodão e soja impulsionam o valor da produção agrícola em municípios de Mato Grosso e da Bahia.
Algodão e soja impulsionam o valor da produção agrícola em municípios de Mato Grosso e da Bahia. (Foto: Willian Kanashiro/Governo de Mato Grosso)

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A cidade de Sapezal, em Mato Grosso, assumiu a liderança nacional em valor da produção agrícola, com um resultado impulsionado principalmente pelo cultivo de algodão e soja.

O município alcançou R$ 8,6 bilhões, superando São Desidério, na Bahia, que registrou R$ 8,22 bilhões, e Sorriso, também em Mato Grosso, com R$ 8,16 bilhões. Os dados integram a mais recente Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), referente a 2025 e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em agosto.

O algodão herbáceo respondeu pela maior parcela do valor da produção em Sapezal, com R$ 5,12 bilhões, o equivalente a quase 60% do total municipal. A cultura registrou alta de 42,8%, com produção de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas.

A soja ocupou a segunda posição entre as principais culturas do município, com R$ 2,80 bilhões em valor de produção, avanço de 51,4% em um ano.

Rentabilidade do algodão atrai interesse de novos produtores

A rentabilidade do algodão despertou o interesse de produtores de médio e pequeno porte em Sapezal. De acordo com o presidente do Sindicato Rural do município, Diego José Dal’Maso, esse movimento ganhou força a partir de 2018.

“Além das grandes famílias pioneiras e dos grupos que já plantavam muito algodão, produtores de médio e pequeno porte começaram a se interessar pela cultura justamente porque ela projeta uma rentabilidade maior", afirma ele. A perspectiva de retorno financeiro também sustenta a expectativa de crescimento da área plantada e da produção.

Dal’Maso destaca a receita bruta por hectare como um dos diferenciais do algodão em relação a outras culturas agrícolas. “A receita bruta por hectare do algodão consegue superar a da soja em um número bastante significativo. É mais que o dobro da receita bruta de uma lavoura de soja e muito mais que o dobro da receita de uma lavoura de milho", compara.

As cotações de referência do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) na última semana do mês de outubro mostram os preços das principais commodities agrícolas no estado. A soja foi cotada a R$ 132,97 por saca de 60 quilos, com queda de 0,75%. O milho registrou R$ 43,17 por saca de 60 quilos. No mercado do algodão, a pluma alcançou R$ 126,53 por arroba, enquanto o caroço foi cotado a R$ 710,49 por tonelada.

O presidente do Sindicato Rural ressalta que a cotação de referência não corresponde ao preço efetivamente recebido pelo produtor, já que o valor depende dos custos de escoamento da safra. “O preço de venda em Sapezal precisa descontar todo o custo do frete até o porto. Por isso, o produtor recebe menos”, pontua Dal’Maso.

Rodovia e agricultura marcam origem de Sapezal

A secretária de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, Mayran Beckman, cita o município de Sapezal como exemplo da expansão do agronegócio na região. "Os investimentos em tecnologia, inovação e modernização do campo ampliam a produtividade e permitem que Mato Grosso alcance novos patamares na produção agrícola", afirma.

Localizado a 520 quilômetros de Cuiabá, no oeste de Mato Grosso, Sapezal tem população estimada em 28 mil habitantes, segundo o IBGE. O município ocupa uma área de 13.614,552 quilômetros quadrados e integra uma das principais regiões brasileiras de produção de grãos e fibras.

A expansão agrícola ganhou força nas décadas de 1970 e 1980, com o avanço da fronteira produtiva mato-grossense. A abertura da rodovia MT-235 contribuiu para a formação do núcleo urbano no fim dos anos 1980 e, em 1994, Sapezal conquistou a emancipação de Campo Novo do Parecis e passou à condição de município.

Sapezal produziu cerca de 1,2 milhão de toneladas de algodão, que movimentaram R$ 5,12 bilhões em 2025.Sapezal produziu cerca de 1,2 milhão de toneladas de algodão, que movimentaram R$ 5,12 bilhões no último ano. (Foto: Christiano Antonucci/Governo de Mato Grosso)

São Desidério lidera produção de soja e projeta força agrícola da Bahia

O estado da Bahia também se destaca entre os principais polos agrícolas do país, com dois municípios entre os cinco maiores em valor de produção: São Desidério, na segunda colocação, com R$ 8,22 bilhões, e Formosa do Rio Preto, que alcançou R$ 5,89 bilhões.

As duas cidades ficam no oeste baiano, área que integra o Matopiba, fronteira agrícola formada por territórios da Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí. A região concentra grandes áreas de produção, com destaque para soja, milho e algodão.

São Desidério também ocupa posição de destaque na produção nacional de soja. Na edição de 2024 da Pesquisa Agrícola Municipal, registrou 2.092.944 toneladas da oleaginosa e ultrapassou Sorriso, que produziu 2.084.520 toneladas.

O secretário de Agricultura e Desenvolvimento Econômico de São Desidério, Filipe Gusmão Oliveira, atribui o desempenho agrícola à combinação de tecnologia e investimentos nas propriedades rurais. "A expectativa é manter esse nível de produção nas próximas safras. Os produtores da região investem em tecnologia, sementes de alto potencial produtivo, máquinas modernas e gestão profissional, fatores que contribuem diretamente para o aumento da produtividade", afirma.

Formosa do Rio Preto ficou na terceira posição nacional naquele levantamento, com 1.958.821 toneladas. A produção de soja movimentou aproximadamente R$ 3,7 bilhões em São Desidério em 2024.

A produção de soja em São Desidério chegou a 2,09 milhões de toneladas em 2024, à frente de Sorriso, com 2,08 milhões.A produção de soja em São Desidério chegou a 2,09 milhões de toneladas em 2024, à frente de Sorriso, com 2,08 milhões. (Foto: Marcos Vergueiro/Governo de Mato Grosso)

Mato Grosso reúne metade dos 20 maiores produtores

Apesar da liderança de São Desidério na produção de soja em 2024, Mato Grosso mantém a maior presença entre os principais municípios agrícolas do país. O estado reúne dez representantes entre os 20 maiores produtores nacionais em valor de produção.

A Bahia aparece com quatro municípios: São Desidério, Formosa do Rio Preto, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães. Goiás conta com três representantes, enquanto Piauí e Mato Grosso do Sul têm um município cada.

Em escala nacional, o valor da produção agrícola chegou a R$ 927,2 bilhões em 2025, o maior resultado da série apresentada pelo IBGE. O montante representa crescimento de 18,4% em comparação com o ano anterior do levantamento. O resultado de Sapezal e a presença de municípios baianos entre os primeiros colocados mostram o peso das culturas de algodão e soja na composição do valor agrícola brasileiro.

Sapezal (MT), São Desidério (BA) e Sorriso (MT) lideram o ranking nacional dos municípios com maior valor de produção agrícola.Sapezal (MT), São Desidério (BA) e Sorriso (MT) lideram o ranking nacional dos municípios com maior valor de produção agrícola. (Foto: Infográfico/IBGE)

Os 10 municípios com maior produção agrícola do Brasil

  1. Sapezal (MT) – R$ 8,6 bilhões
  2. São Desidério (BA) – R$ 8,2 bilhões
  3. Sorriso (MT) – R$ 8,2 bilhões
  4. Campo Novo do Parecis (MT) – R$ 7,9 bilhões
  5. Formosa do Rio Preto (BA) – R$ 5,9 bilhões
  6. Diamantino (MT) – R$ 5,8 bilhões
  7. Rio Verde (GO) – R$ 5,7 bilhões
  8. Cristalina (GO) – R$ 5,4 bilhões
  9. Nova Mutum (MT) – R$ 5,4 bilhões
  10. Jataí (GO) – R$ 4,8 bilhões

*Fonte: PAM/IBGE 2025

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