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Sílvio Ribas

Sílvio Ribas

Agenda da direita

Quem são os 10 senadores da linha de frente do impeachment de Moraes

Senadores da oposição ampliam pressão pelo impeachment de Alexandre de Moraes
Senadores da oposição ampliam pressão pelo impeachment de Alexandre de Moraes após relatório da PF. (Foto: Ton Molina/Agência Senado)

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Rogério Marinho (PL-RN), Bia Kicis (PL-DF) e Marcel van Hattem (Novo-RS) estão entre os 10 senadores da próxima legislatura mais focados na máxima prioridade de abrir processo de impeachment contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Para eles, a pauta é inegociável.

Alguns deles estão entre os 10 campeões nacionais das votações majoritárias de 2026, como Guilherme Derrite (PP-SP), com 13.273.880 votos; Carlos Jordy (PL-RJ), com 3.912.405 votos; e Van Hattem, com 3.449.053 votos. Ainda figuram na lista dos mais votados proporcionalmente em seus respectivos estados: Carol de Toni (PL-SC), com 33,46%; e Derrite, com 30,59%.

O grupo – que inclui também Evair de Melo (Republicanos-ES), Magno Malta (PL-ES), Márcio Bittar (PL-AC) e Gustavo Gayer (PL-GO) – entende que o sucesso dessa missão requer tirar Davi Alcolumbre (União-AP) da Presidência do Senado.

Os 10 senadores listados pela coluna têm em comum o fato de dedicarem mais tempo e iniciativas ao enfrentamento dos abusos do Judiciário, nos mandatos parlamentares ou campanhas eleitorais, sendo até alvo de ações da Justiça por essa postura.

A eleição para Mesa do Senado, no primeiro dia de fevereiro de 2027, será o capítulo final da tensa disputa eleitoral de 2026 entre esquerda e direita. O comando da Casa definirá se a excepcional força parlamentar conquistada pelo PL se converterá em limites ao ativismo judicial ou sucumbirá a acordos espúrios.

Defensores do impeachment de Moraes mantêm a atenção de eleitores

Pressionado pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apoia a recondução de Alcolumbre ao cargo, Marinho evitou explicitar o impeachment de Moraes como bandeira da sua candidatura ao comando do Senado. Mas prometeu não ser omisso e zelar pela ordem constitucional.

Nas redes sociais, os 10 políticos de direita mais engajados no impeachment de Moraes investem na mobilização do público com essa pauta mesmo depois das eleições, denunciando censuras e perseguições judiciais e ações da aliança entre STF, Lula e cúpula do Legislativo para manutenção do poder.

Os defensores do impeachment veem o afastamento de Moraes como passo inicial do reequilíbrio entre Poderes, com efeitos didáticos e restauradores das funções do Legislativo. A ONG Ranking dos Políticos estima 54 senadores favoráveis à destituição de ministros do STF em 2027, dois terços do total.

Além dos representantes da família Bolsonaro, Michelle (PL-DF) e Carlos (PL-SC), a linha de frente do impeachment de Moraes tem a retaguarda de Carlos Portinho (PL-RJ), Sanderson (PL-RJ), Damares Alves (Republicanos-DF), Plínio Valério (PSDB-AM) e Deltan Dallagnol (Novo-PR).

Marcos Pontes (PL-SP) condicionou o seu voto em Marinho para presidir o Senado à promessa de pautar imediatamente o impeachment de Moraes.

Avanço da direita no Senado ainda não garante o impeachment de Moraes

Entre as 54 vagas preenchidas no último pleito de outubro, pelo menos 37 dos novos senadores eleitos ou reeleitos já manifestaram apoio público ao mecanismo institucional de afastamento. O avanço fortalece a agenda da oposição apoiada por milhões de eleitores, mas o seu desfecho é incerto.

O balanço atualizado de representações no Senado mostra que os ministros do STF já acumulam mais de 100 pedidos de impeachment protocolados. O grande destaque do levantamento é Moraes, que se firmou isoladamente como principal alvo, somando mais da metade (66) de todas as petições.

O volume expressivo de denúncias por crime de responsabilidade contra Moraes, apresentado tanto por parlamentares quanto por cidadãos, reflete o peso do magistrado no embate político entre o espectro conservador e o Judiciário, agravado desde a abertura do Inquérito das Fake News, em 2019.

Analistas preveem embate da voz das ruas com as práticas da velha política

Adriano Cerqueira, professor de Ciências Políticas do Ibmec-BH, avalia que os novos senadores terão papel relevante na próxima legislatura, tanto pelo número expressivo quanto pelo engajamento. A influência deles na rotina do Senado, porém, dependerá do vencedor da disputa para comandar a Casa.

A eleição da Mesa Diretora será decisiva para definir em que medida a força numérica da oposição se traduzirá em influência sobre a pauta e capacidade de aprovar suas propostas. “O Congresso se tornou trincheira da oposição, o que exige estratégia para permitir que algo diferente possa ser feito”, diz.

Marcus Deois, diretor da consultoria política Ética, ressalta que o Senado terá papel determinante em indicações de Lula para agências reguladoras e o STF. Esse poder exigirá negociação do governo. “Em certas circunstâncias, negociar é politicamente mais produtivo do que confrontar”, adverte.

Confira a lista dos 10 senadores da linha de frente do impeachment de Moraes:

  • Rogério Marinho (PL-RN);
  • Bia Kicis (PL-DF);
  • Marcel van Hattem (Novo-RS);
  • Guilherme Derrite (PP-SP);
  • Magno Malta (PL-ES);
  • Evair de Melo (Republicanos-ES);
  • Carlos Jordy (PL-RJ);
  • Gustavo Gayer (PL-GO);
  • Carol de Toni (PL-SC);
  • Márcio Bittar (PL-AC).

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