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Até 99,99%

13 empresas brasileiras que derreteram na Bolsa nos últimos três anos

Empresas brasileiras que mais desvalorizaram na Bolsa de Valores
De janeiro de 2023 para cá, grandes empresas de setores diversos tiveram desvalorização de até 99% em suas ações negociadas na B3 (Foto: Dall-E/Gazeta do Povo)

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A decretação da falência da Oi e os pedidos de recuperação judicial da Casas Bahia e extrajudicial da Braskem, ocorridos neste mês, são apenas os casos mais recentes de empresas brasileiras que foram gigantes em seus setores, mas passaram a enfrentar graves crises financeiras nos últimos anos.

Embora cada uma tenha razões particulares para chegar à situação trágica, em comum todas acumulam alto endividamento em um ambiente econômico de juros elevados, dificultando a rolagem de dívidas, a captação de novos recursos ou o financiamento de prejuízos.

Nesse grupo estão também várias outras empresas de ramos diversos, como Ambipar, Americanas, Azul, Gafisa, Gol, Infracommerce, Marisa, PDG, Raízen, Viveo e Sequoia Logística, cujo valor das ações negociadas na B3 recuou mais de 80% de janeiro de 2023 para cá – em alguns casos as perdas superam os 99%.

Para várias das companhias, a sobrevivência exigiu recuperações judiciais, renegociação com credores e grandes aumentos de capital, processos que, em muitos casos, preservaram a empresa, mas destruíram o valor para antigos acionistas.

Veja a seguir a lista das 13 empresas que mais perderam valor de janeiro de 2023 até agora:

1. Sequoia Logística

Ação: SEQL3
Preço Inicial: R$ 586
Preço final: R$ 0,07
Variação: -99,99%

A crise da companhia refletiu o peso de uma expansão acelerada e de operações deficitárias, especialmente no comércio eletrônico. A empresa passou por recuperação judicial e promoveu uma profunda reorganização, incluindo a saída do segmento B2C. Em 2026, os resultados passaram a mostrar melhora operacional e geração de caixa, mas o valor de mercado ainda carrega o legado da quase destruição do investimento dos antigos acionistas.

2. Gafisa

Ação: GFSA3
Preço Inicial: R$ 283,20
Preço final: R$ 0,22
Variação: -99,92%

A incorporadora atravessou os últimos anos em meio a sucessivas mudanças de estratégia, disputas societárias e dificuldades para transformar seu portfólio imobiliário em resultados consistentes. A forte diluição dos acionistas e o grupamento de ações também marcaram o período. Hoje, a empresa segue listada, tentando reorganizar suas operações e retomar o crescimento.

3. Azul

Ação: AZUL4/AZUL3
Preço Inicial: R$ 20.600
Preço final: R$ 19,05
Variação: -99,91%

O alto endividamento, agravado pela herança da pandemia e pelo custo financeiro em dólar, tornou a estrutura de capital da companhia insustentável. A reorganização financeira envolveu conversões e uma profunda reestruturação societária, que diluiu drasticamente os antigos acionistas. A Azul continua operando sua malha aérea, mas a sobrevivência do negócio veio acompanhada de uma destruição quase total do valor das ações originais.

4. Gol

Ação: GOLL4/GOLL54
Preço Inicial: R$ 6,88
Preço final: R$ 0,01
Variação: -99,85%

A aérea entrou em recuperação judicial nos Estados Unidos em 2024, depois de anos acumulando dívida e enfrentando forte pressão financeira. A reestruturação permitiu a continuidade das operações, mas transferiu grande parte do valor econômico para credores e novos investidores, deixando os antigos acionistas praticamente sem participação relevante. O desfecho foi a saída das ações da Bolsa após uma queda superior a 99%.

5. Americanas

Ação: AMER3
Preço Inicial: R$ 903
Preço final: R$ 4,92
Variação: -99,46%

A derrocada começou com a revelação, em janeiro de 2023, de inconsistências contábeis bilionárias que desencadearam uma recuperação judicial e uma das maiores perdas de valor da história recente da Bolsa. A companhia sobreviveu graças a uma ampla reestruturação financeira e à capitalização conduzida pelos acionistas de referência. Ainda assim, o negócio continua em recuperação, com o mercado tratando a ação como um ativo de risco elevado.

6. Casas Bahia

Ação: VIIA3/BHIA3
Preço Inicial: R$ 57,75
Preço final: R$ 0,34
Variação: -99,41%

A varejista foi atingida pela combinação de juros elevados, forte endividamento e dificuldades para gerar caixa em um ambiente de consumo mais fraco. Depois de sucessivas reestruturações financeiras e uma enorme desvalorização em Bolsa, a empresa voltou a enfrentar uma crise aguda em 2026, com um pedido de recuperação judicial para renegociar parte de uma dívida de cerca de R$ 28 bilhões.

7. Ambipar

Ação: AMBP3
Preço Inicial: R$ 20,34
Preço final: R$ 0,16
Variação: -99,21%

A empresa cresceu rapidamente por meio de aquisições e chegou a ser uma das companhias brasileiras mais valorizadas do mercado. A expansão agressiva, porém, elevou a preocupação com endividamento, governança e estrutura financeira, provocando uma violenta reprecificação das ações. A companhia continua operando, mas a confiança do mercado foi profundamente abalada e o papel passou a negociar em níveis muito inferiores aos observados no início de 2023.

8. Infracommerce

Ação: IFCM3
Preço Inicial: R$ 62,80
Preço final: R$ 1,78
Variação: -97,17%

A empresa de soluções para comércio eletrônico cresceu em ritmo acelerado durante o boom digital, mas enfrentou dificuldades quando o mercado passou a exigir rentabilidade e geração de caixa. O alto consumo de recursos e a necessidade de reestruturar operações derrubaram a confiança dos investidores. A companhia segue tentando ajustar custos e buscar um modelo mais sustentável, depois de uma perda de valor que se aproximou da destruição quase total do investimento inicial.

9. Viveo

Ação: VVEO3
Preço Inicial: R$ 15,80
Preço final: R$ 0,72
Variação: -95,44%

A distribuidora de produtos para a área de saúde sofreu com o aumento das despesas financeiras, pressão sobre margens e dificuldades para digerir uma estratégia de crescimento baseada em aquisições. O elevado endividamento tornou-se um dos principais focos de preocupação do mercado. A empresa continua em operação e busca reduzir a alavancagem e recuperar a rentabilidade, mas suas ações permanecem muito abaixo dos níveis de 2023.

10. Oi

Ação: OIBR3
Preço Inicial: R$ 1,70
Preço final: R$ 0,10
Variação: -94,12%

A companhia já iniciou 2023 fragilizada depois de anos de endividamento e de uma primeira recuperação judicial. A segunda tentativa de reestruturação incluiu novas vendas de ativos, mas não foi suficiente para resolver sua crise financeira. Nesta semana, a Justiça manteve a conversão da recuperação judicial em falência, enquanto os serviços essenciais seguem em operação durante a transição.

11. Raízen

Ação: RAIZ4
Preço Inicial: R$ 3,54
Preço final: R$ 0,23
Variação: -93,50%

A companhia foi pressionada pela elevada dívida, por investimentos pesados e por resultados operacionais aquém das expectativas em alguns de seus principais negócios. A deterioração financeira levou a uma ampla reestruturação, que incluiu negociações com credores e um plano de recuperação extrajudicial, homologado em 2026. A empresa segue operando, mas a recuperação da confiança dos acionistas dependerá da execução do plano e da redução da alavancagem.

12. PDG Realty

Ação: PDGR3
Preço Inicial: R$ 15
Preço final: R$ 1,30
Variação: -91,33%

Símbolo da crise das incorporadoras da década passada, a PDG já chegou a entrar em recuperação judicial antes do período analisado. Desde então, sua história em Bolsa tem sido marcada por reestruturações, venda de ativos e tentativas de reorganizar um negócio drasticamente menor. A empresa permanece listada, mas a cotação extremamente baixa reflete tanto o histórico de dificuldades quanto a enorme diluição acumulada pelos acionistas.

13. Marisa

Ação: AMAR3
Preço Inicial: R$ 6,25
Preço final: R$ 0,71
Variação: -88,64%

A varejista enfrentou queda nas vendas, margens pressionadas e uma pesada estrutura de dívida, entrando em recuperação judicial em 2023. A reestruturação financeira permitiu que a companhia continuasse operando e buscasse recuperar o negócio, mas a forte diluição e a perda de confiança deixaram marcas profundas no valor de mercado. A Marisa segue com sua rede de lojas em funcionamento e tenta reconstruir a operação após a crise.

Tabela: ações de empresas que “derreteram” na B3 desde 2023

EmpresaAçãoPreço inicial*Preço final**Variação***
Sequoia LogísticaSEQL3R$ 586,001R$ 0,07-99,99%
GafisaGFSA3R$ 283,202R$ 0,22-99,92%
AzulAZUL4/AZUL3R$ 20.600,003R$ 19,05-99,91%
GolGOLL4/GOLL54R$ 6,884R$ 0,01-99,85%
AmericanasAMER3R$ 903,005R$ 4,92-99,46%
Casas BahiaVIIA3/BHIA3R$ 57,756R$ 0,34-99,41%
AmbiparAMBP3R$ 20,34R$ 0,16-99,21%
InfracommerceIFCM3R$ 62,807R$ 1,78-97,17%
ViveoVVEO3R$ 15,80R$ 0,72-95,44%
OiOIBR3R$ 1,708R$ 0,10-94,12%
RaízenRAIZ4R$ 3,54R$ 0,23-93,50%
PDG RealtyPDGR3R$ 15,009R$ 1,30-91,33%
MarisaAMAR3R$ 6,2510R$ 0,71-88,64%

Fonte: B3

* Os preços iniciais referem-se ao valor correspondente de cada ação no fechamento do pregão de 2/1/2023 (primeiro dia útil do ano) ajustado retroativamente por eventos societários ocorridos desde então, de modo a refletir a variação real para o acionista (ver 'notas metodológicas').

** Os preços finais referem-se ao valor das ações no fechamento do pregão de 27/08/2026, com exceção da Oi, para a qual foi utilizado o fechamento de 24/08/2026, quando foram suspensas as negociações por falência; e da Gol, para a qual foi utilizado o fechamento de 27/03/2026, quando a empresa saiu da B3.

*** Role a tabela para o lado para visualizar as colunas preço final e variação.

Notas metodológicas

  1. SEQL3: o papel passou por dois grupamentos, de 20 ações para 1 e, posteriormente, de 10 para 1. O efeito acumulado foi de 200 ações antigas para uma ação na estrutura atual.
  2. GFSA3: o preço de 2023 foi ajustado pelo grupamento de 20 ações para uma.
  3. AZUL4/AZUL3: as ações preferenciais foram convertidas em ordinárias e, depois, as ações resultantes passaram por grupamento. Pela cadeia de eventos utilizada, 2 mil títulos AZUL4 de 2023 equivalem a um AZUL3 após a reorganização.
  4. GOLL4/GOLL54: o ticker GOLL54 substituiu o antigo GOLL4 após processos de reestruturação da empresa. Foi utilizado o valor do último fechamento de GOLL54 antes da saída da empresa da B3, em 27 de março de 2026.
  5. AMER3: o valor de janeiro de 2023 foi ajustado pelo grupamento de 100 ações para uma realizado posteriormente.
  6. VIIA3/BHIA3: além da mudança de ticker, a companhia realizou um grupamento de 25 ações para uma, exigindo o ajuste do preço inicial.
  7. IFCM3: o preço inicial foi ajustado pelo grupamento de 20 ações para uma.
  8. OIBR3: o preço inicial foi ajustado pelo grupamento de 10 ações para uma. Foi utilizado o valor do último fechamento antes da suspensão das negociações, em 24 de agosto de 2026. O percentual não representa necessariamente o valor final que eventualmente poderá ser recuperado pelos acionistas no processo de liquidação.
  9. PDGR3: o valor de janeiro de 2023 foi ajustado pelo grupamento de 125 ações para uma.
  10. AMAR3: o preço inicial foi ajustado pelo grupamento de cinco ações para uma.

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