
O senador Flávio Bolsonaro (PL) planeja uma mudança profunda na política fundiária do Brasil caso vença a eleição presidencial. Seu plano foca na entrega definitiva de títulos de propriedade para famílias da reforma agrária, resgatando a estratégia do governo anterior. A medida visa dar autonomia jurídica aos agricultores e reduzir a dependência política de movimentos sociais no campo.
Qual é a principal diferença entre a proposta de Flávio Bolsonaro e a gestão atual?
A proposta de Flávio Bolsonaro prioriza a titulação definitiva, transformando o assentado em proprietário real do lote. No Título de Domínio (TD), o agricultor ganha a escritura da terra e pode usá-la como garantia para empréstimos bancários. Já o governo Lula foca na criação de novos assentamentos sob o regime de Concessão de Direito Real de Uso (CDRU). Nesse modelo atual, a família tem o direito de morar e produzir, mas a terra continua pertencendo ao Estado, o que especialistas apontam como um fator que mantém a dependência política e limita o crescimento produtivo.
Como a entrega de títulos pode afetar a atuação de movimentos como o MST?
Especialistas indicam que a entrega de títulos definitivos diminui o poder de influência de movimentos sociais como o MST. Quando o agricultor recebe a escritura da sua terra, ele conquista independência e deixa de ser visto como 'massa de manobra'. Relatos de produtores rurais reforçam que a posse definitiva funciona como o fim de um 'cabresto', permitindo que as famílias decidam o futuro de suas comunidades sem a pressão de lideranças ideológicas. Além disso, dados mostram que períodos de maior titulação coincidem com a redução drástica no número de invasões de propriedades rurais.
Por que a titulação é considerada um passo fundamental para reduzir a pobreza no campo?
A falta de propriedade formal cria 'bolsões de pobreza' nos assentamentos, pois sem o título, o agricultor não consegue crédito agrícola para investir em tecnologia. Pesquisas do Ipea mostram que o Brasil já possui área suficiente em assentamentos, mas a baixa produtividade persiste pela falta de emancipação dos produtores. Ao titular a terra, o governo permite que o agricultor se torne livre para empreender. Contudo, economistas alertam que o papel não basta: o processo deve vir acompanhado de assistência técnica, seguro rural e cooperativas fortes para que o pequeno produtor prospere.
Existem riscos de venda desenfreada de terras após a entrega dos títulos?
Essa é uma das principais críticas feitas por movimentos sociais, que alegam que a titulação privada poderia levar à venda rápida dos lotes para grandes latifundiários e ao fim da reforma agrária. No entanto, a legislação brasileira (Lei 13.465/2017) impõe regras rígidas para evitar a concentração de terras. Existem restrições temporais e condições específicas para a venda de imóveis titulados pelo Incra. O objetivo da lei é garantir que a terra cumpra sua função social, assegurando que o pequeno produtor permaneça nela de forma produtiva, agora com a segurança jurídica de dono.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





