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Antes do 2º turno

Primeiro bloco do debate é marcado por disputa econômica e ataques entre Lula e Flávio

Lula e Flávio debate da Globo TV
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) treinaram para o debate da TV Globo (Foto: EFE / Andre Coelho)

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O primeiro bloco do debate da TV Globo entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado nesta sexta-feira (23), foi marcado por críticas à condução da economia, ao custo de vida e ao poder de compra. Os candidatos também disputaram o legado de seus grupos políticos em temas como infraestrutura, agronegócio e valorização do salário mínimo.

Flávio abriu o confronto questionando a capacidade de Lula de concluir obras de infraestrutura. O senador citou levantamentos sobre empreendimentos paralisados e perguntou como o presidente conseguiria entregar os projetos se não o fez ao longo de quatro anos de mandato.

Lula rebateu, citou investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e enumerou obras em andamento. Na réplica, o petista comparou o adversário a estudantes que decoram o conteúdo para uma prova, mas não aprendem de fato.

O embate sobre a economia ganhou força quando Flávio questionou o poder de compra dos brasileiros. “Hoje é dia 23 de outubro, o mês ainda não acabou. O seu salário já acabou?”, perguntou o senador, ao criticar os preços dos alimentos, os impostos e os gastos públicos.

Lula defendeu a política de valorização do salário mínimo dos governos petistas e questionou o adversário sobre a possibilidade de reajustar os benefícios acima da inflação. Os candidatos também divergiram sobre o agronegócio.

Ao questionar Lula sobre o setor, Flávio criticou as condições de financiamento rural e a condução do Plano Safra. O petista, por sua vez, defendeu os recursos destinados ao agronegócio e atacou a postura do adversário em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Quando meu adversário ficou lambendo as botas do Trump para taxar o Brasil, não fiquei preocupado”, afirmou Lula, ao defender a abertura de novos mercados para os produtos brasileiros.

Na discussão sobre salários e aposentadorias, Lula comparou as propostas de Flávio às medidas adotadas pelo presidente argentino Javier Milei. O senador afirmou que pretende reajustar o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação e acusou o governo petista de elevar os gastos públicos.

Saneamento e segurança pública marcam embate sobre Norte e Nordeste

Ainda no primeiro bloco, Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre o saneamento básico e afirmou que o PT votou contra o marco legal do setor no Congresso. Entre outros pontos, o senador citou a falta de água tratada e de coleta de esgoto e prometeu retomar a meta de universalização dos serviços até 2033.

Já o presidente Lula mencionou investimentos em saúde, estradas, portos e aeroportos e criticou a atuação ambiental do governo de Jair Bolsonaro. No debate sobre o Nordeste, Lula questionou o que Flávio pretende fazer pela região .

Flávio respondeu que pretende atuar em parceria com governadores, inclusive os que não integram sua base política, e colocou a segurança pública entre as prioridades. O senador acusou governos estaduais nordestinos ligados ao PT de permitir o avanço do crime organizado.

“Eu vou governar para o Nordeste, vou governar inclusive em parceria com os governadores que não são aliados meus políticos. Lula, os estados do Nordeste são administrados pelo PT e pelos seus parceiros. São os mais violentos do Brasil. Você deixou o Comando Vermelho se proliferar pelo Nordeste junto com os governadores que são seus apoiadores", respondeu Flávio.

Candidatos acirraram confronto no segundo bloco

Depois de um primeiro bloco concentrado em economia, custo de vida e infraestrutura, Lula e Flávio Bolsonaro levaram o confronto para as políticas sociais. A discussão começou com a licença-maternidade e avançou para o Bolsa Família, a população em situação de rua e a violência contra mulheres.

O principal embate nessa rodada foi em torno da expressão “nove dedos”, usada pelo senador para se referir ao presidente. Lula reagiu à provocação, cobrou um pedido de desculpas e afirmou que a fala desrespeitava os trabalhadores que sofreram acidentes de trabalho.

O confronto começou quando Lula questionou o voto de Flávio contra o aumento da licença-maternidade, durante o período em que o senador era deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio reconheceu que mudou de opinião sobre o tema.

“Eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que eu tenho duas filhas, mais do que nunca eu sei da importância da mãe estar perto do filho por até mais de 180 dias, se possível”, afirmou o candidato do PL.

SUS domina debate sobre saúde pública

Na discussão sobre saúde pública, Lula e Flávio Bolsonaro voltaram a trocar acusações sobre a gestão da pandemia de Covid-19 e o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

O senador defendeu um corte de gastos que chamou de “tesouraço” na corrupção, na burocracia e nos impostos, enquanto o presidente criticou a atuação do governo de Jair Bolsonaro durante a crise sanitária. Flávio afirmou que o SUS enfrenta problemas de gestão e falta de medicamentos, além de longas filas para consultas e atendimentos especializados.

 “Você chega num hospital e é fila pra tudo”, disse. O senador também questionou o tempo de espera para o atendimento de crianças com deficiência e afirmou que os recursos destinados à saúde são "mal aplicados".

Lula rebateu as críticas e defendeu o papel do SUS durante a pandemia. O presidente responsabilizou o governo Bolsonaro pelas mortes por Covid-19 e afirmou que a atuação do sistema público de saúde evitou que o número de vítimas fosse ainda maior.

“O SUS é o responsável por evitar que morresse mais gente da Covid depois da responsabilidade do governo do pai dele”, declarou Lula. O presidente também criticou a postura de Jair Bolsonaro diante da vacinação e disse que o então presidente deveria ter formado um gabinete de crise com especialistas para enfrentar a pandemia.

Flávio acusa Lula de agravar endividamento das famílias e critica promessas eleitorais

O endividamento dos brasileiros foi o tema escolhido por Flávio Bolsonaro para abrir o terceiro bloco do debate. O senador acusou o presidente Lula de agravar a situação financeira das famílias com os gastos públicos e os juros elevados.

“O brasileiro antes parcelava um fogão, parcelava um micro-ondas, parcelava a geladeira, agora parcela o que tem dentro da geladeira”, afirmou o senador, ao questionar a perda do poder de compra e o aumento do endividamento das famílias.

Por outro lado, o petista defendeu os programas de renegociação de dívidas de seu governo e afirmou que pretende ampliar as medidas em um eventual novo mandato. "Nós fizemos dois Desenrolas. No primeiro, atendemos 15 milhões de pessoas. No segundo, atendemos quase 16 milhões de pessoas", defendeu o petista. 

Ao rebater, o candidato do PL também acusou Lula de gastar mais de R$ 405 bilhões para tentar a reeleição e de fazer promessas que, segundo ele, não serão cumpridas. “Você prometeu picanha e não entregou a picanha. Você prometeu devolver o poder de compra para o brasileiro e não entregou, está entregando dívida”, declarou.

Ainda nesse bloco, Lula associou o endividamento das famílias às apostas on-line e defendeu o combate às chamadas bets. “Nós acabamos com as bets porque elas estão virando um inferno na vida das pessoas”, afirmou, ao argumentar que as apostas comprometem recursos que poderiam ser usados para sustentar as famílias.

Quem acompanha Lula e Flávio no debate da Globo

No estúdio

  • Flávio Bolsonaro (PL): Fernanda Bolsonaro, mulher do candidato; Daniella Marques, assessora econômica da campanha; e Carlos Bolsonaro (PL-SC), irmão do senador e senador eleito por Santa Catarina.
  • Lula (PT): Janja Lula da Silva, primeira-dama; Camilo Santana (PT-CE), senador; e Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social.

Na plateia

  • Aliados de Lula: Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente e candidato a vice na chapa; Edinho Silva, presidente nacional do PT; Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência; Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil e senador eleito; e Anielle Franco, ex-ministra da Igualdade Racial e deputada federal eleita.
  • Aliados de Flávio: Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo; Sérgio Moro (PL-PR), senador eleito; Jorginho Mello (PL), governador de Santa Catarina; Douglas Ruas (PL), governador eleito do Rio de Janeiro; e Luciano Zucco (PL), governador eleito do Rio Grande do Sul. Também estavam Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha, e Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa.

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