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Até 2030

Governo admite que terá de rever R$ 53,7 bi em despesas para cumprir limite fiscal

Projeto do orçamento de 2027 traz projeção e alerta para dificuldade em cumprir investimento mínimo na saúde.
Projeto do orçamento de 2027 traz projeção e alerta para dificuldade em cumprir investimento mínimo na saúde. (Foto: Washington Costa/MF)

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O governo federal afirmou ao Congresso Nacional que será necessário rever gastos a partir de 2028 para manter as políticas vigentes dentro do limite fiscal. A projeção consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2027.

De acordo com o documento, o governo projeta uma necessidade de revisão de R$ 53,7 bilhões em despesas entre 2028 e 2030 para que o orçamento se mantenha dentro dos limites de despesas primárias do arcabouço fiscal. Os valores estariam distribuídos da seguinte forma ao longo dos anos:

  • 2028: R$ 15,8 bilhões;
  • 2029: R$ 14,9 bilhões;
  • 2030: R$ 23 bilhões.

O detalhamento ajuda a entender a dimensão da projeção. Em 2028, por exemplo, seriam necessários R$ 224,2 bilhões para manter as políticas vigentes, mas o espaço fiscal disponível é calculado em R$ 208,4 bilhões.

Mesmo assim, o documento afirma que a necessidade de revisão permanece “contida e estável”, representando menos de 1% do limite de gastos em cada ano. Segundo o governo, esse cenário já reflete maior controle das despesas obrigatórias, cujo crescimento passa a convergir para o ritmo de expansão do próprio limite fiscal.

Outra ressalva, porém, caminha no sentido oposto: os valores utilizados nos cálculos não consideraram uma necessidade de reforço estimada em R$ 9,9 bilhões entre 2028 e 2029 para garantir o mínimo de investimento em saúde exigido pela Constituição. A situação só se reverteria em 2030, com uma folga de R$ 4,3 bilhões em relação ao investimento mínimo. Já a educação, nesse cenário, atenderia à exigência da Constituição com folga em todos os anos apurados.

Cenário geral

O documento calcula os limites gerais de gastos para os próximos anos:

  • 2027 (previsto na PLOA): R$ 2,6 trilhões;
  • 2028: R$ 2,7 trilhões;
  • 2029: R$ 2,9 trilhões;
  • 2030: R$ 3 trilhões.

No panorama geral, o PLOA de 2027 prevê um orçamento de R$ 7,45 trilhões, considerando despesas primárias, financeiras e o orçamento de investimento das empresas estatais. Desse total, R$ 3,82 trilhões correspondem a despesas financeiras, categoria que inclui gastos relacionados à dívida pública, enquanto R$ 3,42 trilhões são despesas primárias.

As despesas obrigatórias somam cerca de R$ 2,5 trilhões, deixando uma parcela bem menor do orçamento primário sob maior controle do governo. O PLOA prevê ainda R$ 133,8 bilhões em investimentos.

Já as emendas parlamentares de execução obrigatória previstas na proposta somam R$ 44,8 bilhões, sendo R$ 28,5 bilhões em emendas individuais e R$ 16,3 bilhões em emendas de bancadas estaduais.

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