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O Partido dos Trabalhadores (PT) aposta em antigos líderes petistas e em jovens políticos para concorrer ao cargo de deputado federal nos maiores colégios eleitorais do país. A disputa pela Câmara dos Deputados no próximo domingo (4) marcará o retorno às urnas de aliados históricos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como Zé Dirceu, João Paulo Cunha e Delúbio Soares.
Além disso, o PT terá o reforço do carioca Marcelo Freixo, que retornou ao partido em 2023, após 20 anos. O candidato é considerado um dos principais nomes petistas para a disputa com expectativa de até mesmo “puxar votos” para a eleição de outros petistas na corrida pela Câmara dos Deputados no Rio de Janeiro.
Confira a lista dos principais candidatos a deputado federal do PT no país
Zé Dirceu (SP)
O ex-deputado federal José Dirceu, condenado pelos escândalos do mensalão e da Lava Jato, volta a disputar as eleições por uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo estado de São Paulo. Ele foi chefe da Casa Civil no primeiro mandato presidencial de Lula e teve o mandato cassado no final de 2005 após as revelações sobre a suspeita da compra de apoio político na base parlamentar do governo petista.
Em 2013, Dirceu foi condenado a 7 anos e 11 meses e cumpriu pena em regime fechado na Papuda, em Brasília, por quase um ano antes de ser beneficiado pela prisão domiciliar. Ele voltou a ser preso em 2015 durante a operação Lava Jato e acabou condenado a mais de 30 anos pelo envolvimento nos desvios da Petrobras. Em 2024, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes anulou todos os atos processuais contra Dirceu referentes à operação Lava Jato.
Dirceu foi exilado político durante a ditadura militar, período no qual trabalhou e estudou em Cuba. Em 1975, segundo o site “Memórias da Ditadura”, retornou ao Brasil e viveu clandestinamente no interior do Paraná até a entrada em vigor da Lei da Anistia. No retorno a São Paulo, ele foi um dos fundadores do PT, no início da década de 1980.
Marcelo Freixo (RJ)
No Rio de Janeiro, o PT aposta no capital político do ex-deputado federal Marcelo Freixo como “puxador de votos” para as eleições à Câmara dos Deputados deste ano. Em 2018, quando era filiado ao PSOL, Freixo foi o segundo candidato mais votado, alcançando uma votação superior a 342 mil votos. Quatro anos depois, ele foi candidato ao governo do estado do Rio pelo PSB e recebeu 2,3 milhões de votos no primeiro turno, o equivalente a 27,38% dos votos válidos. O ex-governador Cláudio Castro (PL) foi reeleito na ocasião.
Além do recall nas urnas, Freixo é considerado um dos principais nomes da esquerda no debate sobre a segurança pública no país. O tema é apontado como um dos mais relevantes entre as preocupações dos eleitores brasileiros. Como deputado estadual fluminense, Freixo foi presidente da “CPI das Milícias”, em 2008, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Durante o atual mandato de Lula, o candidato ocupou o cargo de presidente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur).
Rui Falcão (SP)
O deputado federal Rui Falcão foi o petista mais votado nas eleições à Câmara dos Deputados, em 2022, no estado de São Paulo, com votação superior a 193 mil votos no maior colégio eleitoral do país. Jornalista e advogado, Falcão também é fundador do PT e chegou a presidir o partido nacionalmente por dois mandatos. Ele foi secretário de Governo da prefeitura paulistana durante a gestão petista de Marta Suplicy.
João Paulo Cunha (SP)
Condenado pelo mensalão, o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha também voltará às urnas no próximo domingo em busca de uma cadeira na Casa que comandou entre 2003 e 2005. Cunha foi beneficiado com o perdão da pena pelo STF, em 2016, com base em um indulto de Natal concedido pela ex-presidente Dilma Rousseff. Durante o período longe das eleições, o petista manteve a influência partidária como advogado e recebeu o apoio público de Lula para disputar o pleito deste ano.
Lindbergh (RJ)
Vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias disputa a reeleição pelo estado do Rio. Ele surgiu no cenário político em 1992, quando era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e se tornou um dos principais líderes do movimento "caras-pintadas". Os protestos da juventude brasileira pressionaram o Congresso Nacional durante a crise política, que culminou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Lindbergh é namorado da candidata petista ao Senado pelo Paraná, Gleisi Hoffmann.
Delúbio (GO)
O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares também irá disputar as eleições deste ano por uma cadeira na Câmara dos Deputados. Pivô do escândalo do mensalão ao lado do operador Marcos Valério, Delúbio é candidato a deputado federal pelo estado de Goiás. Ele foi condenado a seis anos e oito meses pelo mensalão, cumpriu 10 meses no regime semiaberto e foi beneficiado pela prisão domiciliar em 2014. Dois anos depois, o STF concedeu o perdão da pena ao ex-tesoureiro petista.
Zeca Dirceu (PR)
Filho de José Dirceu, o deputado federal Zeca Dirceu tenta se reeleger para o quinto mandato pelo estado do Paraná. Antes disso, ele foi prefeito da cidade de Cruzeiro do Oeste (PR) por dois mandatos. Nos últimos anos, o deputado se lançou como pré-candidato a prefeito de Curitiba, chegou a se colocar como pré-candidato ao Senado e foi derrotado na eleição petista pela presidência do partido no Paraná.
Renato Freitas (PR)
Com longo histórico de denúncias no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o deputado estadual Renato Freitas concorre ao cargo de deputado federal nas eleições deste ano. O petista alega perseguição política por parte dos parlamentares devido à postura combativa e por ter revelado o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), em que o ex-presidente da Casa Ademar Traiano (PSD) confessou ter recebido propina. Um dos últimos processos por quebra de decoro parlamentar respondidos por Freitas trata de uma briga de rua em que o deputado estadual trocou agressões com um manobrista no centro de Curitiba.
Pedro Rousseff (MG)
Sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff, Pedro foi eleito o vereador mais votado da história do partido em Minas Gerais nas eleições de 2024, quando recebeu 17,5 mil votos no pleito em Belo Horizonte. Nas eleições de 2022, ele participou da coordenação da campanha de Lula no estado. Pedro Rousseff relata que despertou para a política com 16 anos durante o “injusto processo de impeachment”, que cassou o mandato presidencial da tia.
Luna Zarattini (SP)
Outra jovem aposta do PT é a vereadora paulistana Luna Zarattini, que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados. Em 2024, ela foi reeleita vereadora em São Paulo com cerca de 100 mil votos e se apresenta como um novo rosto da esquerda na tentativa de se eleger deputada federal. Além de antigos nomes, o PT aposta em jovens políticos devido à dificuldade de renovação dos quadros petistas nos estados.







