Publicidade
Prova de vida

Governo dispara aviso sobre voto de aposentados em meio a esforço petista contra abstenção

Notificação enviada no dia 23 de setembro pelo aplicativo Meu INSS incentiva comparecimento às eleições como prova de vida
Notificação enviada no dia 23 de setembro pelo aplicativo Meu INSS incentiva comparecimento às eleições como prova de vida (Foto: Reprodução)

Ouça este conteúdo

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, está utilizando canais oficiais de órgãos públicos para comunicar de forma individualizada a beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sobre a possibilidade de realização de prova de vida por meio do comparecimento às eleições deste ano.

Um dos disparos foi feito por meio do aplicativo Meu INSS, que, se autorizado, exibe a notificação pelo sistema push – um tipo de alerta que aparece diretamente na tela dispositivo (celular ou tablet).

Com o título “Seu voto vale como Prova de Vida do INSS!”, a mensagem diz “Vote nas Eleições 2026 e tenha sua comprovação de vida atualizada automaticamente”.

A Gazeta do Povo também teve acesso a uma mensagem enviada na manhã desta quinta-feira (1º) pelo perfil GovBR no WhatsApp, canal oficial do governo, informando a um aposentado que “votar nas eleições” é uma das formas de fazer a prova de vida do INSS.

O destinatário da mensagem diz que nunca havia recebido mensagem do governo no WhatsApp e que já fez a prova de vida na agência bancária em que recebe o benefício.

De acordo com a legislação eleitoral, idosos com mais de 70 anos tem o voto facultativo. Além deles, jovens de 16 e 17 anos e analfabetos também podem escolher participar da votação ou não.

Dados recentes do Boletim Estatístico da Previdência Social apontam que o Brasil tem atualmente 24,5 milhões de aposentados pelo INSS.

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) foi questionada sobre os envios e apenas indicou procurar o Ministério da Previdência Social. Procurados, a pasta, o INSS e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não responderam até a publicação desta reportagem.

Comparecimento de aposentados nas eleições favorece Lula

Em meio a uma disputa acirrada com o senador Flávio Bolsonaro (PL), Lula tem apelado a grupos de eleitores cujo voto é facultativo para incentivar a participação no pleito. Na última sexta-feira (25), durante ato de campanha em São Gonçalo (RJ), o presidente citou a própria idade para pedir o comparecimento de pessoas com mais de 70 anos nos locais de votação.

“Se eu, com 80 anos, estou aqui pulando e sou candidato, porque um cara de 70 anos vai dizer ‘ah, não preciso votar’?”, questionou. “Desistiu da vida? Levanta a bunda e vai votar, meu filho. O Brasil precisa de você. Idade não é motivo para não votar.”

Na terça-feira (29), em Fortaleza, ele voltou a incentivar o eleitorado mais velho a sair de casa no domingo (4). “Se não quer votar por você, vote pelo seu neto, vote pelos seus filhos, vote pelo Brasil”, clamou.

De acordo com o TSE, quase 17 milhões de eleitores tem mais de 70 anos e estão aptos, mas não são obrigados a votar. O número corresponde a mais de 10% do eleitorado geral, composto de 158,7 milhões de pessoas. Na comparação com 2022, esse grupo cresceu 15,75%, ainda segundo o TSE.

Pesquisas de intenção de voto mostram vantagem do petista junto ao eleitorado idoso. De acordo com o levantamento mais recente do Datafolha, divulgado na última quinta-feira (24), Lula tem 42% contra 37% de Flávio, no primeiro turno, entre os entrevistados com mais de 60 anos.

Pesquisa da AtlasIntel/Bloomberg de 23 de setembro aponta uma tendência ainda mais favorável ao presidente: 62,6% a 31,5% de Flávio no grupo acima de 60 anos.

Além disso, o índice de abstenção, ou seja, o porcentual de pessoas que não comparece às urnas nas eleições, costuma se concentrar nas parcelas de baixa renda e baixa escolaridade, segmento que também tende a ser mais alinhado a Lula, o que faz com que essa ausência retire votos do petista.

A última pesquisa Datafolha aponta vantagem de Lula entre quem tem renda de até 2,5 salários mínimos (46% a 32%), mas desvantagem nos demais grupos.

Na última eleição presidencial, em 2022, o índice de abstenção no primeiro turno foi de 20,89%, o equivalente a cerca de 32,7 milhões de eleitores, segundo o TSE.

Voto de aposentados nas eleições vale como prova de vida para o INSS

O comparecimento às urnas é uma das atividades válidas para a comprovação de vida desde 2022, graças a uma parceria entre o TSE e o INSS. Segundo o Ministério da Previdência Social, as informações sobre o comparecimento serão repassadas pela Justiça Eleitoral ao INSS.

Em 2024, de acordo com a pasta, foram registrados eventos eleitorais para 20.957.288 beneficiários, resultando na atualização de aproximadamente 5 milhões de provas de vida.

O TSE, entretanto, ressalta que quem não comparecer à votação não terá o benefício bloqueado.

Para os casos em que o cidadão não comparecer às eleições, o INSS segue utilizando o sistema SIRIS, que coleta diversas fontes de dados do governo em busca de outros eventos comprobatórios, como a emissão de documentos, movimentações registradas ou atendimentos realizados, inclusive de forma remota, com reconhecimento biométrico. O segurado só é convocado a regularizar a situação quando não é encontrada nenhuma fonte que confirme a sua vivacidade.

Metodologia das pesquisas citadas

  • Datafolha: 2.002 entrevistados entre os dias de 22 e 23 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: dois pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-00304/2026.
  • AtlasIntel/Bloomberg: 5.015 entrevistados pela Indexa de 17 a 22 de setembro de 2026. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: um ponto percentual. Registro no TSE nº BR-04739/2026.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.