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Final da campanha

Flávio aposta em “efeito Moraes” e em crise do STF para desgastar Lula

Flávio Bolsonaro explora crise do STF para desgastar Lula na reta final da campanha
Flávio Bolsonaro explora crise do STF para desgastar Lula na reta final da campanha (Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro)

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Apesar de o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) ter terminado sem uma decisão sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, a crise na Corte deve continuar no radar da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) nas próximas semanas. A avaliação dentro do PL é de que a suspensão mantém em evidência um tema que o candidato pretende explorar para desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final do primeiro turno.

O julgamento foi suspenso após Flávio Dino pedir vista, quando o placar estava em 4 a 3 em uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. O ministro decano propôs que as análises envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça fossem feitas de forma conjunta, mas a votação ainda não tratava do mérito sobre uma eventual investigação contra Moraes. O pedido de vista pode durar até 90 dias.

Na campanha de Flávio, no entanto, a crise no Supremo é tratada como um dos fatores que ajudaram a criar um ambiente favorável ao candidato nas últimas semanas. Como mostrou a Gazeta do Povo, o clima dentro da campanha do PL é de euforia e, em grupos de WhatsApp, o ambiente descrito tem sido de festa, com alguns aliados chegando a cogitar uma vitória no primeiro turno.

Assessores da campanha ouvidos pela reportagem avaliam que o cenário considerado mais favorável neste momento seria a abertura de uma investigação contra Moraes, por entenderem que isso prolongaria o desgaste do ministro e sua associação política com Lula. Mesmo sem esse desfecho, a avaliação interna é de que a imagem do ministro já sofreu desgaste suficiente para produzir efeitos na disputa eleitoral.

Agora, a estratégia é manter a associação entre Moraes e o presidente Lula nas próximas semanas. Ao comentar o julgamento, Flávio classificou a sessão desta terça como “uma das mais importantes dos últimos anos do Brasil” e afirmou esperar que o Supremo autorizasse o início das apurações.

“Eu acho que não há mais nenhuma dúvida de que, pelo menos o Supremo, a maioria do Supremo do Plenário, tem a obrigação de autorizar o início de uma investigação contra ele e que seja afastado”, declarou o candidato durante uma agenda no Pará nesta segunda-feira (14).

Campanha vai explorar imagem de Moraes ao lado de Lula

A ideia na campanha de Flávio é apresentar uma eventual reeleição do petista como sinal de continuidade da atual configuração do Supremo e, consequentemente, da relação entre o Executivo e a Corte.

O tema já começou a aparecer na comunicação eleitoral do candidato. Em vídeo publicado nas redes sociais e reproduzido posteriormente no horário eleitoral gratuito, Flávio afirmou que “o atual presidente [Lula] dividiu seu poder com Alexandre de Moraes” e acusou o governo de ter afetado o equilíbrio das instituições.

“O atual governo criou um desequilíbrio institucional. Decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal, que descumpriu a lei. Não é à toa que isso tudo está acontecendo. É porque o atual governo, a gente não pode deixar de dizer, ele faz parte desse sistema que está apodrecido. E a gente está vendo esse sistema podre se revelar aos olhos de toda a nação”, declarou.

A orientação, porém, é não deixar que a crise no STF ocupe sozinha a comunicação da campanha. A equipe de Flávio pretende combinar o discurso institucional com temas econômicos, sobretudo o custo de vida, e ampliar conteúdos direcionados às mulheres e à segurança pública.

A estratégia, segundo integrantes do PL, é manter o assunto presente como contraponto a Lula, enquanto a campanha concentra parte significativa da propaganda em questões diretamente relacionadas ao cotidiano dos eleitores. “Como é que você pode ter um Judiciário em que a população majoritariamente não confia no tribunal?”, afirmou o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.

Flávio encosta em Lula enquanto confiança no STF recua

O início do julgamento no STF sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro ocorreu no mesmo momento em que uma nova pesquisa Quaest mostrou Flávio numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno. A pesquisa divulgada na segunda-feira (14) mostrou o senador com 42% das intenções de voto, contra 40% do presidente petista.

Apesar de a diferença estar dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico. Ainda assim, é a primeira vez que Flávio aparece numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno da Quaest. Na rodada anterior, os dois tinham 41%.

Além do desempenho dos candidatos, a pesquisa também mostra uma mudança na percepção dos eleitores sobre o Supremo. De acordo com o levantamento, 56% dos entrevistados afirmam não confiar na Corte. O índice subiu dez pontos percentuais em relação a agosto, quando era de 46%, e atingiu o maior patamar desde dezembro de 2022.

Outros 30% dizem confiar pouco no STF, enquanto apenas 9% afirmam confiar muito. Em agosto, 33% confiavam pouco e 18% declaravam muita confiança na Corte.

A desconfiança é maior entre os eleitores independentes. Nesse grupo, chega a 65%, contra 50% na pesquisa anterior. Entre os apoiadores de Flávio, o índice é de 69%. Já entre os eleitores que apoiam Lula, 30% dizem não confiar no Supremo.

A Quaest também perguntou sobre os efeitos do caso do Banco Master. Para 46% dos entrevistados, o episódio afeta negativamente todos os Poderes. Outros 17% apontam o STF como o principal atingido. Em julho, apenas 5% atribuíam à Corte o maior impacto negativo do caso.

A Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, de 10 a 13 de setembro de 2026. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de aproximadamente dois pontos percentuais. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A. e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03607/2026.

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