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“Vem com Fé”

Flávio lança primeiro jingle e foca em “batalha espiritual” contra Lula

Flávio Bolsonaro evangélicos Marcha Para Jesus
Flávio Bolsonaro intensifica o discurso religioso e reforça a aproximação com o eleitorado evangélico em meio à pré-campanha (Foto: EFE/ Hedeson Alves)

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A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, lançou a última sexta-feira (5) o primeiro jingle oficial, embalado pelo slogan “Vem com Fé”. A estratégia, conforme antecipado pela Gazeta do Povo, visa blindar e expandir o apoio do senador junto ao eleitorado conservador e religioso, transformando a fé cristã no pilar central de sua comunicação política.

A peça audiovisual, que tem cerca de dois minutos de duração, aposta forte no recall político e afetivo do eleitorado de direita. O vídeo reúne imagens do ex-presidente Jair Bolsonaro, da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e dos deputados Eduardo e Carlos Bolsonaro, buscando transmitir uma imagem de união familiar em torno da candidatura do senador.

De acordo com a coordenação de campanha, o objetivo central é mobilizar a base de apoiadores. A estratégia foca em valores tradicionais da direita. O material defende a fé e a liberdade religiosa.

O jingle foi lançado um dia após a participação de Flávio na edição da Marcha para Jesus, em São Paulo. O senador intensificou o uso de referências bíblicas e discursos sobre fé e “batalha espiritual” nos últimos dias.

“Vamos orar pelo nosso Brasil, essa guerra é espiritual. Maior resposta que podemos dar ao mal que vai ser expulso do governo do Brasil neste ano", disse Flávio na quinta-feira (4).

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Pesquisa Meio/Ideia divulgada no fim de maio mostra que Flávio mantém ampla vantagem nesse segmento em um eventual segundo turno contra Lula. Entre os evangélicos, o senador aparece com 66,6% das intenções de voto, contra 22,9% do petista.

A pesquisa mostrou ainda que 74,1% dos evangélicos afirmam que Lula não merece um novo mandato. A aprovação positiva (ótimo e bom) do governo do PT nesse grupo soma apenas 23,3% - 15,8% de ótimo e 7,5% de bom. Já a avaliação negativa (ruim e péssimo) atinge 48,3%, com o governo sendo considerado “péssimo” por 23,3% e “ruim” por 25% dos entrevistados desse segmento religioso.

A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 eleitores por telefone entre os dias 23 e 27 de maio de 2026. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02918/2026.

Para o teólogo Dione Caruzo, pesquisador da relação entre política e religião há mais de três décadas, o fortalecimento desse ecossistema discursivo segue uma cartilha consolidada e eficaz na direita brasileira. Ele explica que, em momentos de tensionamento ou desgaste político, a reafirmação de valores religiosos atua como um poderoso cimento ideológico.

"Funciona como um mecanismo para preservar a unidade da base e evitar a dispersão de apoiadores", analisa Caruzo.

O especialista avalia que a postura de Flávio Bolsonaro não é um movimento artificial, mas sim a continuidade orgânica do alinhamento construído por seu pai. “Ele já é herdeiro simbólico de Jair Bolsonaro dentro das igrejas. Ele só perde essa herança política se mudar o discurso ou começar a perder o apoio das lideranças”, conclui o teólogo.

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