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O brasileiro que acabou de votar nas eleições 2026 quer aumento real do salário mínimo e preservação de benefícios. Quer também inflação menor, juros em queda e contas públicas em ordem.
A lista de exigências que o governo eleito recebe das urnas é vasta e resta saber como o governo do PT vai se sair ao responder a esses anseios com ações efetivas. No primeiro discurso após a vitória, Lula (PT) disse que, durante esta última campanha eleitoral, aprendeu muitas lições com o povo brasileiro.
"Posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar este país. Quero dizer para vocês que vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. (...) Tenho que governar para 215 milhões, para todas as cidades", disse ele, no último dia 25 de outubro.
E agora, presidente?
Reiterados levantamentos de opinião feitos por institutos de pesquisa deixam claro quais são as prioridades dos brasileiros. No topo da lista de prioridades dos eleitores que acabaram de ir às urnas está a segurança pública e o combate à violência.
De acordo com levantamento BTG/Nexus* divulgado em 8 de setembro, o tema "segurança Pública/violência/criminalidade” ocupa o primeiro lugar dentre os principais problemas do Brasil, concentrando 35% das respostas dos brasileiros entrevistados. Em segundo lugar aparece a saúde pública, com 31%, e em terceiro a corrupção, com 23%.
A educação aparece em quarto lugar na lista das principais preocupações dos brasileiros, com 17% das respostas, e a classe política em quinto, com 16%. O ranking do BTG/Nexus traz ainda 14 opções, todas com entre 10% e 1% das respostas dos entrevistados:
- baixo crescimento da economia (10%)
- inflação/custo de vida/preços altos (9%)
- desemprego/falta de trabalho (7%)
- desigualdade social/pobreza/miséria (7%)
- impostos/aumento de impostos (5%)
- gastos públicos/gastos do governo (5%)
- fome/insegurança alimentar (3%)
- dívida nas contas públicas/contas no vermelho (2%)
- taxa de juros/aumento na taxa de juros (2%)
- saneamento básico/falta de água tratada e esgoto (1%)
- moradia/habitação (1%)
- outros (6%); nenhum (1%); não sabem ou não responderam (4%)
Em outra pesquisa, então feita pelo instituto Quaest** e divulgada em 14 de agosto, a segurança pública também aparece como principal preocupação do brasileiro, citada por 33% dos entrevistados.
Quando perguntados sobre qual a sua maior preocupação com o Brasil hoje, 5% dos entrevistados responderam que trata-se da economia e, logo depois, a saúde e a corrupção com 14% cada.
Os problemas sociais estavam no topo da lista de 12% dos que responderam a pesquisa; a educação de 7%, e outras preocupações, 5%. Na série histórica da Quaest, a violência mantém-se no topo da lista de problemas do país na opinião dos brasileiros desde o final de 2025.
Combate à violência é prioridade dos brasileiros
Todas as 27 unidades da federação, incluindo o Distrito Federal, possuem a atuação de alguma facção criminosa, conforme mostra o mapa das facções preparado pela Gazeta da Povo. Facções criminosas e milícias aumentaram sua presença e alcançaram a vizinhança de nada menos que 19% da população, aponta do Fórum Brasileiro de Segurança Pública no ano passado.
Os crimes de roubo e furto de telefones celulares assola as grandes e médias cidades. Na área da segurança pública, são apontados como caminho urgente o aumento da responsabilidade tanto dos municípios quanto do governo federal no combate ao crime de rua e organizado, respectivamente, junto com a reformulação e fortalecimentos dos setores policiais de investigação e inteligência, coordenação efetiva entre os diversos órgãos de segurança pública no país e asfixia financeira do crime.
Quanto à economia, o presidente está diante de escolhas salomônicas a partir de 2027. Diferentes setores da sociedade possuem expectativas diversas, e caberá à gestão pública federal tentar conciliar pautas que, muitas vezes, são antagônicas.
A equação entre manutenção de benefícios, queda da inflação e corte de gastos
As pesquisas junto ao eleitorado brasileiro também mostram que há apoio popular para pautas como o fim da escala 6x1, aumento real do salário mínimo, manutenção de benefícios, isenção de taxas como a das blusinhas, ao mesmo tempo em que querem a queda da inflação.
Já o mercado, empresários e outros atores econômicos cobram do governo federal corte de gastos, redução da trajetória da dívida pública, fim dos déficits fiscais, redução de impostos e redução dos juros. Como conciliar tudo com um orçamento cada vez mais comprimido pela trajetória da dívida pública e aumento proporcional dos gastos obrigatórios vinculados?
"O primeiro grande desafio será político”, avalia o economista e estrategista político Luis Carlos Burbano Zambrano. "O governo encontrará um ambiente marcado por forte tensão entre os Poderes, desgaste da credibilidade da política, questionamentos sobre o Congresso, controvérsias em torno do Judiciário e cobrança por respostas mais efetivas contra a corrupção", afirma.
Na análise dele, não será suficiente simplesmente administrar esses conflitos. "Será necessário reconstruir condições mínimas de confiança, previsibilidade e cooperação institucional. Isso exigirá poder político, capacidade de negociação, liderança e construção de acordos”, ressalta Zambrano.
Há pouco espaço para investimentos em um cenário de desequilíbrio fiscal e dívida pública elevada
O Brasil enfrenta desequilíbrio fiscal, dívida pública elevada, forte rigidez orçamentária, juros altos, necessidade de controlar a inflação, pouco espaço para investimentos e o desafio de sustentar crescimento e emprego. "São problemas particularmente difíceis porque muitas das medidas necessárias podem produzir custos imediatos, enquanto seus benefícios tendem a aparecer apenas no médio prazo”, diz Zambrano.
O governo terá de discutir temas como reforma administrativa, trajetória das despesas obrigatórias, Previdência, vinculações orçamentárias, subsídios, benefícios tributários, eficiência do gasto e recuperação do espaço para investimento público. "São decisões sem alternativas politicamente gratuitas”, aponta o economista.
Zambrano avalia que, de um lado, haverá pressão de empresários, investidores e agentes econômicos por maior equilíbrio fiscal, estabilização da dívida, controle da inflação e condições para juros menores. De outro, haverá pressão social para preservar programas sociais, investimentos em saúde e educação, emprego, renda, valorização do salário mínimo e poder de compra.
"O terceiro desafio imediato é a vida cotidiana, onde estão os problemas percebidos diretamente pela população: segurança, saúde, educação, endividamento das famílias, emprego, renda, custo de vida e qualidade dos serviços públicos”, afirma ele. "Esses problemas, entretanto, não exigem os mesmos recursos nem produzem resultados ao mesmo tempo."
*A pesquisa apresentava uma extensa lista de possibilidades de resposta, e cada entrevistado podia escolher duas, assim, a soma total dos itens dá mais de 100%. A pesquisa quantitativa foi realizada pela Nexus por telefone entre os dias 4 e 7 de setembro de 2026. Foram entrevistados 2.002 eleitores. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O registro da pesquisa do TSE é: BR-06790/2026.
**A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de agosto. A margem de erro geral é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa é BR-06773/2026.





