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A ex-senadora Kátia Abreu (PT-GO), recém filiada ao PT, disparou um “fogo amigo” contra o próprio partido e criticou a estratégia adotada durante toda a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. No último final de semana, ele ficou atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por pouco mais de dois milhões de votos.
Kátia era filiada ao PP até o ano passado e passou a integrar os quadros do PT como um aceno do partido ao setor do agronegócio, fortemente contrário a Lula e a favor de candidatos da direita ligados à família Bolsonaro. Em sua primeira grande reunião no novo partido, a ex-senadora criticou fortemente a condução da campanha e a atuação da primeira-dama Janja da Silva.
“Menos Janja e mais Alckmin”, disse sob fortes aplausos durante a reunião do partido na noite desta terça-feira (6), segundo relatos colhidos pelo jornal O Globo e confirmados por ela na tarde desta quarta-feira (7) à GloboNews.
Ainda aos correligionários, Kátia Abreu afirmou que o comando da campanha é composto por “paulistas sem voto”, em que os principais candidatos do PT e de partidos aliados a cargos eletivos no estado de São Paulo não foram eleitos. Entre eles, o ex-ministro Fernando Haddad, que concorria ao governo do estado, e as candidatas ao Senado na chapa, como Simone Tebet (PSB-SP) e Marina Silva (Rede-SP).
A ex-senadora também criticou a comunicação da campanha de Lula ao longo da disputa ao primeiro turno, afirmando que seguiu um caminho equivocado que levou à preferência dos brasileiros por Flávio Bolsonaro.
Também à GloboNews, Kátia Abreu seguiu nas críticas à primeira-dama afirmando que ela está ocupando um espaço maior que o próprio vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
"Eu achei, fiz uma comparação apenas de que o [vice] presidente Alckmin [...] deveria aparecer mais, que a primeira-dama está ocupando um espaço maior do que o vice-presidente. Não querendo desmerecê-la, mas querendo enaltecer o Alckmin, que tem uma popularidade muito grande no país", pontuou.
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A crítica, que se estende a outros correligionários, surtiu efeitos e a campanha de Lula resolveu recorrer à militância nas redes sociais para tentar reverter os votos perdidos no primeiro turno. Nesta quarta-feira (7), Lula e demais coordenadores da campanha se reúnem com influenciadores digitais de esquerda e jovens parlamentares eleitos para reforçar a presença do petista nas redes sociais.
Carta aberta ao TO
Em paralelo, nesta quarta-feira (7), Kátia Abreu divulgou uma carta aberta aos eleitores do Tocantins pedindo o apoio a Lula neste segundo turno. A ex-senadora coordena a campanha do petista no estado.
“Nenhuma eleição é fácil. Assim como nenhuma conquista do povo brasileiro veio sem luta. Poucas histórias representam isso tão bem quanto a história do nosso presidente Lula. [...] É uma batalha para garantir as conquistas sociais nos últimos 20 anos. Entre o Brasil que queremos construir e deixar como legado para as próximas gerações e o Brasil do atraso e da discórdia”, afirmou.
De acordo com ela, neste momento, “cada voto importa” e que “se Lula nos ensinou alguma coisa durante toda a sua vida, foi que um desafio não pode nos derrotar”.
Em outro trecho, Kátia Abreu afirma que “o Brasil está nos chamando mais uma vez para construirmos a nossa história”.
“E quando nossos filhos e netos perguntarem onde estávamos neste momento, que possamos responder: nós estávamos juntos, nós estávamos de pé, nós estávamos lutando pelo Brasil que acreditamos”, completou.
Veja abaixo, na íntegra, a carta aberta da ex-senadora ao povo do Tocantins:
Ao povo do Tocantins e a cada homem e mulher que acredita num país melhor. Agora começamos uma nova campanha. E para quem participou de tantas campanhas como eu, entendo que nenhuma eleição é fácil.
Assim como nenhuma conquista do povo brasileiro veio sem luta. Poucas histórias representam isso tão bem quanto a história do nosso presidente Lula. Um menino pobre e nordestino, criado sem pai, mas com a presença de uma mãe forte e corajosa que educou Lula e 7 irmãos com dignidade.
Um torneiro mecânico, que se tornou líder sindical e enfrentou os mais poderosos para defender a classe trabalhadora. Um homem que conheceu a fome, enfrentou perdas e atravessou algumas das maiores dores que a vida pode impor a alguém. Lula tentou ser presidente e perdeu uma, duas, 3 vezes.
Poderia ter desistido. Mas não desistiu. Levantou, persistiu e venceu. É dessa força que precisamos agora. Porque chegamos a uma das batalhas mais importantes da história do Brasil.
Para quem acredita neste projeto, é uma batalha para garantir as conquistas sociais nos últimos 20 anos. Entre o Brasil que queremos construir e deixar como legado para as próximas gerações e o Brasil do atraso e da discórdia. Não é hora de divisão. Não é hora de abandonar ninguém pelo caminho.
É hora de buscar quem se afastou, abraçar quem está cansado, conversar com quem ainda tem dúvida e ampliar nossa força. Cada voto importa. Cada voz importa. Cada coração importa.
Se Lula nos ensinou alguma coisa durante toda a sua vida, foi que um desafio não pode nos derrotar. A vitória vem da união, da dedicação, da força e da perseverança. E nós estamos de pé, prontos para superar mais esse desafio.
Hoje, às 14 horas, em Brasília, participo da reunião nacional da coordenação da campanha do presidente Lula para conhecer as estratégias para o 2º turno. Depois, serão traçados os próximos passos da nossa caminhada no Tocantins.
Então, prepare o coração. Chame os amigos, reúna a família, vista-se de esperança. O Brasil está nos chamando mais uma vez para construirmos a nossa história.
Agora é a hora. Vamos à luta.








