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A derrota de Fernando Haddad (PT) em São Paulo, no último domingo (4) foi a quarta eleição frustrada para o ex-ministro da Fazenda do governo petista. Haddad foi escalado especificamente por Lula para concorrer no estado paulista; o resultado nas urnas elegeu Tarcísio de Freitas (Republicanos) para um segundo mandato, por 62,65% a 36,42% dos votos válidos.
Haddad preferia disputar uma vaga no Senado, mas atendeu a um pedido direto do presidente para enfrentar Tarcísio pela segunda vez. O revés paulista coincidiu com um primeiro turno adverso para o próprio Lula. O presidente teve 45,16% dos válidos, contra 47,03% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
É a primeira vez desde 1998 que Lula termina um primeiro turno atrás na votação. Já Haddad teve a última vitória em 2012, quando foi eleito prefeito da capital paulista. Perdeu a reeleição em 2016, a Presidência em 2018, o governo paulista em 2022 e 2026.
Derrota tira do páreo o herdeiro de Lula mais citado pelo presidente
Na campanha de 2018, quando substituiu Lula nas urnas, o então ex-presidente escreveu da prisão, em Curitiba, que Haddad seria "Lula para milhões de brasileiros". Na convenção nacional do PT deste ano, em 2 de agosto, Lula projetou Haddad no Palácio do Planalto depois de dois mandatos à frente do governo paulista.
Dias depois, em entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, adotou um tom mais cauteloso. Disse que o aliado tem "potencial de crescimento extraordinário", mas que ainda precisa de mais para ser líder.
Na mesma entrevista, Lula citou outros nomes que poderiam liderar a esquerda, como o ex-governador da Bahia Rui Costa (PT); o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT); o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) e o ministro Guilherme Boulos (PSOL). Fonteles foi reeleito no domingo (4) com 70,90% dos votos válidos. João Campos perdeu a disputa para a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD).
Em pronunciamento na noite de domingo, o presidente dirigiu uma mensagem a Haddad: "Não desanime não, cara. Não desanime. O teu dia chegará". Na mesma fala, disse que o PT precisa "repensar como é que nós estamos fazendo as coisas".
Lula talvez não tenha herdeiro no curto prazo
Para o cientista político Leandro Consentino, professor do Insper, a derrota tirou de Haddad a condição de sucessor preferencial de Lula. A sequência de reveses nas urnas, segundo ele, "deixa bem claro que [Haddad] tem uma dificuldade muito grande de vencer eleições, apesar de ser um quadro importante dentro do Partido dos Trabalhadores".
O lulismo parece que está se encerrando em si mesmo.
Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper
Consentino compara o momento atual ao primeiro governo Lula, quando nomes como Antonio Palocci e José Dirceu ganharam projeção. No segundo mandato, foi Dilma Rousseff quem despontou a ponto de se tornar a sucessora. "Há uma carência de lideranças muito importante, porque o lulismo parece que está se encerrando em si mesmo", afirmou.
O professor prevê uma disputa entre alas da esquerda. De um lado, os setores mais radicais, com nomes como Gleisi Hoffmann (PT) — outra derrotada nas urnas de 2026 — e Boulos. Do outro, os menos radicais, como o próprio Haddad.
Para o cientista político, uma eventual derrota no segundo turno levaria o PT a uma reorganização interna. Na avaliação dele, a renovação tende a passar por quem tem mandato.
O PT reelegeu no primeiro turno três governadores, todos no Nordeste: Jerônimo Rodrigues, na Bahia; Elmano de Freitas, no Ceará; e Fonteles, no Piauí. Nenhum deles disputou uma eleição de alcance nacional.










