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Disputa entre primos

Racha na base governista de esquerda prejudica candidato de Dino e do PT no Maranhão

Rompimento entre Carlos Brandão e Flávio Dino interferem nas eleições ao governo do Maranhão em 2026, com a disputa entre Eduardo Braide e Orleans Brandão.
Sede do governo do Maranhão. (Foto: Douglas Junior/Ministério do Turismo)

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Para as eleições de outubro, não é em todos os estados em que a lógica da polarização — entre candidatos locais de esquerda atrelados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou de direita ligados ao principal pré-candidato presidencial da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL) — prevalece. A tendência nacional não é tão simples dentro da disputa política entre clãs locais. O Maranhão, por exemplo, representa um destes casos.

Com o período das convenções partidárias, que devem definir candidatos e coligações para as eleições deste ano, deve ser encaminhada no Maranhão aquela que tem tudo para ser uma disputa familiar de perfil mais centrista, entre o candidato governista do MDB e a oposição aglomerada em torno do candidato do PSD — pelo menos no cenário indicado até agora seja pelas pesquisas de intenção de voto como pela movimentação dos pré-candidatos locais. As convenções tiveram início na última segunda-feira (20) e podem ser realizadas até o dia 5 de agosto, conforme o calendário eleitoral.

No pano de fundo está o rompimento do atual governador, Carlos Brandão (sem partido e ex-PSB), com seu ex-aliado e padrinho político, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e com o vice, Felipe Camarão (PT). Brandão decidiu continuar no cargo até o fim do mandato, que termina em dezembro de 2026, para não abrir espaço para que Camarão fosse candidato a governador com a máquina na mão.

Vagas ao TCE pesaram em rompimento entre Carlos Brandão e Flávio Dino

Brandão deve apoiar a candidatura de Orleans Brandão (MDB), ex-secretário estadual de Assuntos Municipalistas e sobrinho dele. O atual governador era vice de Dino e assumiu o governo maranhense quando o atual ministro deixou o cargo para concorrer ao Senado nas eleições de 2022.

Depois disso, ele rompeu com o grupo do atual ministro do STF. O atual vice do PT, por sua vez, é apontado como possível sucessor do legado político de Dino, que governou o Maranhão por dois mandatos, de 2015 a 2022, e mantém Camarão como aliado próximo.

O rompimento entre os grupos de Carlos Brandão e de Flávio Dino foi selada no ano passado, mas o desgaste não era recente. Uma das razões da escalada do conflito envolveu o preenchimento de duas vagas no Tribunal de Contas do Estado (TCE), no início de 2024 e de 2025. As indicações foram travadas por ações em tramitação no STF sob relatoria de Dino.

As cadeiras não foram ocupadas até o momento. De acordo com a coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo, o estopim para o rompimento definitivo foi a divulgação de gravações de conversas de aliados do ministro do STF com um interlocutor não identificado, nas quais estaria sendo discutido o trâmite destes processos.

Eduardo Braide vem despontando nas intenções de voto

Em meio à desunião no grupo de centro-esquerda governista, quem tem crescido e despontado na preferência do eleitor é Eduardo Braide (PSD), que renunciou ao mandato como prefeito de São Luís para poder ser candidato ao governo do Maranhão nas eleições de 2026. Brandão surge em segundo nas intenções de voto, com o candidato do PT em terceiro.

Herdeiros de influentes clãs políticos no Maranhão, os principais rivais na disputa estadual são primos em segundo grau. Orleans Brandão, cujo nome completo é Carlos Orleans Braide Brandão, é sobrinho do atual governador, irmão do pai dele, Marcus Brandão, e filho deste com Maria do Socorro Braide, prima de Carlos Braide, pai de Eduardo Braide.

A pré-candidatura de Brandão é sustentada pelo discurso de continuidade das ações desenvolvidas pelo atual governo. Orleans reúne o apoio de prefeitos de diversas regiões do estado, além de deputados estaduais, federais e do senador Weverton Rocha (PDT). 

O ex-prefeito de São Luís, por sua vez, tem adotado uma estratégia de independência em relação à disputa presidencial, buscando dialogar tanto com eleitores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro quanto com apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Advogado, Braide foi deputado estadual (2011–2019) e deputado federal (2019–2021).

Na Câmara dos Deputados, ampliou a projeção nacional. Foi eleito prefeito de São Luís em 2020 e reeleito em 2024, com 70,12% dos votos no primeiro turno, uma das maiores margens da história da capital — de onde saiu para ser candidato a governador do Maranhão neste ano.

De acordo com pesquisa Real Time Big Data divulgada no último dia 8, Braide lidera o cenário estimulado de primeiro turno com 13 pontos percentuais de vantagem sobre Orleans Brandão, marcando 44% das intenções de voto contra 31% do candidato governista. Em terceiro lugar aparece o candidato do PT e vice-governador com 9%, empatado com Roberto Rocha (Novo).

Enilton Rodrigues (PSOL) aparece com 2%, André Luís (Missão) 1%, nulos e brancos 2% e não sabem ou não responderam, 2%. Em um dos cenários de segundo turno, Braide lidera contra Orleans Brandão por 52% a 38% das intenções de voto. Em todos os cenários simulados, o ex-prefeito de São Luís e o ex-secretário de Assuntos Municipalistas derrotam os outros adversários.

A pesquisa Real Time Big Data entrevistou 1,6 mil eleitores no estado do Maranhão entre os dias 6 e 7 de julho de 2026. A margem de erro é estimada em 2 pontos percentuais, para mais ou para menos,  com índice de confiança de 95%. O levantamento está registrado junto à Justiça Eleitoral sob o código MA-04311/2026.

MDB oficializa Brandão como candidato às eleições do Maranhão no próximo sábado

O MDB marcou para este sábado (25) a oficialização do nome de Brandão e, nesta terça-feira, um encontro virtual está marcado para confirmar o nome de André Luís pelo Missão. Para o dia 29, o PSTU marcou o lançamento da candidatura de Saulo Arcângeli ao governo do estado, e no dia 1º o PT deve confirmar Felipe Camarão para a disputa.

O PSD de Eduardo Braide, anunciou o dia 30 de julho como data de sua convenção estadual no Maranhão. Por sua vez, o PSOL, que deve lançar Enilton Rodrigues como candidato, ainda não tinha data definida até o final da semana passada. No campo da esquerda, ainda existe a expectativa de candidaturas lançadas por siglas como PCO ou PCB.

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