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Eleições 2026

Por que é difícil acertar o resultado ao Senado nas pesquisas eleitorais

Pesquisas ao Senado nas eleições de 2026
Com duas cadeiras por estado em disputa, institutos de pesquisa tiveram dificuldades para "cravar" os resultados. (Foto: Imagem criada com ChatGPT/Gazeta do Povo)

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Indefinição até a véspera do primeiro turno, dois votos por eleitor e a alta abstenção do brasileiro nas urnas estiveram na difícil equação para os institutos de pesquisa eleitoral ao Senado em 2026. Apenas os cenários apresentados no dia anterior à votação apontaram para tendências mais claras nos estados e, mesmo assim, com os primeiros colocados empatados dentro da margem de erro calculada para cada sondagem eleitoral.   

Para o professor de metodologia da pesquisa na Universidade Federal de Goiás (UFG) e na Pontifícia Universidade Católica (PUC) Luiz Signates, a análise sobre as pesquisas eleitorais e os resultados nas urnas apontam que o eleitor brasileiro tem o comportamento de definir o voto na última hora.

“Às vezes o eleitor responde o nome de um candidato que ele conhece. Mesmo aquele eleitor que não se revela indeciso vai pensar de verdade no voto apenas na véspera da eleição ou de frente para a urna. De fato, é nesse momento em que ele decide”, comentou Signates, que também coordena pesquisas eleitorais.

Semanas antes do primeiro turno, a maioria do eleitorado estava indecisa sobre o voto ao Senado e boa parte nem sabia que teria que votar em dois candidatos. Segundo pesquisa Quaest do mês de agosto, cerca de dois meses antes da votação, apenas 34% dos brasileiros tinham conhecimento de que as eleições de 2026 definiriam dois novos senadores por estado.

Além disso, 32% dos eleitores responderam que a escolha pelos candidatos ao Senado seria feita na semana do primeiro turno, na véspera ou no dia da votação. Signates explica que as pesquisas quantitativas para as eleições ao Senado possuem métodos alternativos de abordagem: o mais usado é uma pergunta para o primeiro voto, seguida de um novo questionamento sobre o segundo escolhido.

De acordo com ele, outra opção é perguntar quem são os dois candidatos do eleitor, sem diferenciar o primeiro e o segundo nome preferido. “De todo modo, é mais difícil porque, quando são dois candidatos, você tem que fechar duas vezes o 100% na mesma pesquisa. Então é um pouco mais difícil do ponto de vista estatístico”, acrescentou.

  • Metodologia da pesquisa citada: 2.004 entrevistados pela Genial/Quaest de 31 de julho a 3 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BR-06591/2026. 

O que explica a “virada” da direita em São Paulo 

No estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o número de indecisos era de 68% na véspera do primeiro turno no cenário espontâneo — quando os nomes dos candidatos não são apresentados previamente para escolha dos entrevistados. No cenário estimulado da pesquisa Quaest, 15% afirmaram que iriam votar em branco, nulo ou não iriam até as urnas; o número de indecisos era de 6%.

O levantamento indicava empate técnico entre:

  • Guilherme Derrite (PP) com 25%
  • André do Prado (PL) com 23%
  • Marina Silva (Rede) com 22%
  • Simone Tebet (PSB) com 22%.

No dia seguinte, Derrite e Prado foram eleitos. Porém, no início da campanha eleitoral, as ex-ministras de Lula apareciam à frente nos levantamentos e, no entanto, o nível de indefinição do eleitorado ainda era muito alto. Além disso, a saída de Ricardo Salles (Novo) da corrida pelo Senado acabou aglutinando as forças da direita na dupla eleita.

“Achar que as pesquisas neste momento servem para prever o Senado é um erro. As pesquisas apenas mostram quantos estão indecisos, quantos já decidiram, qual a intenção de voto de cada grupo; nunca medimos o comportamento efetivo, que só vai acontecer na urna”, justificou o cientista político Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest, em entrevista ao portal UOL, no mês de setembro.

Após a eleição, Nunes apontou que a rodada da Quaest na véspera do primeiro turno indicou numericamente quem chegaria em primeiro lugar em 20 das 26 pesquisas. Além disso, se levada em conta a margem de erro de dois pontos percentuais, ele disse que o primeiro colocado nas urnas estava na liderança ou empatado com o líder em 25 levantamentos.

“Ao todo, considerando os candidatos nas duas primeiras posições e os empatados pela segunda vaga, a Quaest antecipou precisamente 50 dos 52 senadores eleitos, ou seja, 96% do total nos estados onde fez pesquisa”, argumentou. 

  • Metodologia da pesquisa citada: 3.702 entrevistados pela Quaest nos dias 2 e 3 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pela e Globo Comunicação e Participações S/A /TV /Rede /Globo.com /Canais Globo /Globoplay /Eletromídia. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº SP-04726/2026. 

Voto útil da direita impõe derrota a Lula no primeiro turno

O movimento de migração de votos de candidatos da direita e do centro para Flávio Bolsonaro (PL), previsto para o segundo turno, foi antecipado e impulsionou a virada nas urnas sobre o presidente Lula (PT), ainda na votação do último dia 4.

Segundo o sócio-fundador da Quaest, a pesquisa divulgada na véspera do primeiro turno captou a tendência de “voto útil da direita” em favor de Flávio Bolsonaro, reduzindo a competitividade dos demais concorrentes nas urnas. “Caiu de 14% para 7,8% a votação dos outros candidatos na última semana, enquanto Flávio foi de 40% a 47%. Lula ficou estável. As urnas apenas confirmaram a tendência que já aparecia na pesquisa”, avaliou Nunes.

O voto útil motivado pelo antipetismo era esperado devido ao histórico de parte do eleitorado brasileiro, que rejeita Lula e antecipa o voto contra o petista ou contra os candidatos indicados pelo líder da esquerda.

Um dos casos mais citados é da disputa entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) nas eleições de 2014, quando o voto útil da direita levou o tucano para o segundo turno. A ex-presidente petista acabou reeleita com uma vantagem de apenas 3,5 milhões de votos em relação ao candidato da oposição. O PSDB chegou a questionar o resultado.

Nunes também comentou que a abstenção — de 32,7 milhões, o que significa 21% dos eleitores brasileiros — passou a fazer parte da equação dos institutos de pesquisa nas últimas eleições nacionais. “Para corrigir isso, utilizamos o modelo de ‘eleitor provável’, cruzando o perfil demográfico com a motivação atual de cada pessoa. Com isso, ponderamos as intenções de voto pela chance real de comparecimento, reduzindo distorções na estimativa de votos válidos”, explicou.

“Pesquisa é termômetro, não bola de cristal, mas a ciência nos ajuda a medir o cenário com mais precisão”, completou. 

  • Metodologia da pesquisa citada: 3.702 entrevistados pela Quaest de 02 a 03 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BR-02197/2026. 

Resultado no Rio de Janeiro foi caso mais atípico do país   

Felipe Nunes classificou o resultado da disputa ao governo do Rio de Janeiro como o “caso mais atípico e frustrante” das eleições para os institutos de pesquisa. Segundo ele, a ascensão de Douglas Ruas (PL) contra o favoritismo do ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) foi captada pelos levantamentos, mas não com a intensidade demonstrada pelo resultado das urnas.

“Nossa hipótese é que milhares de eleitores indecisos (o Rio tinha a maior taxa de pessoas alienando voto no país) migraram em massa para Douglas Ruas nas últimas 48 horas à medida que ele foi sendo percebido como o candidato associado à candidatura de Flávio Bolsonaro”, justificou o sócio-fundador da Quaest.

Na véspera, a pesquisa indicava a possibilidade de vitória de Paes no primeiro turno com 49% das intenções de voto válido, contra 40% para Ruas. Nas urnas, o candidato do PL teve 49,3% dos votos válidos e, dias depois, foi confirmado como vencedor com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que anulou os votos do candidato Anthony Garotinho (Republicanos).   

  • Metodologia da pesquisa citada: 3.204 entrevistados pela Quaest de 2 a 3 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Globo Comunicação e Participações S/A/TV Globo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº RJ-03032/2026.

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