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Eleições 2026

O que é e o que pretende o projeto Imparáveis, ligado a Michelle Bolsonaro

Projeto Imparáveis, ligado a Michelle Bolsonaro, busca engajamento de base fora da estrutura partidária.
Michelle Bolsonaro construiu base de apoiadoras como presidente do PL Mulher, entre 2023 e 2026. (Foto: Divulgação/PL)

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Uma semana depois de anunciar a saída da presidência do PL Mulher, Michelle Bolsonaro já tinha no ar um projeto novo: o Imparáveis. O perfil foi lançado no Instagram usando a Mulher-Maravilha como símbolo, com trilha sonora importada de Hollywood.

A ideia estava engavetada desde o ano passado, com a proposta inicial de ser lançada só em 2027. A crise pública com o enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, antecipou o projeto.

Oficialmente, o Imparáveis nega ser um projeto de Michelle. A própria equipe do perfil o descreve como página de fã-clube, não como movimento político, e diz que a ex-primeira-dama não o criou nem o administra.

Na prática, porém, quem toca o Imparáveis é a mesma equipe de comunicação que cuidava das redes de Michelle à frente do PL Mulher — o que indica influência dela sobre o conteúdo, ainda que não assumida publicamente.

Nas publicações mais recentes, o perfil passou a repostar lideranças de todo o país que marcaram Michelle em suas publicações. Os posts reforçam o tom de fé e família associado à imagem da ex-primeira-dama e ao segmento evangélico, considerado estratégico para as eleições.

Poder de escolha na montagem de chapas explica afastamento de Michelle do PL Mulher

O motivo de fundo para a criação do projeto estaria mais relacionado ao poder de decisão da ex-primeira-dama do que à sua comunicação. O Imparáveis surgiu depois de Michelle Bolsonaro perder rodadas importantes na montagem das chapas em 2026, apesar de ter se dedicado desde 2023 a construir lideranças femininas Brasil afora.

No Ceará e em São Paulo, preferências dela para o Senado ficaram de fora da corrida eleitoral. As escolhas do partido sinalizam que, para quem decide hoje no PL, o pragmatismo eleitoral pesa mais do que a estrutura que ela construiu.

Em Santa Catarina, o resultado foi diferente: o partido manteve a deputada federal Caroline de Toni na disputa — após boa dose de resistência da parte da parlamentar. A decisão veio depois de um impasse causado pela entrada de Carlos Bolsonaro na chapa. No fim, De Toni foi confirmada ao lado dele para disputar as duas vagas catarinenses ao Senado.

Assim, o contexto do Imparáveis está diretamente relacionado à instabilidade do cenário interno do partido. O projeto é uma forma de Michelle manter influência sobre a base que construiu sem depender diretamente da cúpula do PL nem dos enteados que, segundo ela e aliados, não a querem mais no centro das decisões.

Flávio, por sua vez, tenta ocupar o mesmo espaço simbólico. Para tanto, ampliou a presença da esposa, Fernanda Bolsonaro, em agendas de campanha e é orientado por aliados a escolher uma vice evangélica. Nesta semana, lançou o "Brasil Por Elas", pacote de propostas voltado ao eleitorado feminino, em sua tentativa mais recente de repor esse espaço. A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (15), porém, mostra o senador perdendo terreno entre independentes e até mesmo na direita.

  • Metodologia: A pesquisa Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 5 e 8 de junho. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-07661/2026.

Decisão de disputar Senado passa por papel de esposa, mãe e cuidadora de Jair Bolsonaro

O Imparáveis também serve para manter a influência de Michelle Bolsonaro junto às lideranças femininas que ajudou a formar, sem confrontar o que ela considera prioridade agora: cuidar de Jair Bolsonaro. Essa rotina pesou mais depois que o ministro do STF Alexandre de Moraes suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, após o senador divulgar em uma live uma carta escrita por Jair.

Michelle, que segue entre os poucos com acesso regular ao ex-presidente, é pressionada por aliados — como Damares Alves e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão — a disputar o Senado, mas ainda avalia como conciliar a campanha e os cuidados diários com o marido. A decisão sai em conversa com Jair, antes do período previsto para a realização das convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto.

A trajetória recente de Michelle é relevante para entender o momento. A ex-primeira-dama assumiu a presidência do PL Mulher em 2023. No mesmo período, o TSE declarou Jair Bolsonaro inelegível até 2030 e o ex-presidente teve sua capacidade de articulação política reduzida.

Nesse contexto, Michelle ganhou o protagonismo: cargo remunerado no partido, viagens constantes pelo país e a posição de uma das principais lideranças femininas da direita. O próprio Jair Bolsonaro disse publicamente considerar natural que ela "viesse candidata ao Senado". Questionada sobre o próprio futuro, ela repete a mesma resposta: seu destino está "entregue a Deus" e será decidido com o marido "no tempo certo".

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