
Ouça este conteúdo
O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) escolheu o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina para ser seu vice na disputa pelo Palácio do Planalto em 2026.
O anúncio ocorreu em julho, quando Medina passou a integrar oficialmente a chapa do partido, criado a partir do Movimento Brasil Livre (MBL).
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) validou, em 9 de setembro, o registro das candidaturas de Renan Santos e Aroldo Medina.
A escolha levou para a chapa um militar da reserva com trajetória na segurança pública e seis disputas eleitorais anteriores no Rio Grande do Sul.
Aos 62 anos, Medina é jornalista e passou 40 anos na Brigada Militar, onde exerceu funções operacionais, administrativas e de comando. Ele nunca ocupou um mandato eletivo.
Carreira na Brigada Militar
Natural de Sant'Ana do Livramento (RS), Aroldo Medina ingressou na Brigada Militar do Rio Grande do Sul e chegou ao posto de tenente-coronel.
Depois de passar para a reserva, manteve atuação na área de segurança pública e passou a se dedicar também à atividade política e ao jornalismo.
Durante a carreira militar, Medina publicou trabalhos relacionados à segurança. Em 1995, por exemplo, publicou o artigo “Onde Nasce a Pesquisa”, na Revista Unidade, publicação ligada à área de segurança pública.
A experiência na área tornou-se uma das principais credenciais apresentadas por Medina na política.
Ao anunciar a escolha, Renan Santos passou a associar o vice às propostas do Missão para segurança pública, uma das principais bandeiras do partido.
Seis disputas eleitorais
A eleição presidencial de 2026 é a sétima disputa eleitoral de Medina. Antes de integrar a chapa de Renan, ele concorreu ao governo do Rio Grande do Sul em 2002 e 2010, à Prefeitura de Canoas em 2004 e a uma vaga de deputado estadual em 2014 e 2018.
Em 2024, disputou uma cadeira na Câmara Municipal de Porto Alegre pelo PL e terminou como suplente, com 222 votos.
A passagem pelo PL também marca uma etapa importante da trajetória política do atual candidato a vice. Medina chegou a apoiar Jair Bolsonaro (PL), mas posteriormente passou a fazer críticas ao ex-presidente.
“Sou bolsonarista, mas Renan é o único caminho”
Embora apoie Renan Santos, Medina afirma que continua se considerando bolsonarista. Em entrevista à Gazeta do Povo em 28 de julho, ele rejeitou a ideia de terceira via e disse que, para ele, “há um único caminho, e esse caminho é o Renan Santos”.
Medina também fez críticas a Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que o senador não corresponde aos valores que, segundo ele, acreditava que a família Bolsonaro defendia.
A declaração marcou o posicionamento do candidato a vice diante da disputa no campo da direita.
Em declarações à imprensa, disse que a avaliação negativa decorria, entre outros fatores, da condução do governo Bolsonaro durante a crise sanitária causada pela covid-19 e de resultados que considerou insuficientes na agenda econômica.
Medina também afirmou que foi “boicotado” pelo PL na eleição para vereador de Porto Alegre em 2024. Segundo ele, o partido não o colocou na televisão durante a campanha, possivelmente por sua postura independente.
A mudança de posicionamento ajuda a explicar a aproximação com o Missão.
O partido tenta se apresentar como uma alternativa à divisão entre lulismo e bolsonarismo e tem na segurança pública uma de suas principais bandeiras.
Aproximação com Renan Santos
Durante o lançamento da campanha de Renan em São Paulo, Medina participou do ato ao lado de outras lideranças do Missão.
O evento teve como principais temas o combate ao crime organizado e a segurança pública, áreas que ocupam espaço central no discurso da candidatura.
A candidatura também propõe reduzir o tamanho do Estado e promover alterações em programas sociais e educacionais.
Candidato a vice em meio a questionamentos no TSE
Em agosto, o ministro Dias Toffoli, do TSE, adiou a análise do registro de Renan Santos após apontar “indícios de ilicitude” relacionados à informação sobre os perfis usados pela campanha nas redes sociais.
Segundo o ministro, Renan Santos e Aroldo Medina informaram posteriormente 18 perfis em redes sociais como complementação às informações apresentadas no registro da candidatura.
A defesa da chapa contestou a decisão e afirmou que o processo de registro não seria o instrumento adequado para discutir eventuais irregularidades de propaganda eleitoral.
Em setembro, o Partido Missão e a chapa formada por Renan Santos e Aroldo Medina recorreram ao TSE contra decisões de Toffoli que restringiram a propaganda digital da candidatura e impediram temporariamente a participação dos candidatos em debates, entrevistas e sabatinas.








