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Eleições 2026

França, Tebet e Marina tapam buracos do PT em São Paulo — e revelam o tamanho do problema

O ex-ministro da Fazenda de Lula conseguiu convencer Márcio França a compor a chapa como vice do PT em São Paulo.
O ex-ministro da Fazenda de Lula conseguiu convencer Márcio França a compor a chapa como vice do PT em São Paulo. Marina Silva e Simone Tebet serão candidatas ao Senado. (Foto: Fotomontagem Gazeta do Povo (Diogo Zacarias/MF, Ricardo Stuckert/PR, Felipe Werneck/MMA, Diogo Zacarias/MPO))

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A chapa montada por Fernando Haddad (PT) em São Paulo reúne nomes para corrigir déficits específicos da ala da esquerda: Márcio França (PSB) para o municipalismo, Simone Tebet (PSB) para o eleitor de centro e Marina Silva (Rede) para a reputação pública. A estratégia tenta fazer frente ao projeto de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que chega para a disputa eleitoral com uma frente ampla de apoio da centro-direita.

Após vencer muitas resistências tanto internas quanto de aliados, o ex-ministro da Fazenda do governo Lula (PT) finalmente conseguiu fechar uma chapa para concorrer ao governo de São Paulo e assim tentar evitar uma derrota para Tarcísio de Freitas logo no primeiro turno. Isso porque o caminho para reeleição do governador paulista tem potencial de ter ficado mais próximo com a recente desistência de adversários no campo da centro-direita.

O ex-ministro da Fazenda conseguiu convencer o ex-ministro do Empreendedorismo, Márcio França, a compor a chapa como vice do PT em São Paulo. França resistia, e queria ser cabeça de chapa ou, então, um dos candidatos ao Senado novamente.

Marina e Tebet vão disputar votos com Derrite e André do Prado

O anúncio sobre as escolhas do PT em São Paulo ocorreu na última quinta-feira (25). A chapa da esquerda é completada pela ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e pela ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet, como candidatas ao Senado. O vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), foi escalado para auxiliar Haddad a conseguir votos no interior do estado.

O movimento vem na esteira do fortalecimento da candidatura de Tarcísio — que disputará a reeleição ao lado do vice-governador, Felício Ramuth (MDB), e endossa para o Senado os nomes do deputado estadual André do Prado (PL) e do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP). Neste ano, cada estado brasileiro vai eleger dois representantes ao Senado.

Na disputa ao governo estadual, o ex-prefeito de Santo André (SP) Paulo Serra anunciou no último dia 21 ter desistido de concorrer ao cargo em outubro. Ele vai tentar conseguir nas urnas uma cadeira como deputado federal. O comunicado sobre a candidatura tucana em São Paulo ocorreu um dia depois de Kim Kataguiri (Missão) também ter confirmado o seu recuo próprio da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Neste ano, cada estado brasileiro vai eleger dois representantes ao Senado.

De acordo com pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada no dia 16, sem Kataguiri, Tarcísio atinge 49% das intenções de voto, contra 33% de Haddad (PT) e 10% de Paulo Serra (PSDB), enquanto nulos e brancos somam 4% e os indecisos representam outros 4%. Um candidato é eleito em primeiro turno quando obtém a maioria absoluta dos votos, excluindo os votos em branco e os nulos.

No primeiro cenário testado, Tarcísio está à frente com 46% das intenções de voto, seguido por Haddad, com 33%. Kataguiri tem 8% e Serra, 6%. Votos nulos e brancos somam 4%, enquanto 3% não sabem ou não responderam. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, Tarcísio pode garantir a vitória em primeiro turno em ambos os cenários.

A Real Time Big Data entrevistou 2 mil eleitores em todo o estado de São Paulo, entre os dias 13 e 15 de junho. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos do próprio instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo SP-09734/2026.

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Chapa contra Tarcísio é operação para "correção de vulnerabilidades", diz cientista político

Para o cientista político Samuel Oliveira, a leitura mais consistente dessa decisão de Haddad e grupo do PT não é apenas que tentaram “montar uma chapa forte” para São Paulo. "O que Lula e Haddad estão tentando construir é uma frente de compensação contra a frente de máquina de Tarcísio”, afirma Oliveira.

"Tarcísio chega com uma arquitetura muito mais orgânica de poder. Ele tem o governo estadual, o Republicanos, o MDB na vice com Felício Ramuth, o PL com André do Prado, o PP com Derrite, o PSD orbitando o apoio, além de prefeitos, Assembleia Legislativa, forte apoio no interior e a máquina de governo na mão. É uma coalizão de estrutura: governo, segurança pública, municipalismo, base legislativa e direita compactada”, avalia o cientista político. 

Haddad e o PT tentam responder à frente unida de centro-direita montada por Tarcísio com a entrada de Lula na campanha paulista, somada aos componentes: militância, tempo nacional de propaganda na TV e rádio e uma federação de partidos que reúne PT, PCdoB e PV. "A tentativa é claramente montar uma chapa que não seja apenas petista, com 'DNA de esquerda', mas uma frente mais larga, capaz de falar com esquerda tradicional, centro democrático, ambientalismo, eleitor moderado e municipalismo paulista”, afirma Oliveira, sobre as escolhas para a chapa de Haddad no estado.

"França corrige o déficit municipalista e estadual do PT, porque já foi vice-governador, assumiu o governo e conhece a máquina paulista. Tebet corrige a dificuldade de Haddad com centro, moderação e eleitorado antipetista que não apoia a família Bolsonaro. Já Marina corrige o déficit simbólico de reputação pública, ética, meio ambiente e sociedade civil. Não é só soma de partidos; é uma operação de correção de vulnerabilidades”, diz ele. 

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"Colcha de retalhos" evidencia tamanho do problema para o PT em São Paulo

Por outro lado, essa “colcha de retalhos” revela o tamanho do problema petista em São Paulo: quando uma chapa precisa corrigir tantas lacunas demonstra amplitude, mas também fragilidade. "Haddad é conhecido, já foi prefeito da capital, candidato presidencial e candidato ao governo paulista. Ele não sofre de desconhecimento. Seu problema é o teto, rejeição e dificuldade de furar certos segmentos do eleitorado paulista fora do campo progressista”, afirma o cientista político.

Na opinião dele, as desistências de Kataguiri e Serra agravam esse quadro. "Eles eram candidaturas de contenção, não necessariamente candidaturas de chegada. Poderiam segurar voto liberal, tucano residual, municipalista ou de centro-direita que rejeita Haddad, mas não estava automaticamente entregue a Tarcísio”, diz.

"Sem eles, a eleição tende a se compactar: Tarcísio contra Haddad. E uma eleição compactada favorece quem tem a máquina e lidera o campo majoritário", avalia Oliveira.

Por isso, a chapa Haddad-França-Tebet-Marina seria uma resposta estratégica, mas não uma solução automática: pode ajudar Haddad a evitar uma derrota no primeiro turno, já que amplia o palanque e dificulta a narrativa de isolamento petista — mas não elimina a vantagem estrutural de Tarcísio, que governa o estado, tem vitrine de entregas e chega com a direita menos fragmentada. 

"A eleição paulista, portanto, não é só Tarcísio versus Haddad. É máquina contra compensação. Tarcísio quer transformar a eleição em gestão contra PT e resolver no primeiro turno”, diz Oliveira.

"Lula e Haddad tentam transformar a eleição em frente ampla contra Bolsonaro e seus aliados. O sucesso dessa estratégia não depende apenas de Haddad crescer muito; depende de ele reter votos suficientes fora do petismo para impedir que Tarcísio ultrapasse a soma dos adversários”, afirma.

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