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Após as críticas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo episódio dos áudios com o banqueiro Daniel Vorcaro, os pré-candidatos à Presidência Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) ensaiam uma aproximação para unir forças no campo da direita.
Eles estiveram juntos em uma reunião nesta terça-feira (26) em São Paulo, de acordo com diversos veículos de imprensa. A sinalização é de que uma candidatura conjunta no primeiro turno ainda seria uma possibilidade – com a definição ocorrendo somente perto da data-limite das chapas na Justiça Eleitoral, que é em agosto.
Nesta quarta-feira, Caiado deu declarações favoráveis a uma aliança com Zema, admitindo a má performance na última pesquisa eleitoral e elogiando o possível colega de chapa, chamando-o de “pessoa aberta”.
"Com a última pesquisa que nós conversamos, existe esse sentimento e ele é uma pessoa aberta. Então, nós estamos realmente avaliando isso", disse Caiado em entrevista nesta quarta à rádio Nova Difusora, de São Paulo.
De acordo com a última pesquisa Nexus BTG, no cenário espontâneo, os nomes de Caiado e Zema somam 2% cada um. Na pesquisa estimulada, Caiado tem 5% e Zema vem com 4% (veja a metodologia abaixo). O resultado frustrou expectativas de um crescimento de candidaturas alternativas a Flávio Bolsonaro entre eleitores de direita.
Zema recua de ataques
Cotado anteriormente até mesmo como vice na chapa do PL no início do ano, Zema viu no possível desgaste do primogênito de Bolsonaro a oportunidade de se lançar como o nome de uma direita ética e sem máculas.
Antes concentrado nas críticas ao ministro Gilmar Mendes, ele levou poucas horas após o vazamento do áudio de Flávio com Vorcaro para mudar o alvo e classificar a fala do senador como “imperdoável” e um “tapa na cara” dos cidadãos de bem.
Sua posição, vista por integrantes da própria legenda como uma estratégia do círculo mais próximo – e não de todo o Novo –, chegou a comprometer alianças do PL com o partido.
“A estratégia de Romeu Zema é exclusivamente dele e de sua equipe de marketing, e não do Partido Novo. Quando eu me insurgi contra as falas de Romeu Zema, foi em defesa da imagem do Partido Novo e de todos os pré-candidatos”, declarou o advogado Jeffrey Chiquini, filiado ao Novo e, ele próprio, pré-candidato a deputado federal pelo Paraná.
Passadas duas semanas, nesta quarta-feira (27), Zema pareceu fazer uma tentativa de diminuir a fervura. “Acima de tudo, minha prioridade absoluta é tirar o PT do poder. Que fique claro, eu vou trabalhar até o fim do segundo turno para tirar o PT”, declarou.
Sobre uma chapa com Caiado, Zema declarou que “conversas sempre ocorrem” e que uma definição ocorreria apenas próximo ao fim do prazo. Apesar do desempenho ligeiramente pior na pesquisa, a expectativa de Zema seria a de concorrer na cabeça de chapa, com o goiano de vice.
Caiado manteve ponderação
Décadas mais experiente na política, Caiado não teve o mesmo vigor do ex-governador mineiro ao criticar Flávio pelo caso Dark Horse. O goiano restringiu o tema às suas entrevistas — deixando-o fora de suas redes sociais —, e se posicionou crítico a Flávio sem citar seu nome.
Ele disse, por exemplo, que “político contaminado não tem estatura para sentar na cadeira da Presidência” e que “tudo que envolve Master e cifras milionárias precisa ser tratado com total transparência com a população”. Caiado sempre frisou, no entanto, que o adversário maior de todos é Lula.
Metodologia da pesquisa citada
O instituto Nexus ouviu 2.045 entrevistados entre os dias 22 e 24 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-04193/2026.






