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Partido Novo

Candidatura de Zema derrete após ausência em debate e resultados de pesquisas

Romeu Zema candidato a presidente em 2026
Zema tem dificuldade em atrair voto da direita, apesar de priorizar pautas como o impeachment de ministros do STF. (Foto: Thiago Max/Divulgação campanha Romeu Zema)

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O ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) contava com o início da campanha eleitoral para se tornar um nome conhecido nacionalmente e entrar na disputa pelo voto do eleitor, principalmente aquele que se identifica com as pautas da direita. No entanto, ele não conseguiu espaço na polarização entre o candidato Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT).

Além disso, o mineiro viu tomar envergadura a candidatura alternativa de Augusto Cury (Avante) que, segundo a pesquisa Quaest mais recente, chegou a 8% das intenções de voto, ficando na terceira colocação no cenário estimulado de primeiro turno. Zema, por sua vez, tem 2% da preferência do eleitorado, tecnicamente empatado com Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), ambos com 3%.

Na avaliação do cientista político Adriano Cerqueira, professor do IBMec em Belo Horizonte, o voto do eleitorado mineiro no ex-governador — que apareceu em 2018 com uma candidatura alternativa, naquele que foi o primeiro pleito do então empresário — esteve atrelado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas últimas duas eleições. Inelegível e preso, Bolsonaro escolheu o filho “01” para a disputa presidencial de agora, o que limitou a tentativa de associação de Zema ao líder da direita brasileira.

“O problema é que a maioria do eleitorado do Zema em Minas Gerais tem Flávio Bolsonaro como a primeira opção de voto. Era assim com o ex-presidente Bolsonaro e o ex-governador sabia se equilibrar junto aos eleitores. Quando fazia críticas, eram bastante pontuais para preservar a base”, analisou.

Para o cientista político, Zema cometeu um erro estratégico para a campanha ao criticar publicamente Flávio Bolsonaro após o vazamento do áudio em que o senador pede ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro o financiamento do filme "Dark Horse". “As escolhas que Zema fez para se promover como pré-candidato a presidente foram afastando-o do Flávio e também da sua principal base eleitoral, que é o bolsonarismo em Minas”, opinou Cerqueira.

Crise no STF beneficia Flávio Bolsonaro mais do que Zema 

Além da postura diante de Flávio Bolsonaro, Zema preferiu não participar do primeiro debate presidencial televisivo, realizado na Band em agosto, o que foi considerado um erro no meio político. O partido Novo não possui tempo de rádio e televisão, calculado conforme a representatividade dos partidos no Congresso.

Zema justificou que não foi ao debate pela ausência de Lula e Flávio no encontro, que teve a presença de Cury, Caiado e Renan Santos. “Foi uma oportunidade perdida para o Zema. Ele poderia ter usado o debate para se tornar mais conhecido nacionalmente e tentar buscar um pouco mais de votos além do que imaginava obter em Minas”, comentou Cerqueira.

Após o debate, Augusto Cury se tornou o principal nome da “terceira via”, deixando para trás os demais concorrentes, de acordo com a última pesquisa Quaest. Para o cientista político, no entanto, a entrada de Cury no páreo tende a reorganizar a disputa pelos votos independentes e no centro, com menos impacto na candidatura de direita de Romeu Zema.

Nem a campanha de Zema contra os “intocáveis” do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme o então pré-candidato chamou os ministros, foi suficiente para atrair o eleitor de direita, segundo Cerqueira, apesar da influência do tema na corrida presidencial deste ano. Ele lembrou da participação de Flávio nas manifestações da avenida Paulista e destacou que o histórico de embate da família Bolsonaro contra o Supremo tende a beneficiar o candidato do PL.

“Essa desmoralização de Alexandre de Moraes favorece o Flávio porque os Bolsonaros se sentem perseguidos politicamente por ele. Na medida em que o principal perseguidor se desmoraliza perante a opinião pública, a rejeição ao nome Bolsonaro pode cair”, avaliou.

  • Metodologia da pesquisa citada: 2.004 entrevistados pela Quaest de 3 a 6 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo S/A, Globo Comunicação e Participações S/A, TV Rede Globo/Canais Globo/Globoplay/Eletromidia. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BR-01720/2026.

Zema diz ter intenção de participar de próximos debates

Procurada pela Gazeta do Povo, a campanha de Zema confirmou a intenção do candidato de participar dos próximos debates presidenciais. No entanto, o pool de veículos responsável pelo próximo debate cancelou o evento, que seria realizado na próxima segunda-feira (14), no SBT. O cancelamento foi motivado pela não confirmação, no prazo estabelecido pelos organizadores, de Flávio Bolsonaro e Lula.

Interlocutores do Novo afirmam que a candidatura presidencial do mineiro está mantida independentemente dos resultados das pesquisas e que Zema aposta no aumento do nível de conhecimento do eleitorado com a proximidade do primeiro turno para alavancar o desempenho. Integrantes da sigla ouvidos pela Gazeta do Povo também lembram que Zema era um candidato desconhecido em 2018 e acabou vencendo a eleição ao governo estadual na estreia dele nas urnas.

Além disso, o candidato deve manter as críticas contra o STF e ressaltar que “herdou o estado de Minas Gerais quebrado” após a gestão petista. O objetivo de Zema é se colocar como uma solução para o descontrole das contas públicas e o aumento da dívida durante o governo Lula.

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