
Ouça este conteúdo
Almanaque é a seção de sábado da editoria de Ideias da Gazeta do Povo. Aqui, você vai encontrar um apanhado de notícias, personagens e histórias que deram o que falar na semana — e não caberiam em outro lugar.
A clicada
Enxada para você, iPhone para mim
Na comemoração da vitória de Lula (foto acima), o retrato da luta de classes ganhou uma versão que cabe no bolso: um militante com a camisa do MST usando um iPhone 17 ProMax, que não é vendido por menos de R$ 10 mil.
A reforma agrária talvez ainda esteja longe de chegar, mas a tecnologia de ponta já está devidamente instalada no acampamento — com reconhecimento facial, câmeras sofisticadas e preço para quem poderia comprar pelo menos um lote de terra em certas regiões do país.
Resta saber se o celular foi comprado em suaves prestações, se é fruto de anos de trabalho ou se a revolução também prevê um plano de fidelidade com a Apple.
Não é fake

Master contratou Fátima Bernardes como garota-propaganda por R$ 5,4 milhões
Notícia do jornal Metrópoles
A ex de William Bonner apareceu no horário político, na última semana da campanha, pedindo voto em Lula em defesa da democracia e da liberdade. Seria essa a mesma liberdade que ela teve de receber uma quantia milionária para fazer propaganda para o Banco Master, de Daniel Vorcaro? Detalhe: apesar de a quantia ter sido devidamente paga, segundo o portal Metrópoles, a publicidade nunca foi ao ar.
Responda Rápido
Um dia de fúria
Em Fortaleza, no Ceará, um eleitor entrou no local de votação e quebrou a urna eletrônica ao jogar o aparelho no chão. O equipamento foi substituído e o homem chegou a ser algemado.
Veja a resposta no fim da página
Mini-ranking
Top 5 famosos que apoiaram Lula, mas não votaram no petista
Na campanha eleitoral, alguns artistas fizeram campanha por Lula, convocaram seguidores a votar e ajudaram a transformar as redes sociais em palanques — mas, na hora de comparecer às urnas, parte deles ficou pelo caminho. Aparentemente, para algumas dessas “celebridades”, a democracia funciona melhor no Instagram: dá para fazer o “L” sem enfrentar fila, publicar um manifesto sem sair de casa e defender o voto alheio sem necessariamente ir às urnas.
1-Wagner Moura

Ator, 50 anos, nascido em Salvador. Declarou apoio em vídeo repostado pela página pessoal de Lula no dia 28 de setembro. Não votou no primeiro turno.
2-Anitta

Cantora, 33 anos, nascida no Rio de Janeiro. Declarou voto em Lula por vídeo em sua conta de Instagram, no dia 9 de outubro. Dois dias antes, ela havia questionado a utilidade deste tipo de conteúdo para convencer eleitores a mudar de opinião. Não votou nem justificou a ausência em 2026, 2024 e 2021.
3-Fábio Porchat

Humorista e ator, 43 anos, nascido no Rio de Janeiro. Em 2022, declarou voto a Ciro Gomes (PDT) no primeiro turno e a Lula no segundo. Em 2026, apoiou Lula em diferentes ocasiões, incluindo em um vídeo postado em 15 de outubro. Não votou no primeiro turno nem nas eleições de 2020 e 2018.
4-Bruno Gagliasso

Ator, 44 anos, nascido no Rio de Janeiro. Postou foto com a camisa do Brasil e fazendo o “L” com as mãos. Não votou no primeiro turno.
5-Luana Piovani

Atriz, 50 anos, nascida em Jaboticabal (SP). Além de criticar publicamente personalidades que declaram voto a Flávio Bolsonaro (PL), como o jogador de futebol Neymar e o empresário e apresentador Roberto Justus, tem se declarado continuamente a favor do candidato do PT. Não votou porque seu título de eleitor está cancelado.
Rolou nas redes
No jantar para Janones, coerência ficou de fora do cardápio
Quinze anos depois de estacionar o carro no Leblon, Caetano Veloso voltou a chamar a atenção na internet. É que ele e a esposa, Paula Lavigne, organizaram um jantar em homenagem ao deputado André Janones (Rede-MG), xodó da esquerda após as eleições.
A apresentadora de TV Cissa Guimarães foi uma das convidadas e comemorou o encontro com o “gênio das redes” em um post no Instagram, com direito a várias exclamações: “Tive a honra de conhecer pessoalmente nosso General e receber suas próximas orientações!!!!!”. O ator Paulo Betti, também convidado para o jantar, curtiu o registro.

Não se sabe se a corrupção admitida por Janones no caso das rachadinhas em seu gabinete, nem se a medida protetiva obtida pela ex-mulher contra ele por ameaça de divulgação de conteúdo íntimo tenham entrado na pauta dessas orientações. Nada disso parece constranger a turma que adora dar lições de ética, democracia e respeito às mulheres — desde que o homenageado esteja do lado certo. Afinal, para cobrar os próprios aliados, o silêncio também é uma arte.
Gênios do Legislativo
Programa Pé-de-Bota
O governo Lula criou o Pé-de-Meia para incentivar estudantes a permanecer na escola. Agora, o deputado André Figueiredo (PDT-CE) quer tirar do papel o Pé-de-Bota, programa que prevê apoio financeiro a estudantes de Ciências Agrárias para estimular a formação e a permanência de jovens na agricultura familiar.
Falta saber se a próxima etapa será o Pé na Jaca, para quem estourar o orçamento, ou o Pé Frio, para programas que não saírem do papel.
Aconteceu mesmo
O presidente que viajou de terceira classe
Em 31 de outubro de 1902, o presidente eleito Francisco de Paula Rodrigues Alves driblou a pompa oficial preparada para recebê-lo no Rio de Janeiro. Avesso aos bajuladores e aos caçadores de cargos, ele desembarcou sem avisar a comitiva, viajou na terceira classe e caminhou entre trabalhadores, enquanto políticos, generais e jornalistas aguardavam em vão uma chegada solene. Sem tapete vermelho nem séquito de aduladores, seguiu discretamente para um hotel.
Mais de um século depois, a história contrasta com a atual política brasileira, em que a liturgia do cargo frequentemente se confunde com o culto à personalidade. No entorno de Lula, cerimônias, comitivas e demonstrações públicas de prestígio ajudam a transformar compromissos oficiais em espetáculos de ostentação. Rodrigues Alves, ao menos nessa passagem, fez o contrário: em vez de exigir reverências, escapou delas. Há políticos que parecem acreditar que a importância do cargo exige pompa; Rodrigues Alves preferiu mostrar que a importância de um presidente não depende do tamanho da recepção.
Resposta do “Responda rápido”: alternativa D. O eleitor não votava na seção, pediu prioridade para justificar o voto e não foi atendido pelos mesários.




