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Mais acordos

Após petróleo, governo Trump busca ampliar acesso aos minerais da Venezuela

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A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante reunião com o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, em Caracas, na quarta-feira (2). (Foto: Ronald Peña R/EFE)

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O governo do presidente Donald Trump pretende ampliar o acesso dos Estados Unidos aos recursos minerais da Venezuela depois de fechar o acordo que amplia a presença americana sobre o setor de petróleo do país, segundo informou nesta terça-feira (8) a agência Reuters.

De acordo com a agência, integrantes do governo americano discutem neste momento formas de estimular empresas dos EUA a investir na mineração venezuelana, principalmente na exploração de ouro e de minerais considerados estratégicos para a economia e a segurança nacional americana.

A Reuters afirma ainda, citando fontes com conhecimento das discussões, que Washington avalia medidas para facilitar esses investimentos e vê o setor mineral da Venezuela como uma nova frente de expansão da presença econômica dos Estados Unidos no país.

O movimento ocorre poucos dias depois de Trump anunciar o acordo para exploração das reservas petrolíferas venezuelanas. O acordo firmado por Washington e Caracas deu aos EUA o poder de explorar cerca de 65 bilhões de barris de petróleo distribuídos por campos do país. Trump classificou o acordo como o maior do tipo já firmado. Pelo que foi negociado, empresas dos Estados Unidos terão participação importante na exploração dos campos por um período de mais de 20 anos, enquanto Washington terá condições preferenciais para adquirir parte da produção.

A ampliação da presença dos EUA no setor energético venezuelano faz parte da estratégia da Casa Branca de diminuir o espaço ocupado por países como China e Rússia na economia da Venezuela.

A Venezuela possui importantes reservas de ouro e grandes depósitos de minério de ferro, bauxita e outros minerais. Parte significativa dessa riqueza está concentrada ao sul do rio Orinoco, região onde a mineração ganhou importância econômica durante os anos de chavismo e também passou a ser marcada pela atuação de grupos criminosos e pela exploração ilegal. O chamado Arco Mineiro do Orinoco foi criado pelo regime venezuelano em 2016 como uma extensa área destinada à mineração. O projeto ganhou peso justamente quando a produção de petróleo do país enfrentava forte queda e Caracas buscava novas fontes de receita.

Nos anos seguintes, organizações internacionais passaram a denunciar a presença de grupos armados, redes criminosas e operações clandestinas de mineração na região, além de graves danos ambientais. A entrada de empresas americanas nesse mercado deve viabilizar uma reorganização de áreas que durante anos permaneceram sob forte influência de estruturas ligadas ao chavismo e de grupos que atuam à margem do Estado.

O interesse pelos minerais venezuelanos ocorre em meio à tentativa dos Estados Unidos de reduzir sua dependência da China em cadeias consideradas essenciais para a indústria. Minerais estratégicos são utilizados na fabricação de equipamentos militares, componentes eletrônicos, baterias, sistemas de energia e diversas tecnologias avançadas. Pequim possui posição dominante no processamento de vários desses produtos, situação que sucessivos governos americanos passaram a tratar como uma vulnerabilidade econômica e de segurança nacional.

Trump tornou a busca por novas fontes de minerais uma das prioridades de sua política econômica e externa. O governo americano vem tentando ampliar acordos e investimentos em países, incluindo o Brasil, que possam fornecer matérias-primas fora das cadeias controladas pela China.

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