
Ouça este conteúdo
Onze diretores da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição nesta terça-feira (8) após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o afastamento do atual diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Além dos 11 diretores, um grupo grande de delegados e de superintendentes das 27 regionais da PF também pretende fazer o mesmo, segundo relatos de fontes à Gazeta do Povo. A nota foi enviada ao diretor-geral interino, William Murad, que assumiu o cargo após o afastamento de Mendonça -- mais cedo, ele saiu em defesa de Andrei Rodrigues durante um evento em Brasília.
"Os Diretores da Polícia Federal vêm a público expressar seu total apoio ao Diretor-Geral, Delegado de Polícia Federal Dr. Andrei Rodrigues, e ao seu Diretor de Inteligência, Delegado de Polícia Federal Dr. Leandro Almada, diante dos injustificados ataques sofridos pela Polícia Federal na data de hoje", escreveram os diretores em uma nota coletiva (veja na íntegra mais abaixo).
O apoio a Rodrigues ocorreu poucas horas depois de Mendonça determinar seu afastamento preventivo junto do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, e a abertura de um processo na corregedoria. A decisão foi dada em meio à disputa interna entre o ministro e Alexandre de Moraes após a revelação de conversas dele com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.
A decisão de Mendonça foi levada para análise no plenário virtual da Segunda Turma do STF e já recebeu o apoio da maioria dos ministros, embora tenha sido suspenso após um pedido de vista de Gilmar Mendes. Ainda não há prazo para que ele entregue seu voto, o que paralisa a proclamação do resultado.
"Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas", seguiram os diretores na manifestação.
VEJA TAMBÉM:
Assinaram a nota os diretores:
- Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor/PF);
- Fabrício Schommer Kerber, diretor de Polícia Administrativa (DPA/PF);
- Otavio Margonari Russo, diretor de Combate a Crimes Cibernéticos (DCiber/PF);
- Felipe Tavares Seixas, diretor de Cooperação Internacional (DCI/PF);
- Helena de Rezende, diretora de Gestão de Pessoas (DGP/PF);
- Roberto Reis Monteiro Neto, diretor Técnico-Científico (Ditec/PF);
- André Luis Lima Carmo, diretor de Administração e Logística (Dlog/PF);
- Christiane Correa Machado, diretora de Ensino da Academia Nacional de Polícia (Diren-ANP/PF);
- Alexsander Castro de Oliveira, diretor de Proteção à Pessoa (DPP/PF);
- Ademir Dias Cardoso Júnior, diretor de Tecnologia da Informação e Inovação (DTI/PF);
- Humberto Freire de Barros, diretor da Amazônia e Meio Ambiente (Damaz/PF).
Mais cedo, peritos da Polícia Federal também demonstraram incômodo com a decisão de Mendonça, classificando-a como uma "medida de excepcional gravidade" e que deve ser analisada pelo plenário do STF, e não apenas pelos cinco ministros da Segunda Turma, como estava ocorrendo.
Também mais cedo, o presidente da Corte, ministro Luiz Edson Fachin, adiou uma reunião que teria com integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para discutir a crise envolvendo a Corte e seus ministros, principalmente entre Mendonça e Moraes.
O que dizem os citados
Veja abaixo o que disseram os diretores da Polícia Federal em apoio a Andrei Rodrigues:
Os Diretores da Polícia Federal vêm a público expressar seu total apoio ao Diretor-Geral, Delegado de Polícia Federal Dr. Andrei Rodrigues, e ao seu Diretor de Inteligência, Delegado de Polícia Federal Dr. Leandro Almada, diante dos injustificados ataques sofridos pela Polícia Federal na data de hoje.
Da mesma forma como a Instituição Polícia Federal tem, em sua história e feitos, a razão de sólida admiração dos brasileiros, o Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável.
Narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja.
Assim, cumprindo nosso dever de defender a Instituição de ataques e tentativas de usurpação de funções, e assegurando o interesse público na manutenção de uma Polícia Federal capaz de promover justiça e assegurar o Estado Democrático de Direito, tornamos público nosso apoio aos diretores.
Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas. Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do Diretor-Geral substituto.








