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Os Estados Unidos anunciaram na semana passada que passarão a classificar os grupos criminosos brasileiros Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, designação que entrará em vigor nesta sexta-feira (5).
Em entrevista à Gazeta do Povo, Amanda Roberson, porta-voz em português do Departamento de Estado americano e diretora-adjunta do centro de mídia da pasta em Miami, afirmou que a classificação dá mais ferramentas para que o governo Donald Trump enfrente as duas facções.
Roberson, que trabalhou anteriormente em missões diplomáticas dos EUA no Brasil, na Albânia, na Nigéria e no México, também afirmou que Washington está articulando com o governo Lula o enfrentamento conjunto ao PCC e ao CV, mas disse que Brasília precisa ser mais rigorosa no combate aos dois grupos criminosos.
Confira abaixo os principais trechos da entrevista:
Quais critérios o Departamento de Estado utilizou para designar PCC e CV como organizações terroristas?
Desde o início do seu mandato, o presidente Trump deixou muito claro que vai utilizar todas as ferramentas à sua disposição para proteger a segurança nacional dos Estados Unidos. As duas designações contra o PCC e o CV são parte dessa estratégia. Esses grupos são os mais violentos no Brasil. Sabemos também que as suas atividades se expandem além das fronteiras brasileiras, para outros países. Inclusive, aqui nos Estados Unidos, já vimos evidências de suas atividades em 12 estados. Então, as designações realmente são uma ferramenta para frear as ações desses grupos e proteger as comunidades americanas.
Em quais estados americanos o PCC e o CV atuam? Como essas facções atuam nesses locais?
Sabemos que eles estão atuando em 12 estados, o que representa mais ou menos um a cada quatro estados aqui dentro dos Estados Unidos. Estamos falando de locais como Nova York, Nova Jersey, Massachusetts, também na Flórida. Por exemplo, no ano passado, autoridades policiais americanas prenderam 18 brasileiros imigrantes em situação irregular, que também eram membros do PCC e estavam operando no estado de Massachusetts uma rede de venda de fentanil e também de armas. Então, esse é só um exemplo das atividades que já registramos dentro dos Estados Unidos, e não vamos permitir que esses grupos expandam sua rede aqui. Por isso, estamos tomando medidas bastante fortes.
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Quais serão os próximos passos após essa designação?
As designações oferecem às autoridades dos Estados Unidos algumas ferramentas significativas, como, por exemplo, restrições de vistos. Membros desses grupos agora não se qualificam para um visto americano e também podem ser deportados dos Estados Unidos. Haverá o bloqueio de todos os seus bens aqui nos Estados Unidos. As designações também proíbem que pessoas dos Estados Unidos realizem qualquer tipo de transação com membros desses grupos e tornam crime fornecer qualquer tipo de apoio ou recurso a eles. Portanto, são medidas designadas para estrangular e frear os recursos, o dinheiro e o apoio que esses grupos utilizam para operar suas redes no hemisfério e também aqui nos Estados Unidos.
Em resposta à designação, o governo do Brasil falou em “soberania nacional inegociável”, rejeição a “qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos” e que “é deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil”. Qual a posição dos EUA sobre essa declaração?
A prioridade do presidente Trump e do governo dos Estados Unidos é proteger nosso país, nossa segurança. Por isso, estamos tomando todas as medidas possíveis. Agora, incentivamos o Brasil a também adotar medidas mais rigorosas para eliminar as ações desses grupos. Estamos coordenando com o governo brasileiro em muitos aspectos de segurança, mas, novamente, estamos colocando sempre os Estados Unidos em primeiro lugar.
Em audiência ontem no Congresso americano, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que as Américas agora têm vários países “aliados” aos EUA, mas citou o Brasil como uma das exceções. O governo Trump não vê possibilidade de entendimento com a gestão Lula?
Estamos coordenando com o Brasil no aspecto da segurança. Já temos pelo menos nove agências do governo dos Estados Unidos trabalhando dentro do Brasil com as autoridades brasileiras. Sabemos que esta coordenação vai continuar. O que é importante destacar é que compartilhamos este hemisfério; Estados Unidos e Brasil são dois países grandes e com economias fortes. A cooperação é importante porque, como compartilhamos o hemisfério, também compartilhamos o desafio do crime organizado. Então, claro que vamos continuar trabalhando e coordenando com o Brasil, mas, repito, queremos ver o Brasil também tomando medidas mais rigorosas para defender a sua segurança nacional e para realmente eliminar as ações desses grupos que, há muito tempo, causam muita violência não só em comunidades brasileiras, mas em comunidades americanas também.
Eu gostaria de destacar que essas duas designações do PCC e do CV fazem parte de um grupo que agora conta com 17 grupos criminosos e cartéis, apenas dentro do Hemisfério Ocidental, que foram designados desde o início do mandato do presidente Trump. Portanto, é parte de uma estratégia ampla que estamos utilizando para garantir a segurança dos Estados Unidos e também da região.






