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Kaja Kallas

Chefe da diplomacia da UE chama acordo de Trump para comprar diesel russo de “presente a Putin”

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Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia, criticou o acordo de Trump com a Rússia e alertou para o financiamento da guerra na Ucrânia. (Foto: OLIVIER MATTHYS/EFE/EPA)

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A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, criticou nesta quinta-feira (15) o acordo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para comprar diesel da Rússia. Em entrevista ao canal Euronews, ela classificou a negociação com o regime de Moscou como um “presente a Putin”. Kallas também questionou o que Washington recebeu em troca em relação à guerra na Ucrânia, uma vez que Moscou continua atacando Kiev.

“A questão é: o que ele deu em troca? O que vemos é que ele está, na verdade, intensificando os ataques contra civis e infraestrutura civil (da Ucrânia). O cessar-fogo que também foi anunciado não está realmente funcionando do lado russo”, afirmou Kallas.

O acordo com Moscou foi anunciado por Trump na última sexta-feira (9), após uma conversa com o ditador Vladimir Putin. Segundo o presidente americano, a Rússia se comprometeu a liberar imediatamente 300 mil toneladas de diesel para os Estados Unidos e o mercado internacional, além de outras 500 mil toneladas em novembro e mais 1 milhão de toneladas posteriormente.

Para viabilizar a negociação, Washington suspendeu temporariamente parte das sanções que impediam a comercialização de diesel russo. Trump defendeu a medida como uma forma de aumentar a oferta do combustível e reduzir os preços, principalmente nos EUA, que subiram em meio à crise energética internacional. A decisão ocorre enquanto Trump tenta fazer decolar a campanha dos republicanos nas eleições de meio de mandato nos EUA, que ocorrem no começo de novembro.

Kallas argumentou que a negociação anunciada pelo republicano pode favorecer financeiramente Moscou, uma vez que a venda de petróleo e derivados representa uma importante fonte de receita para o Kremlin na guerra contra a Ucrânia. Ela também defendeu os ataques ucranianos contra refinarias russas, afirmando que essas instalações ajudam a financiar a ofensiva militar de Putin.

A chefe da diplomacia europeia cobrou ainda que os Estados Unidos mantenham a pressão sobre a Rússia, em vez de exigir que a Ucrânia interrompa seus ataques à infraestrutura petrolífera russa. Segundo ela, a maneira de encerrar essas operações seria Moscou pôr fim à invasão.

A crítica ocorre três dias depois de os ministros das Relações Exteriores da União Europeia aprovarem novas sanções contra quase 1.600 pessoas e entidades ligadas à Rússia. O bloco afirmou que continuará pressionando o Kremlin, apesar da decisão do governo Trump de flexibilizar as restrições ao diesel russo.

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