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A aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6x1 não será capaz, por si só, de conquistar votos e garantir uma eventual virada petista nas urnas durante o segundo turno das Eleições 2026.
Apesar do grande apelo popular, a aprovação da proposta (PEC 221/2019) no Congresso Nacional não é considerada uma espécie de "bala de prata" — com poderes para definir a eleição — contra a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), vencedor do primeiro turno do pleito.
De acordo com especialistas e analistas políticos consultados pela Gazeta do Povo, a PEC deve influenciar parcelas da população da Classe C e parte daqueles que não foram às urnas, em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), porque promete melhor qualidade de vida para os eleitores com vínculo formal de trabalho.
No entanto, a frustração do eleitorado com a corrosão do poder de compra dos salários e com a baixa qualidade dos serviços públicos contrapõe-se à PEC 6x1, influenciando também a decisão de voto em direção a Flávio Bolsonaro.
Por isso, o cientista político Flávio Santana, da Êxito Public Affairs, acredita que dificilmente a PEC do fim da escala 6x1 terá força para garantir, sozinha, uma virada de Lula sobre Flávio no segundo turno.
“A aprovação da PEC 6x1 pode até contribuir para reduzir a diferença entre os candidatos, mas dificilmente será suficiente, isoladamente, para superar a rejeição política e as posições eleitorais consolidadas”, avaliou Santana.
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Efeitos eleitorais da PEC 6x1 na Classe C serão menores do que o esperado por Lula
Analistas políticos acreditam que a campanha petista utilizará a aprovação da PEC do fim da escala 6x1 para tentar atrair o eleitorado da Classe C em favor de Lula no segundo turno. Porém, a avaliação especializada aponta que os efeitos esperados pelo PT não serão tão expressivos quanto o planejado.
A Classe C representa a maior fatia da população brasileira e é classificada por Santana como “um verdadeiro caldeirão social". Isso porque o grupo reúne, de um lado, trabalhadores assalariados e consumidores e, de outro, muitos autônomos e pequenos empreendedores.
Esse grupo de eleitores pensa de maneira diversa e busca objetivos políticos diferentes nas urnas. Não por acaso, Flávio Bolsonaro teve o melhor desempenho entre os presidenciáveis justamente nesse segmento durante o primeiro turno.
Levantamento do instituto Meio/Ideia apontou que Flávio obteve 53% das intenções de voto na Classe C, enquanto o candidato à reeleição do PT registrou 37%.
A aprovação da PEC 6x1 tende a beneficiar Lula entre os empregados do comércio e do setor de serviços, que enxergam a ampliação do descanso semanal como uma conquista concreta, conforme pontua Eduardo Grinn, cientista político da Fundação Getulio Vargas (FGV).
“Se alguns eleitores entenderem que [a PEC 6x1] é uma conquista histórica para a sua qualidade de vida e temem que Flávio Bolsonaro a coloque em risco, eles podem mudar de voto. Então, alguma coisa pode vir daí, sim”, disse.
Entretanto, parcela significativa da Classe C não possui identificação automática com Lula e, segundo Flávio Santana, enxerga além do apelo eleitoral imediato da medida.
“A parcela da Classe C que vive como autônomo vai continuar priorizando o crescimento econômico, o empreendedorismo, menos influência do Estado e, consequentemente, leva a rejeição ao atual governo”, analisou.
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PEC 6x1 garante votos a Lula e Flávio entre aqueles que não votaram no primeiro turno
Durante o primeiro turno das Eleições 2026, cerca de 33 milhões de eleitores aptos deixaram de comparecer aos locais de votação. O montante representa aproximadamente 21% de todo o eleitorado nacional - de 158,7 milhões -, marcando o maior índice de abstenção registrado pela Justiça Eleitoral em eleições gerais desde 1998, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
De olho nesse contingente, a campanha petista aposta que a aprovação da PEC 6x1 ajudará a convencer esse grupo a votar em Lula. A estratégia parte da premissa de que a maior fatia das abstenções provém das classes C, D e E, formadas por famílias de baixa renda e beneficiárias de programas de transferência, como o Bolsa Família.
Para Eduardo Grin, Lula vai usar a PEC do fim da escala 6x1 para mobilizar justamente os beneficiários do Bolsa Família. “A inserção dos beneficiários do Bolsa Família no mercado de trabalho tem crescido enormemente, com uma política de transição, que eu acho que é a correta: durante um tempo o beneficiário segue recebendo o Bolsa Família ainda que esteja empregado. Então, tem aí sim, um efeito de mobilização dessa parcela que historicamente se abstém mais”, explicou.
Os analistas concordam que a redução da jornada de trabalho pode despertar o interesse político de parte dos ausentes, sobretudo daqueles que deixaram de comparecer por desilusão ou desinteresse pelo pleito.
Ainda assim, atribuir os ganhos eleitorais da PEC 6x1 exclusivamente a Lula não é coerente. Flávio Santana adverte que os votos desse grupo tendem a se dividir entre os dois concorrentes, com margem estreita. Para ele, não há indícios claros de que a PEC provoque uma mobilização exclusiva pró-Lula. Flávio Bolsonaro também deve atrair parte desses eleitores que estiveram fora da votação no primeiro turno.
“Como garantir que uma parcela dos eleitores contrários à PEC, que não compareceu no primeiro turno, também não se mobilizará? A mobilização atingirá todas as posições políticas. É possível que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro possam se beneficiar, dependendo da região do país”, ponderou.
Entre a promessa e a realidade das urnas: os limites da aposta do PT
A promulgação da PEC 6x1 simbolizará uma vitória política do governo no Congresso, mas seu poder de fogo como divisor de águas eleitoral esbarra nas complexidades do Brasil real.
Para os especialistas, a aposta da campanha petista tratava a PEC como um catalisador quase automático de votos, subestimando as transformações socioeconômicas dos últimos anos no país.
Longe de ser um bloco homogêneo seduzido apenas pela CLT, a classe trabalhadora contemporânea brasileira, em especial a Classe C e o contingente dos que não foram votar no primeiro turno, opera sob uma lógica fragmentada, onde pesam o empreendedorismo individual, a corrosão do poder de compra e um ceticismo crônico em relação a promessas de véspera de eleição feitas pelo PT.
Ao final, a PEC da Jornada 6x1 oferece fôlego e narrativa à campanha de Lula, mas se mostra insuficiente para desmontar a rejeição consolidada ao governo ou para reverter, por si só, a vantagem construída por Flávio Bolsonaro rumo ao Palácio do Planalto.
“É o velho debate político sobre o benefício social imediato versus custo social a médio e longo prazo, cada um atingindo parcelas diferentes da população”, finalizou Flávio Santana.








