Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Conflito no Oriente Médio

Como “golfinhos kamikazes” viraram assunto na guerra entre os EUA e o Irã

golfinhos kamikaze irã eua guerra
Secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, foi questionado por jornalistas sobre uso de "golfinhos kamikazes" pelo Irã na guerra. (Foto: Rinaldo Wurglitsch/Wikimedia Commons)

Ouça este conteúdo

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, foi questionado por jornalistas durante uma entrevista coletiva no Pentágono, realizada no último dia 5, sobre o possível uso de “golfinhos kamikazes” na guerra em curso no Oriente Médio. A pergunta surgiu após relatos de que Teerã poderia empregar golfinhos carregando minas para atacar navios americanos no Estreito de Ormuz.

Hegseth respondeu a questão em tom de ironia, dizendo que não poderia “confirmar nem negar” se os EUA têm seus próprios “golfinhos kamikazes”, mas afirmou poder confirmar que o Irã “não tem nenhum”.

O tema entrou no debate após uma reportagem do jornal The Wall Street Journal, publicada em 30 de abril, afirmar que autoridades do regime iraniano haviam citado a possibilidade de usar “golfinhos carregando minas” contra navios de guerra dos EUA. Contudo, conforme apurou a emissora CNBC, não há confirmação pública de que o Irã tenha essa capacidade.

O uso de golfinhos e outros mamíferos marinhos em operações militares pelos EUA não é uma ficção. Segundo a imprensa americana, a Marinha do país mantém desde 1959 um programa que treina golfinhos e leões-marinhos para detectar minas, identificar ameaças subaquáticas, realizar vigilância e localizar objetos no mar.

Esses animais, contudo, não são treinados para ataques suicidas, como os da questão da coletiva. Segundo especialistas citados pela emissora CNBC, a principal função dos golfinhos “militares” atualmente é localizar objetos submersos, como minas navais, usando ecolocalização - uma espécie de sonar biológico que permite identificar formas e distâncias debaixo d’água.

O estrategista militar Scott Savitz, do think tank Rand Corporation, explicou à CNBC que os golfinhos costumam ser usados pela Marinha dos EUA em águas abertas porque conseguem localizar minas e objetos submersos com grande precisão usando a ecolocalização. Já os leões-marinhos são mais utilizados em áreas com baixa visibilidade, por conseguirem enxergar melhor debaixo da água. Segundo ele, em alguns cenários, o biossonar dos golfinhos pode ser até mais eficiente do que equipamentos eletrônicos de detecção.

O histórico de uso militar desses animais remonta à Guerra Fria. A União Soviética também treinou golfinhos para fins de defesa, e parte desse programa teria sido herdada pela Ucrânia após o fim da URSS, em 1991. A Rússia teria retomado o uso militar desses animais após anexar a Crimeia em 2014.

Há ainda relatos de que o Irã teria comprado golfinhos treinados para uso militar pela antiga Marinha soviética no início dos anos 2000, embora nunca tenha havido confirmação pública de que Teerã mantenha atualmente um programa militar operacional com esses animais.

Os EUA já empregaram seus “golfinhos militares” em zonas de conflito. Durante a Guerra do Iraque, em 2003, os animais ajudaram na detecção e remoção de minas no porto de Umm Qasr, segundo especialistas citados pela CNBC.

No caso atual, a discussão sobre “golfinhos kamikazes” apareceu em um momento em que Washington tenta manter a pressão militar sobre Teerã e preservar a navegação no Estreito de Ormuz. Hegseth afirmou que o cessar-fogo seguia em vigor, mas disse que os EUA observavam de perto as ações iranianas.

A pergunta acabou viralizando por misturar uma hipótese incomum com uma prática militar real. O Irã não teve sua suposta capacidade confirmada, mas a polêmica chamou atenção para uma área pouco conhecida da guerra naval: o uso de animais treinados para detectar ameaças que drones e sonares ainda nem sempre conseguem substituir.

A declaração de Hegseth foi feita em meio à tensão em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo que vem sendo alvo de bloqueios e operações militares tanto do Irã quanto dos Estados Unidos durante a guerra no Oriente Médio. O controle da passagem se tornou um dos principais pontos de impasse nas negociações para encerrar o conflito, já que Teerã insiste em manter domínio total sobre a região.

VEJA TAMBÉM:

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.