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Estados Unidos

Em crise após derrota nas midterms, republicanos pedem mudança de rota a Trump

Correligionários de Trump alertam para a necessidade de mudanças para que os republicanos não percam a Casa Branca em 2028 (Foto: GRAEME SLOAN/EFE/EPA)

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A dura derrota para os democratas nas eleições de meio de mandato presidencial de terça-feira (3), nas quais a oposição ganhou o controle do Congresso dos Estados Unidos e dos governos da maioria dos estados americanos, gerou uma onda de reavaliação interna no Partido Republicano, legenda do presidente Donald Trump.

Em entrevista à agência Reuters, o estrategista republicano John Feehery afirmou que os resultados das midterms foram um “desastre enorme” para Trump e que o mandatário “precisa fazer uma limpa na sua equipe”.

“A partir de agora, a cada dia que passa, ele se torna um líder cada vez mais enfraquecido”, disse Feehery.

Uma autoridade do governo Trump disse à agência britânica que “o moral [na Casa Branca] está no nível mais baixo possível”.

Essa fonte relatou que, um mês e meio antes das midterms, pesquisas internas haviam indicado que os republicanos corriam sério risco de perder as maiorias na Câmara e no Senado.

Porém, Trump ignorou alertas sobre consequências políticas e se recusou a mudar de postura sobre a guerra no Irã, negando-se a negociar e fazendo ameaças de retomar os bombardeios em grande escala ao país persa.

“No fim das contas, ele simplesmente não se importou. Ele se recusou a ouvir qualquer pessoa”, disse a autoridade.

Em post no X na quarta-feira (4), o vice-presidente J.D. Vance disse que o conflito no Irã, que elevou os preços dos combustíveis e desgastou Trump, foi o principal motivo para a derrota republicana na véspera.

Numa referência ao presidente, ele citou o argumento de Trump de que uma alta temporária nos preços é um custo aceitável diante da tarefa de impedir que o regime islâmico tenha uma arma nuclear.

“Se vocês quiserem argumentar que valeu a pena, que perder o Senado pelos próximos seis anos valeu a pena, então fiquem à vontade. Defendam que esse foi um custo que valeu a pena pagar. Concordando ou não, pelo menos isso é ser honesto”, escreveu Vance.

Trump concordou que a guerra no Irã contribuiu para a derrota do seu partido nas midterms, mas disse que “faria tudo de novo” se pudesse voltar no tempo.

Ashley Davis, estrategista republicana, afirmou em entrevista à BBC que, com o post de quarta-feira, Vance “testou o terreno para ver qual será seu próximo passo”.

A preocupação do vice também está relacionada a 2028, quando ele poderá ser o candidato republicano na eleição presidencial.

A opinião de muitos dentro do Grande Velho Partido (GOP, na sigla em inglês), como a legenda é chamada, é que algo precisa ser mudado para evitar a perda da Casa Branca daqui a dois anos.

“Más políticas públicas e mau caráter resultam em política ruim: tarifas erráticas, uma guerra impulsiva contra o Irã, perdões indiscriminados, corrupção aparente, instrumentalização da Justiça, brutalidade do ICE [agência de imigração americana], déficits astronômicos, acobertamento no caso Epstein, o abandono de aliados e a condescendência com inimigos. Espero que haja uma mudança de rumo, pelo bem do país e do meu partido”, escreveu no X o ex-candidato à presidência e ex-senador republicano Mitt Romney.

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