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Constrangimento

Embaixador dos EUA afirma que Trump ofereceu armas à China e gera reação

O ditador chinês, Xi Jinping, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante encontro na semana passada em Washington (Foto: Octavio Guzmán/EFE)

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Uma declaração do embaixador americano na China, David Perdue, alegando que o presidente Donald Trump teria oferecido vender armas para o regime do ditador Xi Jinping, está causando grande repercussão nos Estados Unidos.

O embaixador fez os comentários em entrevista à emissora Fox News, no domingo (27). Perdue foi perguntado se Trump teria adiado a aprovação de um pacote de US$ 14 bilhões em vendas de armas para Taiwan, país que a China considera uma “província rebelde” a ser “reincorporada”, para agradar Xi e evitar tensões na visita do ditador a Washington na semana passada.

Em resposta, Perdue afirmou: “O presidente Trump continua dizendo: ‘Ei, nós vendemos armas para outras pessoas ao redor do mundo’. Ele chegou a perguntar ao presidente Xi, em certo momento, se ele gostaria de comprar algumas”.

Sobre Taiwan, o embaixador acrescentou que a posição de Washington segue a mesma. “Não apoiamos a independência [da ilha], nem a coerção [de Pequim]”, afirmou.

Perdue não deixou claro se Trump teria feito a oferta durante o encontro da semana passada com Xi ou em outra ocasião.

A declaração de Perdue gerou muitas críticas de especialistas. “A suposta oferta de Trump para vender armas à China é insana. Aposto que Xi ficou tentado a dizer: ‘Vamos levar um de cada, por favor’”, disse Zack Cooper, especialista em segurança na Ásia do think tank americano American Enterprise Institute, em entrevista ao jornal britânico Financial Times (FT).

“É chocante que Trump resista a autorizar a venda de armas para Taiwan, mas, ao mesmo tempo, as ofereça à China”, acrescentou.

Dennis Wilder, ex-assessor sênior da Casa Branca para assuntos da Ásia durante o governo de George W. Bush (2001-2009), disse ao FT que a intenção de Trump pode ter sido apenas “provocar” Xi sobre a superioridade das armas dos EUA, mas mesmo isso seria perigoso.

“Até mesmo brincar sobre uma questão de grande importância para Taiwan e nossos aliados no Leste Asiático pode intensificar as dúvidas existentes sobre a seriedade com que o presidente encara a ameaça de agressão militar chinesa”, afirmou Wilder.

Em post no X, o jornalista Edward Wong, ex-chefe da sucursal do The New York Times em Pequim, classificou o comentário de Perdue como “algo extraordinário para qualquer presidente americano”.

“Trump está retendo um pacote de armas de US$ 14 bilhões para Taiwan, aprovado pelo Congresso. A China ajuda o Irã e a Rússia”, lembrou o jornalista.

Depois da entrevista de Perdue, uma autoridade do governo Trump disse ao The Wall Street Journal que não há planos de vender armas para a China. Uma segunda autoridade americana afirmou ao jornal conservador que a venda de armas para a China já é proibida por lei e que não houve planos ou ofertas a Pequim.

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