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Os Estados Unidos criticaram a escolha do ex-chanceler chileno José Miguel Insulza para chefiar a missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que observará as eleições presidenciais do Brasil em outubro, segundo informou nesta terça-feira (8) o portal argentino Infobae.
De acordo com o portal, há um “profundo mal-estar” em Washington com a decisão do secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, de colocar Insulza à frente da missão. O portal afirma que a Casa Branca reconhece a trajetória do chileno, mas considera sua escolha um “grotesco erro diplomático” devido à relação política mantida por ele com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo das últimas duas décadas.
Segundo o Infobae, o governo americano entende que Ramdin deveria ter escolhido outro nome para comandar a missão, como um ex-presidente da região. O portal não informou quais autoridades americanas fizeram as críticas e, até o momento, não houve manifestação pública da Casa Branca ou do Departamento de Estado sobre o caso.
A escolha de Insulza para comandar a missão da OEA no Brasil foi anunciada oficialmente pela organização em 13 de agosto. O chileno, que já foi secretário-geral da organização entre 2005 e 2015, chefiará a missão que acompanhará o pleito marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno previsto para o dia 25.
O acordo que permite a atuação da missão foi assinado em Washington por Ramdin e pelo representante permanente do Brasil na OEA, Benoni Belli. Segundo a organização, esta será a quinta missão de observação eleitoral enviada ao país desde 2018.
Insulza tem uma relação política antiga com Lula. Em 2005, quando era ministro do Interior do governo chileno de Ricardo Lagos, ele disputou a secretaria-geral da OEA e contou com apoio do governo brasileiro em sua candidatura. Anos depois, em 2016, Insulza também assinou uma declaração internacional de apoio a Lula em meio às investigações da Operação Lava Jato. O documento afirmava que o petista não estava “acima das leis”, mas sustentava que ele não poderia ser alvo de "ataques injustificados à sua integridade pessoal".
Entre os signatários da carta também estavam a ex-presidente argentina Cristina Kirchner, o ex-presidente uruguaio José Mujica, o ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González e o ex-presidente chileno Ricardo Lagos. A participação de Insulza na declaração chegou a provocar reação política no Chile: a Comissão de Relações Exteriores da Câmara decidiu, por unanimidade, manifestar preocupação ao Ministério das Relações Exteriores do país com sua assinatura no documento.
Insulza também já ocupou a pasta de ministro do Interior do Chile e foi senador entre 2018 e 2026. Filiado ao Partido Socialista chileno, ele comandou a OEA durante dois mandatos consecutivos.
Em maio deste ano, Insulza também fez críticas ao avanço de governos de direita na América Latina e à política do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, para a região. Em entrevista ao portal Observatório Político dos Estados Unidos, ele afirmou que países latino-americanos haviam optado por “soluções de extrema-direita” diante do que consideravam a ineficácia de seus governos.
Na mesma entrevista, Insulza afirmou que Trump “carece de uma visão clara de política externa” e acusou o presidente americano de "enxergar a América Latina como alvo de oportunismo". Ele também criticou a retomada de elementos da Doutrina Monroe pelo governo dos EUA e defendeu maior articulação entre Brasil, México e Colômbia (ainda governado pela esquerda na época) para produzir um “equilíbrio mais positivo” na região.







