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Ameaça

Imagens comprovam maior movimentação já registrada em complexo nuclear do Irã

Imagem de satélite mostra um acampamento de construção em 9 de agosto de 2026, com estruturas destinadas ao armazenamento de equipamentos e uma usina de concreto. Segundo a análise, a atividade contínua no local, combinada com o reforço das vias de acesso e mudanças no volume de depósitos de terra, indica uma possível transição dos trabalhos de escavação iniciais para a construção interna. (Foto: CSIS/Satellogic)

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O think tank americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) divulgou nesta quarta-feira (9) um relatório que apontou que está ocorrendo a maior movimentação já registrada na montanha Pickaxe (Kuh-e Kolang em persa), que abriga um complexo nuclear do regime islâmico na região central do Irã.

O estudo se baseou na análise de dados de seis anos de detecção de mudanças por radar de abertura sintética (SAR) e detecção de mudanças ópticas via Sentinel-2, além de imagens de altíssima resolução (VHR) da Airbus de 9 de julho deste ano e uma imagem de satélite da empresa Satellogic de 9 de agosto.

“A análise de imagens de múltiplas fontes da Montanha Pickaxe e da instalação nuclear de Natanz, abrangendo o período de 2020 até o presente, revela um padrão de atividade claro, dividido em três fases, nos cinco principais pontos de interesse e nas vias que os conectam. Isso indica uma transição do local de uma fase de escavação ativa para uma de provável construção interna e contínuo reforço externo”, informou o CSIS.

O think tank americano apontou no relatório que, “em conjunto, essas imagens revelam uma atividade viária na Montanha Pickaxe em 2026 superior a qualquer outro momento da história do local”.

“Observa-se um aumento nítido na atividade de construção em 2026, correspondendo à elevação e ao reforço estrutural dos portais de acesso, à pavimentação da rede viária interna, ao reforço das áreas de acesso e ao nivelamento do terreno com a remoção de material resultante das escavações”, alertou o CSIS.

Imagem de satélite mostra as instalações nucleares de Natanz e a montanha Pickaxe, no Irã, entre janeiro e julho de 2026. As áreas destacadas indicam o perímetro de segurança, a antiga área de apoio às obras e os acessos pelos portais oeste, leste e sul. Segundo a análise, os pontos em tom âmbar revelam aumento da compactação e do endurecimento de estradas internas e de áreas de solo exposto próximas aos locais de construção. (Foto: CSIS/Dados modificados da Copernicus Sentinel de 2026, fornecidos pela SkyFi)

A montanha Pickaxe está localizada perto da instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, já atacada durante a atual guerra contra os Estados Unidos e Israel, e abriga dois complexos a cerca de 100 metros de profundidade, escavados em granito sólido.

O presidente americano, Donald Trump, tem sinalizado nos últimos dias que pretende ordenar um ataque ao complexo nuclear.

“Notamos que há alguma atividade em Pickaxe. Aconselho o Irã a não tentar nenhuma gracinha, pois teremos de atingi-los com muita força”, disse Trump na quarta-feira, durante a convenção do Partido Republicano para as eleições de meio de mandato presidencial, em Dallas.

A alegação de que o Irã estava perto de obter armas nucleares foi a motivação para a atual guerra no Oriente Médio, iniciada em fevereiro.

No seu relatório, o CSIS disse que sua análise “não permite refutar nem confirmar a alegação da inteligência israelense de que o Irã teria transferido centrífugas para a montanha Pickaxe”.

Porém, destacou que “a continuidade das obras, a ausência de um reforço na segurança interna e a não observação de veículos ou equipamentos que não sejam voltados para a construção sugerem que a instalação subterrânea ainda não está apta a realizar atividades de enriquecimento [de urânio] — caso esse seja o objetivo pretendido”.

“Seria necessária uma análise mais aprofundada da atividade diária para determinar o padrão operacional do local para além da sua atual configuração de canteiro de obras”, afirmou o CSIS.

O think tank afirmou que as características do complexo de Pickaxe dificultariam sua destruição mesmo com a utilização das chamadas bombas bunker-buster, como a GBU-57.

“Embora ataques militares possam degradar ou desativar temporariamente a montanha Pickaxe, o bombardeio contínuo da infraestrutura nuclear iraniana é insustentável, o que evidencia a necessidade de uma solução diplomática verificável para o desafio nuclear do Irã”, disse o CSIS.

Veja abaixo as imagens de satélite divulgadas pelo CSIS que mostram o avanço das construções em um dos portais de acesso.

Imagem de satélite mostra o acesso ao portal leste da instalação em setembro de 2025. Segundo o CSIS, a atividade de construção observada no local representava um aumento significativo em relação ao padrão identificado em análises anteriores sobre a retomada das atividades nucleares na região. (Foto: CSIS/Vantor)
Imagem de satélite mostra o acesso ao portal leste da instalação. Segundo a análise, houve reforço e elevação das áreas ao redor do acesso, além da ampliação das vias de entrada. O nivelamento do terreno próximo às áreas de depósito de material escavado indica a retirada desses resíduos e uma possível redução ou encerramento dos trabalhos de escavação, embora o padrão de uso do local aponte para a continuidade das obras. (Foto: CSIS/CNES 2026/AIRBUS DS)
Imagem de satélite mostra o acesso ao portal leste da instalação em 9 de agosto de 2026. A análise identifica o reforço e a ampliação dos acessos, incluindo a construção de um novo portal de entrada, além do armazenamento de equipamentos. O portal original de acesso à instalação subterrânea (UGF) aparece coberto por areia e cascalho, enquanto uma pilha de material escavado foi ampliada e nivelada, com a abertura de uma nova estrada de acesso. Segundo a análise, essas mudanças indicam a continuidade das obras e uma possível redução da atividade de escavação na montanha. (Foto: CSIS/SATELLOGIC)

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