
A líder opositora María Corina Machado afirmou nesta quinta-feira (29), em Caracas, que a estrutura de perseguição do chavismo continua ativa na Venezuela. Em sua primeira coletiva após retornar ao país, ela rebateu promessas da líder interina Delcy Rodríguez sobre reformas judiciais e novas eleições, alertando que o grupo que comandou prisões e torturas ainda controla as instituições do Estado.
Qual é a principal crítica de María Corina ao cenário político atual?
A líder opositora sustenta que o aparato de repressão responsável por sequestros, torturas e assassinatos continua intacto e operando sob o comando de figuras do regime. Embora reconheça mudanças importantes após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em janeiro, María Corina enfatiza que integrantes da cúpula chavista ainda ocupam cargos estratégicos. Para ela, essa permanência gera um clima de insegurança e medo de retaliação entre os cidadãos, tornando o desmonte dessa estrutura e a libertação de presos políticos metas urgentes na transição.
O que o governo interino de Delcy Rodríguez prometeu ao país?
Delcy Rodríguez realizou um pronunciamento à nação prometendo uma série de reformas estruturais para tentar pacificar o país. Entre as medidas anunciadas estão a realização de novas eleições, a renovação do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e a garantia de que não haverá mais prisões arbitrárias. Ela defendeu a reconstrução da confiança nas instituições e na Justiça venezuelana, afirmando que o processo terá fiscalização internacional. No entanto, a líder interina não estabeleceu uma data específica para o pleito, o que gerou ceticismo por parte dos movimentos de oposição.
Como deve funcionar o plano de transição defendido pela oposição?
María Corina defende que as eleições presidenciais ocorram em 2027, seguindo uma proposta de transição articulada com o apoio do governo americano. Esse plano, detalhado pelo secretário de Estado Marco Rubio, divide-se em três fases fundamentais: a estabilização política do país, a recuperação da economia devastada e, por fim, a transição democrática plena. A opositora exige a renovação do Tribunal Supremo de Justiça e a criação de uma comissão da verdade, formada por especialistas independentes, para investigar crimes contra os direitos humanos e garantir reparação às vítimas do regime.
Qual é o papel dos Estados Unidos no atual momento da Venezuela?
A influência americana é central, especialmente após a operação militar de 3 de janeiro que capturou Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. María Corina agradeceu publicamente a Donald Trump e Marco Rubio pela ação, afirmando que ela abriu caminho para a recuperação das liberdades. Embora a opositora negue contatos diretos recentes com Delcy ou com Washington, ela apoia as negociações feitas pela Assembleia Nacional de 2015. Agora, seu foco é percorrer o país para reorganizar a oposição e ampliar o registro eleitoral de venezuelanos que vivem no exterior para a votação futura.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





