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James Talarico, democrata eleito nesta terça-feira (3) para o Senado americano, quebrou uma escrita de quase 40 anos: a última vez que o Texas, o estado que ele vai representar na câmara alta dos Estados Unidos, havia elegido um senador que não era do Partido Republicano foi em 1988 – ano anterior ao seu nascimento.
Ele venceu o candidato republicano, o procurador-geral do Texas, Ken Paxton.
James Dell Talarico foi professor de inglês no ensino fundamental e diretor executivo de uma organização sem fins lucrativos voltada para a educação, é seminarista presbiteriano e desde 2018 é deputado estadual no Texas.
Suas origens e prática cristãs – seu avô materno, Jimmy Causey, foi um pregador batista em igrejas no sul do Texas – parecem torná-lo mais palatável ao eleitorado conservador texano. Porém, sua posição pró-aborto gera incômodo no estado.
Em uma roda de conversa com eleitores promovida pela emissora CNN em outubro, uma texana católica a confrontou sobre o tema.
“Nós dois somos cristãos, e a Bíblia não fala da questão do aborto”, respondeu Talarico. “Isso significa que ambos precisamos analisar diferentes passagens bíblicas para tentar chegar a uma conclusão. Mas acredito que podemos, sim, unir esforços para reduzir o número de gestações não planejadas e o número de abortos.”
A eleitora contestou Talarico e disse que um dos Dez Mandamentos é “não matarás”. Talarico respondeu que “não há problema em chegarmos a conclusões diferentes sobre esse assunto”.
Talarico já propôs legalizar o uso recreativo da maconha no Texas, medida que não emplacou no seu estado, mas planeja tentar em Washington.
Na campanha para o Senado, ele também defendeu revogar cortes de impostos para o 1% mais rico da população americana e fim dos incentivos fiscais para construção de novos datas centers.
Em política externa, ele se manifestou contra a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia.
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A respeito da guerra na Faixa de Gaza, o democrata disse que “Israel tem o direito de defender seu povo”. “Mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não tem o direito de bombardear civis, restringir a ajuda humanitária ou utilizar a fome forçada e a punição coletiva como táticas”, acusou.
Sobre o Irã, Talarico disse que é necessário impedir que o regime persa “obtenha uma arma nuclear — [mas] sem mais uma guerra interminável”.
Porém, o democrata adotou posturas mais ao centro para atrair votos. Em recente entrevista à Fox News, ele se disse contra a participação de atletas transgênero em esportes femininos “caso isso comprometa a segurança ou a justiça [nas competições]”.
A respeito das mudanças climáticas, ele defendeu “todas as opções” de energia, inclusive a indústria de petróleo e gás, criticada pelos democratas.
“Esses são alguns dos melhores empregos que se pode conseguir, e eles garantem o sustento de famílias inteiras”, afirmou Talarico em entrevista ao cantor Bobby Pulido.
“A ideia de que políticos em Washington acham que podem simplesmente eliminar esse setor, eliminar esses empregos — é algo contra o que teremos de lutar, algo contra o que teremos de lutar até mesmo dentro do nosso próprio partido”, afirmou.
Pela importância da cadeira do Texas que estava em disputa nas midterms deste ano, o presidente americano, Donald Trump, colocou o democrata na mira.
Depois de ter manifestado estranheza com o fato de Talarico ter se ausentado da campanha durante mais de uma semana em outubro (devido a uma gripe, segundo o candidato), Trump escreveu na rede Truth Social que “James Talafreako é um lunático radical de esquerda e vegano que é a antítese dos valores do Texas” – fazendo um trocadilho com o sobrenome do democrata e a palavra “freak”, aberração em inglês, e ecoando o argumento dos republicanos de que a postura mais centrada de Talarico durante a campanha seria apenas fachada.
No evento na CNN no mês passado, o democrata minimizou os comentários dos republicanos sobre ele. “Teorias da conspiração não colocam comida na mesa”, disse Talarico.






