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Salário milionário

Político mais bem pago do mundo terá aumento salarial de R$ 5,6 milhões

Primeiro-Ministro de Singapura, Wong, o político mais bem pago do mundo.
Wong defende que salários mais altos ajudam Singapura a atrair profissionais qualificados para a política. (Foto: Wikimedia Commons )

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Lawrence Wong já ocupava uma posição que chamava atenção no cenário internacional antes mesmo de receber o novo reajuste: a de político mais bem pago do mundo. Primeiro-ministro de Singapura, ele terá um aumento de 1,4 milhão de dólares de Singapura em seu pacote anual de remuneração, o equivalente a cerca de R$ 5,6 milhões.

Com isso, seus ganhos poderão chegar a S$ 3,6 milhões por ano, aproximadamente R$ 14,4 milhões.

O reajuste foi anunciado pelo governo de Singapura como parte de uma revisão da remuneração dos ministros e de outros ocupantes de cargos públicos de alto escalão. A justificativa é a necessidade de tornar a carreira política mais competitiva diante dos salários oferecidos pelo setor privado e, ao mesmo tempo, reduzir incentivos à corrupção.

Wong, que reconheceu que o tema provoca fortes reações no país, afirmou que pretende doar o valor correspondente ao aumento para instituições de caridade ao longo dos próximos cinco anos. Mesmo antes da mudança, porém, sua remuneração já superava com ampla margem a de outros chefes de governo e de Estado.

Quanto ganha o político mais bem pago do mundo?

Atualmente, Wong recebe S$ 2,2 milhões por ano, cerca de R$ 8,8 milhões. O novo pacote representa uma elevação de quase 64% e levará a remuneração anual para S$ 3,6 milhões, aproximadamente R$ 14,4 milhões.

Primeiro-Ministro de Singapura ao lado de Lula.O Primeiro-Ministro de Singapura, político mais bem pago do mundo, já encontrou Lula. (Foto: Wikimedia Commons )

A diferença fica ainda mais evidente quando comparada aos vencimentos de outros líderes. O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, aparece logo atrás, com remuneração anual de cerca de US$ 719 mil, ou R$ 3,6 milhões. O presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin, recebe aproximadamente US$ 606 mil, cerca de R$ 3 milhões.

Até mesmo Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, fica bastante abaixo desse patamar. O salário anual oficial do presidente americano é de US$ 400 mil, aproximadamente R$ 2 milhões. No Brasil, o subsídio mensal do presidente da República é de R$ 46.366,19, o equivalente a cerca de R$ 556 mil por ano.

A diferença também pode ser observada dentro de Singapura. A renda mensal mediana no país foi de S$ 5.775, cerca de R$ 23,2 mil. O salário anual de Wong, portanto, equivale a dezenas de vezes a renda recebida por um trabalhador mediano.

Por que Singapura paga tanto aos políticos?

A política salarial de Singapura é baseada na ideia de que o governo precisa conseguir atrair profissionais altamente qualificados para a administração pública e para a política.

Ao defender o reajuste, Wong afirmou que o governo encontra dificuldades para convencer empresários e funcionários públicos de alto nível a abandonar suas carreiras para disputar eleições. Segundo ele, a intenção é evitar que o fator financeiro se transforme em um obstáculo adicional para pessoas capacitadas que poderiam ingressar na política.

O sistema também relaciona parte da remuneração dos ministros ao desempenho do governo. Entre os indicadores considerados estão emprego, crescimento da renda e expansão do Produto Interno Bruto (PIB).

O pacote salarial-base dos ministros passará de cerca de S$ 1,1 milhão para S$ 1,2 milhão, mas a remuneração pode chegar a aproximadamente S$ 1,35 milhão até o fim do atual mandato, conforme o desempenho.

Há ainda outra justificativa histórica: o combate à corrupção. O governo de Singapura sustenta há anos que salários elevados reduzem a tentação de que autoridades aceitem propinas e ajudam a preservar a qualidade do serviço público.

O país costuma ser usado como exemplo nesse argumento. Singapura ficou em terceiro lugar no Índice de Percepção da Corrupção de 2025, elaborado pela Transparência Internacional, enquanto os Estados Unidos apareceram na 29ª posição. Casos de corrupção no serviço público são considerados raros no país.

Isso não significa, porém, que a fórmula seja considerada infalível. Em 2024, o então ministro dos Transportes Subramaniam Iswaran foi preso por aceitar mais de S$ 300 mil em presentes enquanto ocupava o cargo.

Aumento salarial para Primeiro-Ministro provoca críticas em Singapura

O novo reajuste reacendeu uma discussão antiga em Singapura. Embora o governo argumente que a remuneração precisa acompanhar o nível de responsabilidade dos cargos e competir, ao menos parcialmente, com o setor privado, críticos questionam a distância entre os salários dos políticos e os da população.

O anúncio ocorre em um momento de preocupação com custo de vida, inflação, empregos para recém-formados e segurança no mercado de trabalho. As demissões no país chegaram ao maior nível em mais de cinco anos no último trimestre, segundo dados oficiais citados pela BBC.

A controvérsia não é nova. O Partido de Ação Popular (PAP), que governa Singapura desde 1959 e é liderado por Wong, já enfrentou forte reação eleitoral relacionada aos salários dos ministros.

Em 2011, o partido registrou sua menor participação de votos em décadas, em meio ao descontentamento com o custo de vida e a desigualdade. No ano seguinte, os salários ministeriais foram reduzidos.

Agora, Wong tenta equilibrar a defesa do sistema com a reação pública ao novo aumento. A promessa de doar o reajuste à caridade procura afastar a percepção de benefício pessoal, mas não elimina a discussão mais ampla sobre quanto um político deve receber para exercer um cargo público.

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