Publicidade
Decisão

Mendonça derruba sigilo de informações financeiras do caso Master após pressão de Moraes e PGR

Movimento ocorre após pressão de Moraes e PGR antes de julgamento em sessão extraordinária.
Movimento ocorre após pressão de Moraes e PGR antes de julgamento em sessão extraordinária. (Foto: Luiz Silveira/STF)

Ouça este conteúdo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça derrubou nesta segunda-feira (14) o sigilo de um processo que reúne informações financeiras sobre pessoas e empresas relacionadas à investigação do caso Master, que tem o banqueiro Daniel Vorcaro entre os principais investigados. A decisão ocorre em atendimento a uma solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin, após a concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR) com o pedido do ministro Alexandre de Moraes.

Nos bastidores, há a avaliação de que parte dos documentos ficará em sigilo. De acordo com uma fonte a par do caso ouvida pela Gazeta do Povo, o ministro irá argumentar que há muitos nomes e alguns com foro privilegiado. Ainda segundo esta fonte, a exposição completa revelaria todo o caminho do dinheiro do esquema Master, incluindo a triangulação de recursos para pagamento de propinas.

Na manifestação a Fachin, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, afirmou que a Pet 15.645 não estava visível ao Ministério Público Federal (MPF) no sistema de consulta processual, razão pela qual não solicitou a abertura dos autos em uma solicitação anterior.

"Como se trata de documento tido como relevante para que Ministro desse Tribunal possa compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve, em coerência com as premissas do parecer anterior, a Procuradoria-Geral da República entende que deve também ser retirado o sigilo da Pet 15645 para o conhecimento dos integrantes da Corte", diz o documento.

O processo reúne dados de inteligência financeira sobre pessoas e empresas relacionadas à investigação do Banco Master. A Petição foi aberta após a Polícia Federal pedir acesso integral a comunicações que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) havia retido porque mencionavam pessoas sobre as quais havia indicação de possível foro no STF ou no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a PF, a ausência dessas informações criava uma “lacuna no rastreamento financeiro” e impedia compreender toda a cadeia de repasses e identificar eventuais beneficiários dos recursos investigados.

De acordo com a CNN Brasil, o objetivo de Moraes com a cobrança seria buscar pagamentos ao Instituto Iter, do qual Mendonça foi sócio até a deflagração da crise. Nos relatórios já divulgados, porém, não há menção ao instituto.

Igreja da lagoinha movimentou R$ 57,1 milhões

As operações e movimentações discriminadas no relatório somam cerca de R$ 389 milhões entre giro bancário, valores de imóveis, garantias fiduciárias e comunicações que podem se referir à mesma operação. Embora o montante reúna transações de naturezas diferentes e não represente, por si só, dinheiro ilícito ou suspeito.

A tabela aponta créditos de R$ 28,5 milhões à Igreja Batista da Lagoinha, a maior beneficiária entre os citados. O total pode corresponder tanto a transferências quanto a remunerações de investimentos e outras movimentações com adição ao saldo. O maior remetente identificado pelo Coaf foi seu líder e cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, com R$ 19,2 milhões. Ao todo, a instituição religiosa movimentou R$ 57,1 milhões entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.

Há, para a igreja, quatro transferências que somam R$ 120 mil do pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro. As suspeitas são de uso da igreja no esquema de lavagem de dinheiro. Os relatórios apontam movimentações classificadas como atípicas, incluindo uma transferência de R$ 3,9 milhões diretamente do Master à Amando Vidas Produtora e Gravadora, parte do grupo empresarial da Lagoinha.

Zettel também administrava a Super Empreendimentos, apontada como um dos braços de lavagem de dinheiro do esquema. Os documentos do caso apontam que os recursos transitavam por uma cadeia complexa de fundos de investimento e, após os resgates de investimentos em CDBs, eram transferidos para contas mantidas pela Super. As atividades da empresa foram suspensas por ordem de Mendonça.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a Igreja Batista da Lagoinha. O espaço segue aberto para manifestação.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.