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O mundo acordou nesta segunda-feira (15) esperançoso com um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, anunciado no domingo (14) pelo presidente americano, Donald Trump, e que será assinado formalmente por representantes dos dois países na Suíça na sexta-feira (19). Entretanto, questionamentos feitos pelo regime islâmico e por Israel estão colocando em xeque esse compromisso.
No post na rede Truth Social em que anunciou o acordo com o regime persa, Trump disse que autorizava “integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágios” e “a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos” a portos do Irã.
Entretanto, nesta segunda-feira, o regime persa disse que pretende cobrar taxas em Ormuz, por onde 20% do petróleo mundial circulava antes da guerra e que foi bloqueado quase totalmente pelo Irã nos últimos meses.
Segundo informações de agências de notícias iranianas, reproduzidas pela emissora americana CNN, autoridades de Teerã disseram que vão permitir o trânsito livre pela passagem durante os 60 dias em que novas negociações ocorrerão, mas planejam impor taxas após esse período.
A agência Fars afirmou que o Irã “pretende se beneficiar financeiramente do tráfego marítimo comercial pelo estreito”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse à agência Tasnim que Teerã não planeja cobrar pedágios em Ormuz, mas “taxas” por “serviços”.
“Sempre dissemos que não buscamos cobrar pedágios de trânsito. No entanto, em troca dos serviços que prestaremos – incluindo serviços de navegação, proteção ambiental, potencialmente seguro de navios e outros serviços oferecidos pelo Irã e Omã –, os custos necessários serão cobertos e as taxas correspondentes serão cobradas”, disse Baghaei.
Os Estados Unidos têm reiterado oposição a cobranças de qualquer tipo pela passagem por Ormuz, e no final de maio Trump chegou a ameaçar bombardear Omã caso o país árabe ajude o Irã a “controlar” o estreito.
Israel diz que não está “vinculado” a acordo EUA-Irã
Já membros do governo israelense estão questionando um anúncio do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador nas negociações, que afirmou no fim de semana que o acordo prevê “o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano”, onde Israel enfrenta o grupo terrorista Hezbollah, aliado do Irã.
O fim do conflito também na frente libanesa é uma exigência do Irã para o acordo de paz. Porém, em comunicado, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que as forças do país não deixarão as regiões que ocuparam no sul do Líbano e prometeu novos ataques em caso de agressão ao país.
“Não vamos abrir mão dos interesses de segurança de Israel e da proteção de nossos cidadãos, e não nos retiraremos das zonas de segurança”, disse Katz, segundo informações do jornal The Times of Israel. “Se o Irã atacar Israel por causa dos eventos no Líbano, nós o atacaremos com toda a nossa força”, acrescentou.
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No início da semana passada, Irã e Israel trocaram fogo diretamente pela primeira vez desde o início do cessar-fogo (implementado em abril), depois que os iranianos atacaram o território israelense devido à continuidade da ofensiva no Líbano.
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, afirmou nesta segunda-feira que o acordo EUA-Israel é “ruim para Israel e para todo o mundo livre. Ponto final”.
Outro integrante da gestão Benjamin Netanyahu, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, afirmou em um comunicado que “o acordo de Trump não nos vincula”.
“Israel não é subordinado aos Estados Unidos. Somos um país independente e soberano”, disse o ministro. “Não somos parceiros deste acordo, que não protege nossa segurança. Não devemos nos retirar de nenhum território [no Líbano] que nossos combatentes tenham conquistado.”
Por ora, o texto do acordo não foi divulgado. Segundo o site Axios, além da reabertura de Ormuz e do fim do bloqueio naval ao Irã, o compromisso também estabelece que os Estados Unidos e os iranianos negociarão durante um prazo de 60 dias a respeito do enriquecimento nuclear realizado pelo regime persa e o descarte de urânio altamente enriquecido.
Os americanos e Israel iniciaram o conflito em 28 de fevereiro, sob o argumento de que Teerã estava perto de obter armas nucleares. O regime islâmico alega que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
Ainda de acordo com o Axios, pelo acordo, os EUA se comprometerão a discutir o alívio das sanções ao Irã e a liberação de fundos iranianos bloqueados, medidas que serão condicionadas ao cumprimento das exigências pelo regime persa.
Em entrevistas às emissoras ABC e CNBC nesta segunda-feira, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, disse que o acordo com o Irã já foi assinado digitalmente no domingo e que o texto deve ser divulgado antes da assinatura formal na Suíça, na sexta-feira.
A respeito dos questionamentos de Israel ao acordo, o vice de Trump alegou que isso está ocorrendo porque “informações incorretas” sobre o compromisso estão sendo veiculadas pela imprensa estatal iraniana.
“Acho que quando as pessoas virem este acordo — esperamos divulgar o texto esta semana —, elas vão perceber que isso tornará toda a região mais segura”, disse Vance.









