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Fenômeno raro

Após terremoto, vulcão desperta na Rússia depois de 500 anos; veja imagens da Nasa

Imagens de radar do satélite NISAR mostram a evolução da lava no vulcão Krasheninnikov, que voltou à atividade após quase 500 anos.
Imagens de radar do satélite NISAR mostram a evolução da lava no vulcão Krasheninnikov, que voltou à atividade após quase 500 anos. (Foto: NASA/Wikimedia Commons)

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Um terremoto de magnitude 8,8 atingiu a região próxima à península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia, em julho de 2025. Cinco dias depois, um vulcão que estava em silêncio havia quase cinco séculos voltou a apresentar atividade.

O episódio chamou a atenção de pesquisadores e passou a ser acompanhado do espaço pelo satélite NISAR, uma missão conjunta da Nasa e da agência espacial indiana (ISRO).

O vulcão Krasheninnikov não entrava em erupção desde aproximadamente 1550. A atividade atual ocorre no cone norte de uma estrutura formada por dois vulcões sobrepostos, dentro de uma caldeira com cerca de 10 quilômetros de diâmetro.

Embora a coincidência temporal entre os eventos tenha levantado a hipótese de que o terremoto tenha desencadeado a erupção, cientistas fazem uma ressalva: grandes abalos podem provocar atividade em vulcões que já estejam em condições favoráveis, com magma acumulado e pressão suficiente no interior.

No caso do Krasheninnikov, imagens de radar identificaram deformações no terreno depois do terremoto e antes da erupção, um indício de movimentação de magma em direção à superfície.

O despertar do vulcão Krasheninnikov após 500 anos adormecido

O terremoto ocorreu em 30 de julho de 2025, no oceano, a cerca de 240 quilômetros do Krasheninnikov. Poucos dias depois, em 3 de agosto, o vulcão começou a liberar lava e colunas de cinzas e gases.

A Nasa informou que o episódio pode ser considerado um caso de possível atividade vulcânica desencadeada pelo terremoto. A agência ressalta, porém, que esse tipo de fenômeno depende das condições internas do vulcão. Um terremoto, por si só, não significa que qualquer vulcão próximo necessariamente entrará em erupção.

O Krasheninnikov é um dos vários vulcões da península de Kamchatka, região conhecida pela intensa atividade geológica. A estrutura já havia entrado em erupção por volta do ano 1550, quando fluxos de lava foram emitidos pelos dois cones que formam o complexo. Desde então, permaneceu em relativa quietude por mais de quatro séculos.

O Krasheninnikov permaneceu em relativa quietude desde cerca de 1550, antes de voltar a apresentar atividade após o terremoto de julho de 2025.O Krasheninnikov permaneceu em relativa quietude desde cerca de 1550, antes de voltar a apresentar atividade após o terremoto de julho de 2025. (Foto: Wikimedia Commons)

A retomada da atividade produziu um fluxo contínuo de rocha derretida e detritos pelo flanco leste do vulcão. Também foi identificado um segundo caminho de material vulcânico em direção ao noroeste, que provavelmente já havia se formado antes do primeiro registro do NISAR.

Satélite NISAR acompanha avanço da lava

O fenômeno ganhou uma nova dimensão em setembro de 2026, quando a Nasa divulgou uma animação produzida a partir de imagens do NISAR. O vídeo reúne 17 registros feitos entre dezembro de 2025 e agosto de 2026 e mostra a transformação gradual da paisagem.

Nas imagens, a lava primeiro ocupa uma caldeira menor localizada dentro do vulcão. Depois, o material transborda para uma área mais ampla e se espalha pela superfície em formato semelhante a um leque. O fluxo principal segue em direção ao leste.

O primeiro registro utilizado na sequência foi captado em 25 de dezembro de 2025, quando o NISAR ainda concluía os procedimentos de verificação após o lançamento. Desde então, o satélite passou a observar o mesmo ponto duas vezes a cada 12 dias, permitindo acompanhar as mudanças provocadas pela erupção.

A tecnologia utilizada é diferente da fotografia convencional. O NISAR emprega um radar de abertura sintética, que envia milhares de pulsos de micro-ondas em direção à superfície e registra o sinal que retorna. Com o processamento desses dados, é possível produzir imagens detalhadas do terreno mesmo durante a noite ou sob cobertura de nuvens.

Por que a lava aparece mais clara nas imagens do satélite?

Na sequência divulgada pela Nasa, a lava se destaca visualmente em relação à neve e ao solo que cercam o vulcão. Isso acontece porque as superfícies refletem os sinais de radar de maneiras diferentes. O material vulcânico recente devolve o sinal com maior intensidade, fazendo com que apareça mais claro nos registros.

Cada pixel das imagens utilizadas na animação representa uma área de aproximadamente 10 metros por 10 metros. A repetição das observações permite transformar registros separados por semanas em uma espécie de filme da evolução da erupção.

O caso também demonstra uma das aplicações previstas para o NISAR: acompanhar alterações na superfície terrestre relacionadas a terremotos, vulcões, deslizamentos e outros fenômenos naturais. O satélite foi desenvolvido para observar grandes áreas do planeta com frequência e precisão, inclusive regiões remotas como Kamchatka.

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