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Há quatro anos, Lula venceu por um ponto e trocados uma eleição em que Bolsonaro saía de período incrivelmente impopular, com uma “frente ampla”, que se estendeu do mercado financeiro e Globo até o PDT ainda com Ciro, setores da direita como Tebet e Fernando Henrique, entre outros.
Ele prometeu a volta do paraíso, picanha e cerveja como maná do céu, reverter a reforma trabalhista de Temer, a privatização da Eletrobras, a política de preços da Petrobras, colocar o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda.
Não fez nada disso. Aplicou política recessiva. Pagou os juros mais altos do mundo. Endividou as famílias. Minguou o emprego enquanto fazia propaganda da taxa de desemprego via trabalho em aplicativo. Deixou a criminalidade aumentar. Liberou o jogo no celular. Entregou as terras raras. Assinou livre-comércio com a Europa. Entregou nosso urânio para a França. Nossa Amazônia para as ONGs. Congelou o Bolsa Família. O orçamento das universidades. O salário do servidor. Lula minguou.
Perdeu base. Mesmo sentado na cadeira, Lula não conseguiu trazer nenhum naco do Centrão. Perdeu os nacionalistas. Perdeu o precariado. Perdeu os jovens que hoje estão entre 16 e 19 na sua primeira eleição.
Para as novas gerações, “faz o L” é uma gíria que significa “fez m****, agora aguenta as consequências”. Por tudo isso, previ, logo em 2023, que Lula perderia as eleições. Previ objetivamente, com base no fato de que Lula perderia setores que deram a vitória a ele e não agregaria nada, depois de um governo de rendição total, de fachada, onde ele foi uma patética e desagradável marionete. Desnecessário é dizer que fui ridicularizado dia e noite por petistas por três anos.
Ainda não começaram a caçar os culpados, esperarão a derrota para isso. Mas a culpa da derrota de Lula não é da comunicação. Não há o que comunicar, o governo não entregou NADA. Só dívidas e subemprego
Não acertei tudo, no entanto. Recentemente errei quando previ ousadamente que o PT poderia fazer só um senador. Jaques Wagner e Humberto Costa conseguiram se eleger, e a trapalhada da direita em Minas elegeu Marília, do PT. Cravei, no entanto, o resultado do primeiro turno há uma semana: Flávio Bolsonaro na frente por dois pontos.
E como eu disse em 2023, em 2024 e em 2025, TODOS QUE VIRARAM PUXADINHOS DO PT foram enterrados num caixão sete palmos abaixo do caixão do Lula. O futuro é de trevas para a esquerda brasileira, que ficou do tamanho do... Jones Manoel.
Ainda não começaram a caçar os culpados, esperarão a derrota para isso. Mas a culpa da derrota de Lula não é da comunicação. Não há o que comunicar, o governo não entregou NADA. Só dívidas e subemprego.
A culpa da derrota de Lula também não é de Haddad, não é de Janja, não é do Sidônio, não é do STF e não é do PT. A culpa da derrota de Lula é das bizarrices que ele mesmo fala, dele que escolheu o Haddad, dele que casou com a Janja, dele que escolheu o Sidônio, dele que governou com o Supremo, dele que perverteu o PT. A culpa é do tipo de governo que ele fez.
A culpa da derrota do Lula é do Lula, de sua incompetência, de seu caráter. Da sua voz e suas bobagens que ninguém aguenta mais ouvir. Lula é o problema, e esse problema não tem solução.
E se Lula é o problema, a quem os petistas vão recorrer agora para virar voto? À Erica Hilton? À Erika Hilton genérica de Minas? Ao Jean Willis? À Gleisi? Ao Haddad? Ao Zé Dirceu? À Benedita? À Tebet? Ao Boulos? Ao Gregório Duvivier? Ao Caetano? Ao Randolfe? Ao Lupi? Estou ansioso para assistir.
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Então ele poderia recorrer à sua aguerrida militância para virar votos? Mas o problema do petista para conseguir voto é que ele é petista. Petista é chato, arrogante, woke, universitário de humanas que só leu resumos. Quando lê um livro, fica ainda pior. Se eles quisessem arrumar voto mesmo pro Lula, saíam de camisa da seleção na rua, lacrando e pedindo voto pro Flávio.
Outro problema maior é: a quem pedir votos? O PT passou os últimos 30 anos exterminando o centro e a centro-esquerda como seu alvo prioritário, enquanto mantinha a direita viva para polarizar. Não mudou nada no país, mas matou o PSDB, a Marina, o Ciro e até a centro-direita: o Centrão. Agora não tem pra quem pedir voto.
O PT também trabalhou para exterminar o campo nacionalista, e agora diz que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Conversa, ele já é quintal dos EUA. Como Lula vai pedir esse voto disperso se permitiu a venda da única indústria brasileira de terras raras aos EUA? Ou tendo enterrado o resto de nossa indústria que conseguiu sobreviver a 20 anos dele assinando livre-comércio com a UE? Ou tendo entregue um terço do governo dele às ONGs democratas dos EUA?
O pior é que a pior coisa que pode acontecer ao Lula no 2º turno é ele ser reeleito. Ele terá um Congresso ainda pior, não aprovará ninguém no Supremo, perderá tudo no Senado. Sofrerá impeachment em um ano. Será pior que a Dilma II. Periga sair preso do Planalto.
Mas os petistas não estão preparados pra essa conversa. Petistas nunca estão preparados pra conversa alguma. De qualquer forma, não adiantaria. Agora é tarde. Chegou a hora do juízo final. Lula já perdeu as eleições, politicamente. Mas Flávio ainda não as venceu, nas urnas. Mas esse é assunto para outro texto.
Gustavo Castañon é professor de Filosofia e Psicologia na Universidade Federal de Juiz de Fora. Costuma fazer reflexões diárias sobre política ou filosofia no Twitter e no Facebook.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos



