Publicidade
Para entender

Tribuna do Paraná completa 70 anos e sociólogos analisam legado histórico

Ao longo de sete décadas, a Tribuna do Paraná acompanhou as mudanças urbanas, sociais e culturais da Grande Curitiba. (Foto: Reprodução/Tribuna do Paraná)

Neste sábado, 17 de outubro, a Tribuna do Paraná celebrou sete décadas de circulação ininterrupta. Fundado em 1956 como um jornal vespertino, o veículo se consolidou como uma voz essencial para os moradores da Grande Curitiba. Sociólogos explicam que o sucesso da publicação se deve à sua capacidade de narrar o cotidiano dos bairros, as transformações urbanas e a paixão pelo futebol paranaense.

Como a Tribuna conseguiu se tornar tão popular entre os curitibanos no início?

O sucesso começou em 1956, quando Curitiba passava por uma explosão urbana devido à chegada de pessoas vindas do campo. Nesse cenário de mudanças rápidas, surgiram novos problemas sociais, como a violência. Enquanto a televisão ainda dava seus primeiros passos, o jornal ocupou um espaço vital ao levar informações detalhadas sobre o cotidiano e a segurança pública. De forma mais lenta que os meios digitais de hoje, a Tribuna pautava as conversas e levava as pessoas a refletirem sobre seus valores e sobre a cidade que se reorganizava naquelas décadas.

Qual foi o papel do jornal na cobertura dos bairros e do futebol local?

Diferente de publicações focadas no glamour do centro, a Tribuna deu protagonismo à periferia e aos problemas reais do dia a dia dos moradores. Nas décadas de 1960 e 1970, acompanhou a criação de planos diretores e novas linhas de ônibus. No esporte, o jornal criou um forte senso de pertencimento com o projeto Peladão da Tribuna, que mobilizava toda a cidade. O futebol funcionava como uma válvula de escape e unia gerações, do neto ao avô, que buscavam nas páginas do jornal a análise sobre as partidas de domingo e os bastidores dos clubes amadores e profissionais.

De que maneira a cultura e os temas sociais ganharam espaço a partir da década de 1990?

Com o fim da censura da ditadura militar nos anos 1980, a sociedade brasileira buscou se abrir para a democracia e para o lazer. Nos anos 1990, o jornal passou a ditar o ritmo do fim de semana, noticiando peças de teatro e programações de cinema. As pessoas consultavam o jornal para combinar encontros com amigos, tornando os temas culturais os assuntos da semana. Já no início dos anos 2000, seguindo as mudanças de comportamento da própria sociedade, o veículo também passou a dedicar espaços específicos para o público feminino, por meio da criação da Tribuna da Mulher.

Quais são os principais desafios do jornalismo na atual era das redes sociais?

O grande desafio atual é a economia da atenção, onde uma notícia repercute por horas em vez de semanas. Hoje existe o perfil do 'prosumidor', que é o leitor que produz e consome conteúdo simultaneamente. Embora a velocidade seja um ponto positivo, as reportagens em profundidade acabaram encolhendo. Além disso, a inteligência artificial facilita a propagação de mentiras. Nesse contexto, o papel do jornalista torna-se ainda mais fundamental para checar fontes, ouvir os dois lados e garantir que a informação levada ao público paranaense seja de qualidade, verificada e sem sensacionalismo.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.