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Ex-sócio do Grupo Fictor, o investidor Luiz Rubini, alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) desta quarta-feira (25), integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável do governo Lula, também chamado de “Conselhão”. Rubini foi sócio do grupo Fictor até o final de 2024 e seu mandato no Conselhão vai até março de 2027, segundo informações do Diário Oficial da União.
A operação da PF visava um esquema de suposta lavagem de dinheiro com fraudes no sistema financeiro e ligações com facções criminosas como o Comando Vermelho. Segundo a PF, funcionários de bancos visados, como a Caixa Econômica Federal, seriam cooptados. As fraudes investigadas podem superar R$ 500 milhões. Rubini foi alvo de busca e apreensão e quebra de sigilos bancário e fiscal.
O chamado “Conselhão” é um órgão consultivo da Presidência da República no Brasil, retomado no governo Lula em 2023. Composto por mais de 240 representantes da sociedade civil, empresários, ativistas e acadêmicos “amigos” do governo, seu papel é propor políticas públicas, debater reformas e promover o crescimento econômico com justiça social.
Luiz Rubini era sócio do CEO do Fictor, Rafael Góis. Procurado, o Fictor confirmou à reportagem que Góis foi alvo de mandados de busca e apreensão em sua residência e que se manifestaria assim que tivesse acesso aos autos do processo que autorizou a operação.
Ligações com Lulinha
Em meio às notícias sobre a operação, surgiu a informação de que seu apontamento para o Conselhão seria resultado de uma indicação pessoal de Fábio Luis da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República.
A defesa de Lulinha enviou à Gazeta do Povo uma nota em que confirmou conhecimento mútuo entre Lulinha e Rubini, mas negou relações comerciais entre os dois.
O jornal Folha de S.Paulo chegou a afirmar, citando duas fontes anônimas, que Lulinha teria atuado como assessor da Fictor, o que a defesa negou na mesma nota.
Confira a íntegra da nota de Lulinha:
Fábio Luís conhece Luiz Phillipe Rubini mas nunca teve relação comercial com ele ou com a Fictor, nunca foi consultor, não o apresentou a ninguém do governo e não teve ingerência ou participação na indicação de nenhum cargo ou função. Fábio Luís não é político e não possui poder de influência ou determinação de órgãos governamentais. Qualquer menção à Fábio nesse contexto é uma reprodução de boatos falsos em uma tentativa frustrada de relacioná-lo com escândalos para atacar indiretamente o atual governo em ano eleitoral.
Prisões e apreensões
Na operação desta quarta, a PF cumpriu 21 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão, que foram expedidos pela Justiça Federal de São Paulo. As ações ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Pelo menos 14 pessoas foram presas até o final da manhã.
A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de bens, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros, até o limite de R$ 47 milhões. Até a última atualização, a PF informou terem sido apreendidos relógios de luxo, aparelhos eletrônicos e quantidades de dinheiro em espécie.








