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A Fachin

Crise no STF chega ao caso INSS e Camisotti cobra análise de pedido de liberdade

Delação do empresário foi citado em relatório da PF usado por Moraes para confrontar Mendonça.
Delação do empresário foi citado em relatório da PF usado por Moraes para confrontar Mendonça. (Foto: Pedro França/Agência Senado)

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A crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que até então vinha sendo invocada em pedidos de liberdade de investigados do caso Master, chegou ao escândalo das fraudes previdenciárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O empresário Maurício Camisotti pediu nesta quinta-feira (8) que o presidente da Corte, Edson Fachin, determine ao ministro André Mendonça a análise de um pedido de revogação de sua prisão preventiva.

A defesa afirma que Camisotti enfrenta um "limbo", uma vez que Fachin recebeu os autos, mas a relatoria permaneceu com Mendonça. Com isso, pedidos urgentes teriam ficado sem análise.

Camisotti foi preso em 12 de setembro de 2025, na Operação Cambota, desdobramento da Operação sem Desconto. Mendonça autorizou a prisão sob a justificativa de que haveria risco de que o empresário tentasse embaraçar as investigações, ocultando ou dilapidando patrimônio.

Delação de Camisotti aparece em despacho de Moraes contra Mendonça

O empresário é conta com a representação de Daniel Bialski, o mesmo advogado que atende o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do caso Master. Em março, a Folha de São Paulo revelou que Bialski negociava uma delação premiada também em favor de Camisotti.

A defesa chegou a enviar o acordo ao gabinete de Mendonça para homologação. O texto previa, entre outros pontos, a devolução de cerca de R$ 400 milhões, e Camisotti buscava obter prisão domiciliar. Em abril, porém, a Procuradoria-Geral da República (PGR) contestou a negociação por não ter participado das tratativas desde o início.

Meses depois, um relatório de inteligência da PF revelou outro impasse: a Procuradoria considerava desproporcional a proposta de redução de dois terços da pena feita pela corporação.

O ministro Alexandree de Moraes citou o episódio no despacho em que expôs um dos relatórios de inteligência da Polícia Federal, em meio ao embate com Mendonça. Segundo o documento, diante da resistência da PGR à redução de dois terços da pena, Mendonça teria sinalizado a possibilidade de conceder um benefício fora das hipóteses previstas em lei. A PF avaliou que isso poderia representar participação indevida do magistrado nas tratativas da colaboração.

A própria corporação, porém, classificou como “moderada” a confiança sobre a ocorrência e o teor exato da manifestação atribuída ao ministro.

Logo depois, Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Na decisão, ele tece críticas à atuação de Moraes e aos próprios relatórios. Disse, entre outras coisas, que os documentos são "apócrifos" e se baseiam em avaliações subjetivas sobre sua atuação.

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