
Ouça este conteúdo
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou ao colega Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), pedindo sua inclusão no inquérito das fake news, que tramita sob sigilo. O caso foi encaminhado por Moraes à Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda não se manifestou sobre o pedido.
Segundo informações publicadas nesta segunda-feira (20) pela Folha de S. Paulo e confirmadas pela Gazeta do Povo, o pedido de Gilmar ocorreu após a divulgação, por Zema, de um vídeo nas redes sociais em que bonecos simulam uma conversa entre o ministro e Dias Toffoli.
Na gravação, o personagem que representa Toffoli pede a suspensão de uma decisão da CPI do Crime Organizado, enquanto que o fantoche de Gilmar atende ao pedido em troca de “uma cortesia lá do teu resort que tá pago. Tô a fim de dar uma jogadinha essa semana”.
Este trecho faz referência a um empreendimento de luxo no interior do Paraná que tem o magistrado e seus irmãos como sócios, e que teria negociado cotas acionárias com um fundo de investimentos ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master.
Na notícia-crime, Gilmar Mendes afirma que o conteúdo divulgado fere sua honra e a do tribunal, além de simular diálogos inexistentes que comprometem a credibilidade da Corte.
“Valendo-se de sofisticada edição profissional e de avançados mecanismos de 'deep fake', o vídeo emula vozes de ministros da Suprema Corte para travar diálogo que, além de inexistente, tem como claro intuito vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal”, diz o ministro em trecho do despacho publicado pela Folha de S. Paulo.
O magistrado destacou ainda o alcance da publicação nas redes sociais, apontando que o então governador possui milhões de seguidores e que o vídeo foi amplamente replicado. Segundo ele, a repercussão elevou o potencial de dano institucional, atingindo um número expressivo de visualizações e ampliando o impacto do conteúdo.
VEJA TAMBÉM:
O que diz o vídeo
O vídeo integra uma série intitulada “Os Intocáveis” e faz críticas diretas a decisões recentes do STF, incluindo a anulação de medidas da CPI do Crime Organizado envolvendo a empresa ligada à família de Dias Toffoli. A peça também traz referências a supostas movimentações financeiras suspeitas, além de insinuações sobre relações com lavagem de dinheiro e o PCC.
Em manifestações públicas, Zema tem intensificado críticas ao Judiciário, afirmando que ministros não podem ser considerados acima da lei. Em um dos discursos, declarou que Alexandre de Moraes e Dias Toffoli “não merecem só impeachment, eles merecem prisão”.
“O Brasil não aguenta mais essa farra dos intocáveis, daqueles que estão lá em Brasília e se consideram acima de todas as leis. Não vamos nos vergar, não vamos permitir que esses absurdos que estão acontecendo. Vamos estar aqui quantas vezes forem necessárias”, afirmou Zema em uma mobilização em São Paulo no mês passado.
A possibilidade de investigação contra Zema no inquérito das fake news agora depende da análise da PGR, que pode decidir pelo arquivamento ou prosseguimento das apurações.













