Publicidade
Caso Master

Interlocutor de Jaques Wagner na Bahia teria articulado fraude do Master com o BRB, diz PF

Jaques Wagner
Investigação da PF aponta influência de Augusto Lima em operações de cerca de R$ 12 bilhões e investiga relação com o senador (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Ouça este conteúdo

Relatórios da Polícia Federal apontam que o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master e apontado como interlocutor do senador Jaques Wagner (PT-BA), teria participado diretamente das operações investigadas entre o Master e o BRB. Segundo a autoridade policial, Lima tinha “manifesta autoridade” dentro da instituição e teria atuado em operações de crédito que somam aproximadamente R$ 12 bilhões.

O relatório foi divulgado neste final de semana após a retirada do sigilo de parte das investigações da Operação Compliance Zero. A defesa de Lima negou as acusações e afirma que ele deixou a sociedade e a direção do Master em 28 de maio de 2024.

“A defesa reafirma que não há fundamento para atribuir a Augusto Lima os ilícitos mencionados e confia que a investigação será conduzida de forma técnica, isenta e com absoluto respeito aos fatos e ao devido processo legal, tendo a certeza de que a inocência ficará comprovada”, afirmou em nota ao jornal O Globo (veja na íntegra mais abaixo).

Empresário baiano e controlador do Credcesta, Lima manteve contato frequente com Wagner, segundo a PF, com 74 ligações entre os meses de novembro de 2023 e maio de 2025. As conversas totalizaram mais de cinco horas e meia, com preferência por chamadas de voz para evitar registros que poderiam ser apurados no futuro.

Jaques Wagner foi alvo da nona fase da Compliance Zero por suposta atuação na chamada “Emenda Master”, que pretendia elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A investigação apontou que ele teria recebido vantagens financeiras do Master através de Lima, como viagens em helicópteros e jatinhos de empresas ligadas ao ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, um apartamento de luxo em Salvador, entre outros.

O senador negou irregularidades e afirmou que sua atuação foi regular, inclusive tendo votado contra medidas que poderiam favorecer o Master. Após o desgaste provocado pelas investigações, Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado.

Relação de Lima com negócios do Master e BRB

Mesmo após deixar formalmente a sociedade do Master, Augusto Ferreira Lima teria continuado a exercer influência sobre operações do banco. Conversas com Vorcaro mostram o empresário acompanhando documentos relacionados à transferência de carteiras de crédito para o BRB, inclusive contratos envolvendo a empresa Tirreno.

Segundo a PF, a Tirreno teria sido usada para ocultar a origem dos créditos transferidos ao BRB. Em uma das conversas, Lima teria enviado uma tabela com créditos cedidos ao banco estatal compatíveis com a fraude de R$ 12,2 bilhões.

“O valor presente do somatório de todas as tranches listadas, firmadas entre 26/12/2024 e 05/05/2025, alcança aproximadamente R$ 12 bilhões, coincidindo com o montante total da operação”, afirma o relatório.

A investigação também aponta a produção em massa de documentos falsos para sustentar empréstimos posteriormente transferidos ao BRB. Segundo a PF, funcionários do Master selecionavam CPFs e falsificavam procurações de pessoas que supostamente teriam contratado os créditos.

Quando servidores começaram a reclamar de dívidas que diziam não ter contratado, Lima teria tratado do assunto com Vorcaro. O relatório afirma ainda que, durante a substituição das carteiras questionadas, Lima teria determinado que amostras dos créditos não fossem enviadas ao BRB.

“Augusto Lima possuía grau elevado de ingerência nas atividades do Banco Master, incluindo autoridade suficiente para que suas determinações tenham força para se opor as de Vorcaro”, concluiu a PF.

A polícia também aponta possível participação do Credcesta na origem de parte dos créditos cedidos ao BRB, o que daria a Lima interesse em evitar que eventuais irregularidades atingissem o cartão consignado. O relatório cita ainda três pagamentos do Master à Terra Firma da Bahia, empresa ligada ao empresário, que somaram R$ 10,5 milhões entre julho de 2024 e maio de 2025.

O que dizem os citados

Veja abaixo na íntegra o que disse a defesa de Augusto Ferreira Lima sobre a apuração da PF:

A defesa de Augusto Lima rechaça de forma veemente as informações e insinuações mencionadas, que reproduzem alegações formuladas no início da investigação e que, passados 10 meses de apuração, não se sustentam diante dos próprios elementos já reunidos.

Augusto Lima jamais tratou com qualquer representante do BRB sobre supostas carteiras falsas e não participou das negociações, nem nunca participou de reunião sobre o assunto. Não assinou documentos de cessão de carteiras ao BRB nem prestou informações falsas ao Banco Central. Tampouco manteve tratativas com órgãos de fiscalização sobre esses fatos ou foi responsável pela contabilidade do Banco Master.

A própria investigação da Polícia Federal já afastou, em relatório, a alegação envolvendo as associações. Quanto às transferências mencionadas pela reportagem, havia contrato regular de prestação de serviços, e os serviços contratados foram efetivamente prestados. Insinuar, apenas em razão dos valores envolvidos, que esses pagamentos representariam desvio de recursos em favor de Augusto Lima é uma ilação grave e sem respaldo nos fatos.

Há ainda uma questão cronológica objetiva: Augusto Lima deixou a sociedade e a direção do Banco Master em 28 de maio de 2024, conforme documentação do próprio Banco Central. A operação policial ocorreu somente em 18 de novembro de 2025, um ano e seis meses depois de seu desligamento.

Desde o início das apurações, Augusto Lima permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Após 10 meses de investigação, a defesa considera inadmissível que acusações antigas sejam novamente apresentadas como novidade, ignorando elementos já reconhecidos pela própria apuração da PF.

A defesa reafirma que não há fundamento para atribuir a Augusto Lima os ilícitos mencionados e confia que a investigação será conduzida de forma técnica, isenta e com absoluto respeito aos fatos e ao devido processo legal, tendo a certeza de que a inocência ficará comprovada.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.