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Políticos, empresários e nomes próximos a Lulinha: quem frequentava a mansão de Roberta Luchsinger

Roberta Luchsinger e Lula
Roberta Luchsinger com Lula, em 2022, durante um encontro de campanha com advogados e juristas de esquerda. (Foto: Ricardo Stuckert/PT)

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A mansão alugada pela lobista Roberta Luchsinger no Lago Sul, em Brasília, teria recebido, segundo informações mencionadas em investigações conduzidas pela Polícia Federal em três diferentes inquéritos no STF, uma lista diversificada de visitantes.

Entre eles estavam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); ministros como o da Saúde, Alexandre Padilha, do Desenvolvimento Wellington Dias e das Comunicações Frederico Siqueira.

A lobista é investigada por tráfico de influência ao usar a influência de Lulinha, como filho do presidente, para fechar contratos privilegiados com o governo.

A PF também analisa encontros no local com o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana, o Marcola; Swedenberger Barbosa, o Berger, chefe adjunto do gabinete presidencial e empresários como Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e os irmãos Kalil e Fernando Bittar.

As informações sobre quem teria frequentado a mansão são baseadas, segundo fontes ligadas às investigações, em relatos de funcionários, mensagens e elementos reunidos nas investigações, que ainda tentam esclarecer a natureza do entra e sai na residência e de encontros.

A defesa de Lulinha confirmou que ele visitava a casa, mas negou a utilização do endereço para reuniões ou negociações comerciais.

Apesar de a crise institucional no STF desviar o foco do suposto tráfico de influências envolvendo o filho mais velho de Lula e a lobista, as apurações seguem revelando dados a diferentes frentes de apuração.

Entre os mencionados que frequentariam a mansão, apenas o Ministério das Comunicações respondeu aos questionamentos da Gazeta do Povo sobre o ministro Frederico Siqueira. Em nota, a pasta afirmou “não dispõe nem comenta informações sobre temas e atividades da esfera pessoal de seus servidores e dirigentes”.

Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, por exemplo, teria participado de uma festa organizada para Lulinha em Brasília. O evento reuniu familiares e amigos do filho do presidente. O ministro chegou a afirmar, à Veja, que não se lembrava do endereço onde ocorreu a comemoração.

A ampla rede de frequentadores na mansão no Lago Sul

A casa do Lago Sul passou a ser relacionada a uma rede ampla de contatos de Roberta Luchsinger durante suas passagens por Brasília. A defesa de Roberta não se manifestou.

Para investigadores, cada descoberta auxilia na montagem do quebra-cabeça, mas os registros sozinhos não comprovariam que os frequentadores tenham usado o imóvel para encontros que tratassem de tráfico de influência ou negociações comerciais.

Para cruzar esses dados, a PF também investiga encontros envolvendo a empresária e autoridades, que eventualmente estiveram na residência, em reuniões com agendas oficiais em ministérios e no Planalto. Encontros em outros locais de Brasília também estão sob análise.

Fontes que atuam nas apurações estariam cruzando informações que vão desde visitas à casa, encontros sociais, conversas por aplicativos de trocas de mensagens e registros de acesso a órgãos públicos. Isso porque Roberta teve agendas no Palácio do Planalto e realizou visitas a ministérios e repartições públicas de 2023 a 2025.

O presidente Lula disse, durante entrevista ao Jornal Nacional no mês passado, que não conhece a lobista e negou ter oferecido cargos a ela na estrutura governamental. Após essa manifestação, fotos de Lula com Roberta passaram a circular nas redes sociais. A lobista chegou a falar em um dos diálogos interceptados pela PF que o próprio presidente teria lhe oferecido um cargo no governo. O Palácio do Planalto foi procurado, mas não respondeu à reportagem.

Empresários estariam entre os frequentadores do imóvel

Além de políticos e servidores públicos, empresários são citados nas apurações sobre as relações de Roberta. Um dos principais nomes é do próprio Antonio Carlos Camilo Antunes, investigado no caso relacionado a descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

A PF tenta entender a natureza da relação entre Antunes, Roberta e Lulinha e se a proximidade entre eles teve alguma influência na tentativa de abrir portas em diferentes pastas do governo.

Um dos inquéritos apura se Roberta e Lulinha teriam atuado para facilitar a aproximação do Careca do INSS em relação ao Ministério da Saúde para tratar da venda de produtos à base de canábis para supostos fins medicinais.

O Ministério da Saúde diz não ter participado de negociações e que os medicamentos sequer fazem parte dos fornecidos pelo sistema único de saúde.

Foi justamente um projeto voltado à canábis que colocou Lulinha e Roberta em um mesmo ambiente que o Careca do INSS. Roberta teria apresentado o filho do presidente a Antunes. Os dois chegaram a viajar juntos para Portugal para visitar um sistema produtivo, mas afirmaram que os negócios nunca prosperaram e que nenhuma sociedade foi efetivada entre ambos.

Empresários também aparecem associados ao círculo de Lulinha, entre eles os irmãos Kalil e Fernando Bittar, apontados como sócios e amigos do filho do presidente. A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos irmãos Bittar.

A apuração da PF quer estabelecer quais eram os vínculos entre essas pessoas e qual era a finalidade dos encontros que ocorriam na mansão de Roberta Luchsinger.

Lulinha aparece como um dos frequentadores mais recorrentes. Haveria indícios que ele e Roberta costumavam aparecer no local pelo menos duas vezes por mês. Em algumas ocasiões, o filho de Lula chegou a permanecer na casa sem a presença da lobista.

Em um áudio atribuído a Roberta, ela teria mencionado a funcionários a preparação de quartos para Lulinha e visitantes.

A defesa de Lulinha afirma que a relação entre o empresário e Roberta é de amizade e que ele frequentava a casa da mesma maneira que visitava outros amigos. A defesa também nega que Lulinha tenha participado de reuniões com empresários ou clientes de Roberta e afirma que Lulinha não cometeu irregularidades.

Ex-assessor de Lula entre os visitantes

Outro nome relacionado à casa é o de Marco Aurélio Santana, o Marcola, que ocupou o cargo de chefe de gabinete do presidente e que despachava diretamente com Lula.

A relação entre Marcola, Lulinha e Roberta também aparece em documentos analisados pela PF e que estão sob investigação. Em uma das mensagens atribuídas à lobista, ela conversa com Lulinha sobre um possível encontro com Marcola e Swedenberger Barbosa, o Berger, chefe adjunto do gabinete presidencial, mas que chegou a ocupar a posição de número dois no Ministério da Saúde. Marcola e Berger não comentaram a relação deles com Lulinha e Roberta.

Marcola também aparece em outro episódio investigado pela PF. Roberta teria encaminhado a ele uma minuta de contrato relacionada à venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. Marcola confirmou ter recebido o documento, mas afirmou que não o encaminhou, não houve negociações e descartou irregularidades.

Investigadores também apuram o envio de R$ 249 mil de Roberta para Marcola. A defesa do ex-assessor afirma que os valores foram emprestados e quitados integralmente.

Uma casa que funcionava como ponto de encontro

O imóvel tinha características de uma residência de alto padrão. Localizado em um condomínio fechado, tem piscina, jardim, churrasqueira, três quartos confortáveis e um espaço destinado a escritório. A rotina costumava ser diferente de uma residência tradicional.

Funcionava principalmente como ponto de encontro. Pessoas chegavam durante o dia, permaneciam por algum tempo e deixavam o local depois de supostos encontros e reuniões.

Relatos de ex-funcionários teriam ajudado os investigadores a reconstruir parte da movimentação.

A casa também teria sido utilizada como alternativa de hospedagem por Lulinha quando ele estava em Brasília. Haveria indicativos que ele preferia permanecer ali em vez de ficar no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente Lula ou em hotéis.

Mensagens ampliaram o interesse da PF

Em conversas extraídas do celular de Roberta Luchsinger haveria indícios de tratativas de reuniões, contatos e ofertas de oportunidades de negócios envolvendo Lulinha. Uma das mensagens faz referência a um encontro entre Lulinha e Marcola. Em outro diálogo, Roberta comenta sobre o ambiente empresarial e fala sobre projetos e perspectivas. Ela apresentava Lulinha como seu sócio para terceiros.

A PF também encontrou registros indicando que Roberta mantinha uma agenda intensa em Brasília com compromissos em órgãos públicos e ministérios em nome de empresas interessadas em negócios com o governo.

Essa combinação de relações privadas e contatos institucionais está no centro das suspeitas. A investigação tenta determinar se Roberta utilizava sua proximidade com pessoas influentes para intermediar interesses empresariais ou facilitar acesso a autoridades.

Investigações mudaram a rotina do imóvel

A movimentação na casa teria mudado depois que Roberta passou a aparecer nas investigações ainda no caso do INSS. Ela e Lulinha teriam deixado de frequentar o imóvel desde então.

Roberta foi alvo de uma operação da PF e teve aparelhos e documentos apreendidos. A empresária tem criticado as investigações e afirmou ser alvo de ataques.

A defesa de Lulinha sustenta que a amizade com Roberta não pode ser tratada como evidência de irregularidade e que seu cliente está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. A defesa classifica as suspeitas contra Lulinha como injustificadas.

O principal desafio para os investigadores é determinar se os encontros tinham apenas caráter social ou se, em determinados casos, estavam ligados à intermediação de negócios e interesses com o poder público.

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