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O ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo-MG) respondeu, nesta segunda-feira (20), ao pedido feito pelo ministro Gilmar Mendes ao colega Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para incluí-lo no chamado “inquérito das fake news”.
A notícia-crime protocolada por Gilmar a Moraes e, posteriormente, enviada ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, acusa Zema de ferir a honra de si próprio e do tribunal e comprometer a credibilidade da Corte ao criticá-lo em um vídeo postado nas redes sociais.
O ex-governador afirma que ainda não foi notificado do pedido do magistrado, que o STF age sem transparência, não dá direito de defesa à outra parte e ainda impõe um caráter sigiloso do inquérito.
“Eu tenho criticado essa ‘farra dos intocáveis’ desde o início do escândalo do Banco Master. [...] Se eles queriam me atingir, o tiro vai sair pela culatra, porque a minha indignação e inconformismo só aumentaram desde que tomei conhecimento disso”, disparou o ex-governador em entrevista à GloboNews.
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Romeu Zema foi alvo do pedido de Gilmar Mendes após postar um vídeo em suas próprias redes sociais em que acusa o STF de decisões arbitrárias e que seus ministros se consideram acima da lei. A gravação faz parte de uma série intitulada “Os Intocáveis”, e cita atos como a anulação de medidas da CPI do Crime Organizado e referências a supostas movimentações financeiras suspeitas, além de insinuações sobre relações com lavagem de dinheiro e o PCC.
“Eu não vou engolir isso, o STF do Brasil se transformou num ‘Supremo Balcão de Negócios’. [...] Além de falta de transparência, de conexão com o crime organizado, [o STF está] atuando de maneira autoritária e arbitrária. Isso causa mais indignação”, completou o político mineiro.
Em manifestações públicas recentes, Zema intensificou as críticas ao Judiciário, afirmando que ministros não podem ser considerados acima da lei. Em um dos discursos, declarou que Alexandre de Moraes e Dias Toffoli “não merecem só impeachment, eles merecem prisão”.
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Entre os motivos que levaram Zema a criticar o STF está uma decisão de Gilmar Mendes de impedir a quebra de sigilos da Maridt Participações, uma empresa de propriedade do ministro Dias Toffoli e de seus irmãos que era sócia de um resort de luxo no interior do Paraná que negociou cotas societárias com o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. As investigações da Polícia Federal apontam que ele seria o operador financeiro das fraudes cometidas pelo Banco Master contra o sistema financeiro.
Já em relação a Moraes, as suspeitas de envolvimento no escândalo do Master recaem sobre supostos diálogos dele com Vorcaro no dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado, e sobre o contrato de R$ 129 milhões que sua esposa, Viviane Barci, firmou com o banco para prestar assessoria advocatícia.
“Até me parece que tem sido um modus operandi do Supremo, em especial de alguns ministros fazerem isso sem dar o devido direito de defesa a outra parte, de forma que tudo é sigiloso e quando você toma conhecimento [da investigação] já está num estágio mais avançado”, completou na crítica ao STF.
Na gravação, o personagem que representa Toffoli pede a suspensão de uma decisão da CPI do Crime Organizado, enquanto que o fantoche de Gilmar atende ao pedido em troca de “uma cortesia lá do teu resort que tá pago. Tô a fim de dar uma jogadinha essa semana”. O resort a que o fantoche de Gilmar Mendes se refere é o que tinha Toffoli e seus irmãos como sócios.
Oposição na Câmara vê precedente grave em investigação de Zema
O líder da oposição na Câmara dos Deputados, deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), também reagiu ao pedido de Gilmar Mendes contra Romeu Zema e afirmou que a medida representa um precedente grave ao transformar a crítica institucional em alvo de investigação.
Em nota publicada em sua página no X, o parlamentar questionou a legitimidade do inquérito das fake news, descrito por ele como "instaurado de ofício, sem provocação do Ministério Público, sem sorteio de relatoria e com concentração de poderes incompatível com o devido processo legal".
Silva afirma que o instrumento tem sido usado de forma recorrente contra vozes divergentes, especialmente da direita, sem critérios objetivos ou limites claros.
"Um ex-chefe do Poder Executivo estadual passa a ser alvo de investigação por expressar opinião política. A crítica institucional, elemento essencial da democracia, passa a ser tratada como infração", afirmou o deputado na nota. "A mensagem que se transmite é perigosa: criticar pode custar caro", completou.












