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O Supremo Tribunal Federal (STF) virou palco de circo nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026. Era uma sessão extraordinária para decidir se Alexandre de Moraes pode ser investigado pelas mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Dezenas de conversas, pedidos de proteção, contratos milionários com o escritório da família. Evidências claras. E o que faz a Corte? Transforma tudo em bate-boca, interrupção e manobra para adiar. Fachin abre falando em “período difícil da história”. Difícil para quem? Para quem sempre usou o inquérito das fake news como instrumento de poder absoluto.
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Moraes argumenta que não é certo decidir se o próprio Moraes pode ou não ser investigado. Cara de pau sem tamanho. O mesmo que prendeu, censurou e cassou à vontade agora descobre o valor do devido processo quando a toga dele está em jogo. Quer impedir André Mendonça de votar, cria falsa equivalência entre os casos e ainda fala em “obediência à lei”. Lei para os outros, sempre. É o garantismo de ocasião.
Gilmar Mendes e Flávio Dino formam a dobradinha patética. Um provoca, interrompe, banca a vítima. O outro, o comunista, declara que “não é mais possível continuar” no instante em que Mendonça perde a calma por um segundo. Gilmar ainda sai em defesa do ex-sócio Paulo Gonet. É autoproteção nua e crua. Facção dedicada a blindar uns aos outros enquanto o país assiste à desmoralização completa da instituição.
O Brasil precisa perguntar: até quando? Até quando uma Corte que deveria ser guardiã da Constituição age como comitê de autoproteção? Enquanto Moraes permanecer no STF, a instituição estará imersa na lama
Mendonça tenta mostrar o óbvio: os casos são distintos. Misturar tudo é coisa de malandro. Ele vota, enfrenta a pressão e tenta fazer justiça. Enquanto isso, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques se declaram impedidos. O plenário fica reduzido, o risco de empate paira e Fachin demonstra falta de pulso. Deixa-se humilhar por Dino. Frachin?
Toffoli suspeito, Kassio impedido, Dino acusando Edson Fachin de abrir caminho para a “tirania”. O próprio Moraes discute com Mendonça. Gilmar conta história de galinheiro no meio do julgamento. É o retrato fiel de um tribunal que deixou de julgar fatos para proteger pessoas. Pessoas que acumulam poder demais e accountability de menos.
Lula é Moraes, Moraes é Lula. A indicação de Gonet, a escolha de Dino, os nomes no TSE. Tudo conversado. Agora o Supremo tenta sobreviver ao escândalo que ele mesmo criou. Sessão interrompida, retomada atrasada, questões de ordem intermináveis. Estratégia clássica: alongar, confundir, empurrar para o dia 23 e diluir o caso Moraes no pacote Banco Master.
O Brasil precisa perguntar: até quando? Até quando uma Corte que deveria ser guardiã da Constituição age como comitê de autoproteção? Enquanto Moraes permanecer no STF, a instituição estará imersa na lama. Cada dia a mais é desmoralização do país inteiro.
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Não há equivalência possível entre Moraes e Mendonça. Um ministro usa o Estado para perseguir adversários e agora pede proteção quando as mensagens comprometedoras aparecem. O outro ousa retirar o sigilo e enfrenta o sistema. Quem é o investigador e quem é o investigado ficou nítido hoje. A falsa equivalência só serve para salvar o capo da operação, o sócio oculto de Daniel Vorcaro.
Fachin tenta conduzir, mas a Corte já não tem autoridade moral. Divergência é legítima; confronto pessoal e manobra para tapar o sol com a peneira, não. O plenário deveria decidir se abre investigação. Em vez disso, discute se o próprio Moraes pode votar sobre si mesmo. O absurdo virou rotina.
O STF atravessa período difícil porque se recusa a se livrar de quem o afogou na imundície. Moraes acha que pode boiar no mar de lama. A sessão de hoje mostrou que a facção prefere afundar o tribunal junto. Resta saber se o Brasil ainda tem pulso para exigir o mínimo: que ninguém, nem ministro, esteja acima da lei.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Rodrigo Constantino é economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja, O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




