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Flávio Bolsonaro colou no Nikolas Ferreira, atraiu a Michelle Bolsonaro para sua campanha, aproximou-se do Deltan Dallagnol, não implodiu a ponte sequer com o Zema, mesmo após duras críticas do mineiro. Flávio colocou Daniella Marques como o rosto de seu projeto econômico, acenando para o mercado financeiro que teria um governo liberal e reformista como o de seu pai, com Paulo Guedes.
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Em suma, Flávio foi agregador. Levou a sério o slogan de ser o Bolsonaro moderado. É o mais diplomático dos filhos, aquele que agiu como bombeiro em crises, inclusive com o STF. Sua campanha já teria até avisado aos ministros que seu governo não seria de revanchismo. É preciso garantir governabilidade e focar nas pautas prioritárias para o povo.
Com essa postura conciliadora, Flávio está colhendo os resultados. Quem ficou o tempo todo caçando “traidor” não entendeu o óbvio: eleição se ganha somando, não expurgando. Ninguém pode vencer apenas com a bolha das redes sociais, pregando para convertidos e alimentando fanatismo.
Não é santidade. É cálculo político, necessário aos vencedores. O eleitor antipetista está maior do que a seita. Flávio se deu conta de que o pleito deve ser um plebiscito sobre o lulismo, não sobre o bolsonarismo. Para vencer, precisa dos votos dos indecisos que não gostam dele, mas odeiam mais o Lula
Os irmãos mais barulhentos, Carlos e Eduardo, tratam a política como inquérito permanente. Quem discordava um milímetro virava inimigo. Quem negociava virava infiltrado. Quem falava com o centro virava entreguista – ainda que o próprio Eduardo tenha indicado candidato do centrão em São Paulo. Resultado conhecido: isolamento, racha e urna contra.
Não foram poucos os influenciadores que se afastaram da campanha do Flávio por conta dessa postura dos seus irmãos. Com razão, gostariam de saber se seu eventual governo teria a cara de um Paulo Guedes ou de um Kim Paim. Mas a cúpula da campanha foi hábil e conseguiu isolar os irmãos.
Flávio fez o contrário do que sugeria Eduardo e seus “minions”. Colou em Nikolas Ferreira, o ativo mais forte da direita mineira e das redes sociais. Sempre elogiou o jovem deputado, enquanto a turma eduardista o tratava como um inimigo. Trouxe a Michelle de volta para a campanha, depois de um racha que quase virou novela.
Não brigou com Tarcísio. Não rompeu elos com Salles. Abriu canal com Deltan Dallagnol e Sergio Moro no Paraná – ambos lideram as pesquisas para Senado e governo do Estado, respectivamente. Não detonou o Zema, mesmo com o governador teimando em ficar na disputa com 1% e sendo comparado a Adélio Bispo pela turma de Eduardo. E ainda manteve Daniela Marques no radar – nome do Republicanos, com passagem pela Caixa, discurso de mulher evangélica e defensora do liberalismo que o núcleo duro da família às vezes despreza.
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Ou seja, Flávio se uniu à “direita limpinha”, em vez de rechaçar potenciais apoiadores, como desejava a militância radical. Focou no ponto de chegada, engoliu sapos e controlou o ego e as emoções. São características de um bom político, habilidoso em formar consensos com base nos denominadores comuns. Se concorda 80% comigo é meu amigo, não inimigo a ser destruído, como ensinou Reagan.
Não é santidade. É cálculo político, necessário aos vencedores. O eleitor antipetista está maior do que a seita. Flávio se deu conta de que o pleito deve ser um plebiscito sobre o lulismo, não sobre o bolsonarismo. Para vencer, precisa dos votos dos indecisos que não gostam dele, mas odeiam mais o Lula. Deltan e Moro reforçam o “lavajatismo”, tão importante para a vitória de Jair em 2018. Michelle e Nikolas falam com evangélicos que o sobrenome sozinho já não segura. Daniela Marques é ponte com o mercado que a cartilha dos irmãos só sabe xingar. Alfredo Gaspar foi golaço para resgatar a mensagem de combate à corrupção, especialmente contra o lulismo.
Quem prefere a “pureza” à vitória vai continuar caçando herege até o segundo turno – ou até perder. Quem prioriza disputas internas pelo comando da direita, e não o país, vai só afastar aliados importantes. Flávio escolheu o caminho oposto. Por isso, neste momento, é o único da direita com chance real de impedir mais quatro anos de Lula, Dino e o Supremo como partido. Agregar cansa. Caçar traidor é mais fácil e divertido, rende curtidas de gente com baixo QI. E costuma terminar na oposição.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Rodrigo Constantino é economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja, O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




